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10/17/2018

O segredo do teu coração, de Rabindranath Tagore (Poema Traduzido)


Autor: Rabindranath Tagore
Tradutor: Bastos Portela
Ano: 1925
O segredo do teu coração

Se queres, meu amor, deixarei de cantar...
Se te assusto, se acaso eu te inspiro receio,
cegarei, para que não mais te possa olhar.
Se venho perturbar o teu recreio,
eu fugirei de ti, por um outro caminho...

E seguirei sozinho,
alheio ao mundo, alheio à vida, a tudo alheio...

Se te esquivas de mim,
às vezes, quando estás colhendo flores,
no teu jardim solitário,
no teu lindo jardim,
meu amor, nunca mais irei por onde fores,
nem nunca mais irei ao teu jardim...

No ar, dorme um perfume...
Paira um silêncio vago...

Ah, se o meu barco faz rumor n'água do Iago,
fala! Fala em segredo, num queixume...
E eu não mais singrarei a água azul do teu Iago...

Que é do teu coração?
Anda... Abre-o sem medo!
Põe tua alma de flor, aqui, na minha mão...
Dize-me o teu segredo!
Dize-o a mim, só a mim, que sou teu grande amigo...
E eu te ouvirei também com a minha alma na mão...
A noite desce, docemente...
A casa está deserta e silenciosa.
O sono embala os ninhos... Solidão!
Anda. Dize baixinho o que tua alma sente...
Dize-o, num choro vacilante,
ou num sorriso triste de emoção...

Dize, numa ternura dolorosa,
o segredo de amor que tens no coração...
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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)

A coroa e a canção, Rabindranath Tagore (Poema Traduzido)


Autor: Rabindranath Tagore
Tradutor desconhecido (Revista Excelsior)
Ano: 1931.
 A coroa e a canção

Tratei toda esta manhã de tecer-te uma coroa: ruas, ai! as flores rolavam dos meus dedos, e caíam no pó do chão.

Tu, sentada estavas ali, bem perto, e era de oblíqua maneira que o meu trabalho observavas.

Perguntai, vós que me ledes, a esses olhos de malícia, a quem foi que coube a culpa...

Dissimula-se um sorriso a tremular nos teus lábios. Perguntai a esse sabido sorriso, que finge o néscio, a razão do meu fracasso.

Oh, deixa que a tua boca sorridente diga a forma porque a minha voz se foi aniquilar no silêncio, como uma abelha embriagada no seio aberto de um loto.


É noite: o instante em que as flores vão cerrar as suas pétalas... Permite que eu me acomode ao teu lado e, após, ordena aos meus lábios que se entreabram e façam o que se pode fazer no silêncio imenso da noite, sob a difusa claridade das estrelas...


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Imagem: Revista  Careta, 18 de abril de 1914.
Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)

10/16/2018

Eu vi a tua imagem, de Rabindranath Tagore (Poema Traduzido)



Autor: Rabindranath Tagore
Tradutor: Bastos Portella
Ano: 1927.
Eu vi a tua imagem

Eu vi a tua imagem,
na minha imaginação...
Depois, deixei meu barco abandonado,
sobre as águas do rio, em meio  à escuridão.

Surge, agora, a manhã!
As flores da Primavera
estão desabrochando...
Porém, mesmo que a luz falte,
as flores murchem
e morra a Primavera,
seguirei sempre navegando,
navegando...

Quando me apareceste,
o mundo mau dormia...
E a sombra estava nua...

Agora...  ouves os sinos? Que alegria!
Rutila um sol, ardente e louro, ardente e louro,
banhando a rua...

E o meu barquinho está pesado, cheio de ouro...
Porém, mesmo que a voz dos sinos emudeça
e o meu barco, depois, fique vazio,
seguirei sempre navegando,
navegando,
sobre as águas do rio...

Algumas barcas já se foram...
Outras estão aparelhadas...
— Oh, também vou partir!
Olha as velas enfunadas
e as aves que chegaram da outra banda!...
Porém mesmo que as velas não me ajudem
e se perca a mensagem,
que hei de levar daqui, para além da outra praia...
seguirei sempre navegando
navegando,
imagem
e vendo a tua  imagem
sobre a praia...


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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)