quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Fialho de Almeida - Conto do Natal



Conto do Natal


Há de passar talvez das onze horas. A noite afinal pôs-se serena, não bole vento, as solidões escutam... – é como se a terra inteira estivesse à espreita de ouvir tocar o sino para a missa. Pela estrada que passa entre Vila de Frades e Vidigueira, vem descendo uma velha arrumada ao seu bordão de pobrezinha. O rastejo dos passos dir-me-ia porventura a idade dela: o luaceiro entanto, nuverinhado em céu de bruma, apenas deixa aperceber a silhueta curvada para a terra, com um pedaço de manta sobre os ombros, o saco às costas, e as canelas sem meias, entrapadas em ligaduras repelentes. Ao pé da ponte a mulher para. Por detrás daqueles choupos, lá em baixo, à beira-rio, havia noutro tempo um forno de tijolo, agora pelo Inverno abandonado. Ela adianta-se, procura... A estrada passa de alto, ladeada de acácias e eucaliptos. E derredor, nos plainos baixos, as escavações do barro espapam-se nas águas da cheia, em lúgubres lameiros, cuja ervançum dá residência a uma colônia rouca de sapos.

A velha estende o bordão para a barreira, procurando vereda num chão firme, em cujo barro os seus pobres sapatos rotos não mergulhem.

Malgrado o embrutecimento da idade, o frio, a fome e o desejo de amosendar para ali, no forno de tijolo, longe das apupadas dos cães e dos rapazes, uma nostalgia poética ergue-lhe a vista, e então recorda-se, e quer circunvagar os seus cansados olhos para o largo. É uma esquelética paisagem de dezembro, nua e cansada, quando já a natureza se alquebra toda em desalentos, e os troncos das árvores parece que estrebucham, como os famintos de Londres, numa bebedeira de ódio, truculenta. No primeiro plano há terras de vinha, olivais muito negros e colinas redondas com moinhos. Para as bandas da Vidigueira risca a neblina um traço negro, que deve ser a torre do relógio – depois, à direita, uma mancha de cal, o cemitério. Lentamente, à medida que o raio de visão se prolonga no horizonte, os outeiros complicam -se, as formas perdem sua delineação traço por traço, e toda a cordilheira dir-se-ia pintada numa sucessão de panos de teatro, a cinza-claro, e gradações mais e mais desvanecidas.

Oh, que sossego! Uma divina essência, abstrata, etérea, vem oscular as urzes e as levadas. Do seio das negridões, de quando em quando, brotam suspeitas de formas vagabundas, a branco-cinza esboços de sonhos, almas erráticas que debandam, noitibós que se acolhem, friorentos na noite, às pedras das ruínas... Vem um acorde triste dos cardos secos da margem dos alqueves, dos pilriteiros sem folhas e dos zambujos frugais das ribanceiras. E as águas do ribeiro troam nas pedras, por entre as canas e os choupos, cujas varas se esfalripam nos ares, tísicas e brancas, com um ou outro corvo por folhagem.

Da outra banda são semicírculos de terras e valados, com freixos altos em silhueta no tom madrepérola da lua, e alternativas de negro e zonas claras, que dir-se-iam feitas num desenho a carvão, com lápis prateado.

Todas aquelas brancuras vêm do extremo horizonte aos olhos da mendiga, por suspeitas, desagregadas das formas, abstraídas do resto da paisagem, e todas poderiam interpretar -se como efeitos de neve, de luar, de água dormente, tanto a neblina enche de fantasmagorias a noite e presta uma alma incoerente àquela cenografia de balada.

Há porém no sopé daqueles montes um ponto que a velha ansiosamente procura. É o pequenino convento de capuchos que alveja da banda de Vila de Frades, derrocado, entre oliveiras. Lá corre o muro da cerca, até se perder num grupo de ciprestes. Naquela cerca, já depois de profanado o conventinho, era antigamente o cemitério: um cemiteriozinho de aldeia, com malmequeres e figueiras bravas, crânios à solta, e nenhuma cruz ou mausoléu comemorando a jazida de qualquer. Ali repousam os parentes e amigos da pedinte, pais e irmãos, filhos e netos: só ela, errante de povo em povo, sem um afeto que a proteja, sem uma boca amiga que a console, vai pelo mundo a mendigar de porta em porta!

Vinte e dois anos passaram depois que ela abalou da sua terra, e quatro ou cinco vezes lhe sucedeu passar ali como estrangeira, com os olhos no chão, corrida de vergonha, vendo a igreja aberta e tendo medo de entrar, passando ao resvés das casas ricas, e arreceando-se de pedir esmola à criadagem; e depois, ao toque das Trindades, noite fechada, detendo-se a escutar de longe os conhecidos rumores do lugarejo. Oh, essa chafranafra da volta do trabalho, com guizadas de mulas tintinando, estrupidas de carros desferrados, e as boas-noites trocadas, os cavadores cantando em coro pelos caminhos, a crepitação da lenha nas lareiras – e depois, no bocal das fontes, o mulherio que pousa os cântaros e entre risotas comenta as picarescas histórias da semana!

É quando numa melancolia doce o dia morre, e grandes nuvens esmagam no poente as vermelhidões crepusculares. É quando uma exalação envolve as cúpulas das árvores e, das terras molhadas, claridades efémeras fosforejam, e uma voz corre e suspira à flor das ervas.

Pois acabou-se, acabou-se! E a triste da mulher desce a barreira, agredida por tudo, as recordações, a noite, o frio, a fome... Não, não repousará entre os demais, no pobre cemitério da sua aldeia, em que avoejam corujas e francelhos: a casa onde nasceu foi demolida: arrancaram a vinha que o marido plantara, há cinquenta anos, com solicitudes de bom cultivador: e ninguém na vila já se recorda da Josefa, da viúva do Pratas, mãe duma filha bonita que anda agora nas feiras, de cigarro, e passa o Inverno em braços de soldados, numa viela infame de Estremoz. Ao acercar-se do forno, uma claridade viva a surpreende. O alpendre ficava do outro lado, numa descaída brusca do montículo, e ali está gente, há falas de homem... – ai pobre velha! aonde há de ela ir passar a noite àquela hora?

Por um momento ainda ela faz um passo para costear o forno, e ir pedir agasalho à fogueira de quem quer se acoite no telheiro. Mas logo em seguida reflete. Que qualidade de gente será? Recebê-la-ão com caridade? Um vago terror se apossa dos seus membros: pé ante pé busca afastar-se... Mas como tem as pernas e os braços regelados! Um torpor lhe paralisa os movimentos, anestesia-lhe os dedos, e pesa-lhe nas pálpebras com sonolências de chumbo. Nos campos paira um sossego terrível e perverso, em cuja abóbada se respondem os latidos dos cães, pelas malhadas. A geada branqueia o alqueve das courelas, queima os favais. E a claridade no alpendre é cada vez mais confortante, milhares de faúlhas sobem pelos ares, na fumarada da lenha úmida de oliveira, que estala e arde em flamazinhas rápidas e alegres. Ela então cede, resolvida a entrar na zona iluminada, e a pedir agasalho aos forasteiros que a anteciparam.

Chegara quase à boca do telheiro, oculta ainda por trás dum grupo de árvores, perto do rio – quando de repente estruge um grito largo, começado em surdina, e sacudido depois em frenéticas uivadas, com uma expressão de sofrer dilacerante.

Ao primeiro berro, um homem que estava acocorado por diante da fogueira, salta de golpe, e fica um instante secado, à escuta da noite, bebendo os rumores do largo, enquanto desenrola a cinta da cintura. Aquele berro, a velha conhece-o, é horrível e terno, angustioso e delicado, e toda a mulher que o solte principia esposa e acaba mãe.

Havia pois no alpendre uma parturiente a reclamar os seus cuidados. O desejo da velha era correr, mas do seu canto de sombra a pobre hesita, vendo o homem girar pelo telheiro a passos furiosos, ir, voltar, acachapar-se instantes sobre o vulto que bole lá no fundo do alpendre, em estremeções aflitos: e enfim, jurar, bramar, ordenar-lhe silêncio, prometer-lhe pancada, exasperado cada vez mais, por aquela algazarra que pode deitar tudo a perder.

Há um momento em que eles cuidam ouvir um murmúrio de rodas, afastado, talvez uma sege que passa, levando alguém à missa de Natal. Aqui a raiva do homem não conhece limites, e ei-lo corre à mulher de punho armado, prestes a dar -lhe, caso prossiga o berreiro escandaloso. Vem, com efeito, na estrada uma berlinda, com guizadas nas mulas, e vermelhidões de lanternas entre as árvores. E o homem precipita-se, enclavinha os polegares assassinos sobre a garganta da mulher.

– Calas-te ou morres!

E a sua voz surda, pequena, sacudida, humilde quase, vem explosindo e crescendo, até bravejar num rouquejo de cólera exaustinada – Cala-te, diabo, Cala-te, estafermo!

A mãe, coitada, mal pode estrangular os urros que a expulsão lhe arranca, em dores medonhas, como se trinta mãos brutais lhe estivessem arrancando as vísceras, ligamento a ligamento. Já a berlinda passa, ao trote rápido das suas quatro mulas espanholas... um ou outro corvo solta nas faias o seu grasnido estremunhado, e outra vez a paisagem fica muda, entre as brumas e as sombras, o fragor da ribeira, e a uivadados cães pelos currais. É esse o instante de a mendiga fazer um passo, abandonando o círculo da sombra, prestes a dar-se, toda cheia de celestes compaixões por essa mísera mulher que a desgraça forçou a vir parar numa ruína, sem ao menos ter a aquentá-la, como a Virgem, o hálito da vaca e da jumenta, e as solicitudes ideais do carpinteiro.

Mas tudo aquilo é rápido e fugace. Os gritos da mulher tinham cessado: lento e sinistro, o homem voltara a acocorar-se perto da fogueira, com uma expressão de campônio perverso, meia animal, meia humana, onde o brilho dos olhos punha uma sagacidade extraordinária. Ele despira a jaqueta, tem as mangas da camisola arregaçadas, as mãos sujas de sangue...

– É rapariga ou rapaz? – disse a mulher.

Ele estivera algum tempo a ligar-lhe coa cinta o ventre dolorido: não retrucou. Dera na torre da Vidigueira a meia-noite, e em Vila de Frades logo começou a tocar para a Missa do Galo. O cerraceiro morrera pelos campos, e as cumeadas do céu, azuis e vastas, refulgiam de estrelas e luar. Coisas opacas brotavam dos terrenos, formas dormentes, que pareciam vaguear nas ouvielas moles dos farrejais.

Perto, nos choupos, havia gestos de angústia e imploração; saíam vozes da água, preguiçosas e místicas como trenos, e certas troncagens tinham expressões humanas na noite, que perturbavam de morte o arregaçado.

Outra vez então aquele homem se ergueu com modos lentos, veio escutar. Os sapos tinham-se afinal calado nos algares, pairavam no sossego as asas áfonas dos mochos dando espirais de roda ao forno de tijolo. E mau grado o frio, aquela noite de Natal vinha suave, com poucas cores mas delicadas, e cambiantes de céu, que o vento, uma após outra, transmutava.

– Dá-me a criança... – disse a mulher. – Quero-lhe dar mama, não me morra de frio, a pobrezinha!

Ele tinha nas mãos o pequeno ensanguentado, que vagia de frio, conjugando os beicitos numa sucção de instinto, que devera ter feito sorrir de enternecido um outro pai. E saiu do telheiro, o pequeno pendente da manápula, o cenho torvo, o ar facinoroso.

A velha, vendo-o, estendera-lhe os braços do seu canto: e ele vagueou assim por aqui, por além, entre os troncos das faias e os silvados, atascado na lama, mas sem poder estar quieto em parte alguma, e como se pela marcha desse vazante ao frenesi mental que o devorava.

Havia à beira da água um pedregulho. Ele deteve-se. Instantaneamente a sua cara envelhecera, leques de rugas radiavam-lhe dos cantos das pálpebras, sobre a pele da testa e da faceira, e a lívida boca, agora seca, súplice quase, tinha sombras de angústia às comissuras, e convulsivos tremores nos beiços desbotados.

Mais uma vez lançou a vista ao derredor, numa suspeita atroz de o estarem vendo, e ergueu o braço, com o pequeno seguro pelos pés, como um coelho... Porém a luz do luar incomodava-o.

Tornara para trás, desalentado, furibundo consigo, e resmungando alto imprecações. Mas veio-lhe de repente uma veneta, e bruscamente, com um resfolegar de bezerro, escavacou o pequeno contra a rocha. A pancada dera na pedra um som de melancia podre, esborrachada, em surdina, baça e turgente. Foi um momento, aquilo, e todas as coisas voltaram ao êxtase hibernal de instantes antes.

O homem ainda esteve curvado um pouco de tempo, sobre os atasqueiros glácidos do rio – uma solenidade pairava ao fundo do espaço – até que afinal saiu das ervas, com o cadáver suspenso pelos pés, todo sangrento, um cadaverzinho de infante recém-nado, roliço e roxo, cuja boquinha fria de inocência, e cuja alma devera estar-se incorporando àquela hora no cortejo de eleitos, que todos os anos vem, com o menino Deus, refazer na crença dos simples a suavíssima lenda de Natal.


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Fialho de Almeida, em “O País das Uvas” (1893)
Desenho de Euclides (Revista Vamos Ler!, 18/12/1941)
Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)

Milagres do Natal (Conto natalino), por Selma Lagerlof



Milagres do Natal


Era no dia de Natal: todo o mundo partira para a igreja, menos minha avó e eu. Creio que estávamos sós em casa; não pudéramos acompanhar os outros porque eu era muito criança, e ela muito velha, e ambas estávamos muito tristes por não nos terem levado às matinas, por não nos ser possível ver os círios do Natal.

E continuando nós na mesma solidão, sentadas bem juntinho uma da outra, a avozinha começou:

...Era uma vez um homem que caminhava pela noite sombria, à procura de lenha. Ia de porta em porta, e em todas batia: “Amigos, dizia ele, ajudai-me! A minha mulher acaba de dar à luz uma criança, e preciso fogo para aquecê-las, a ela e à criança."

Mas a noite era profunda; todo o mundo dormia; ninguém lhe respondeu. O homem prosseguiu o seu caminho. De repente, percebeu uma luz que brilhava ao longe. Dirigiu-se para lá e viu que era uma fogueira acesa em pleno campo. Brancas ovelhas dormiam em torno dela, e um velho pastor acocorado guardava o rebanho.

Quando o homem que procurava lenha se aproximou das ovelhas, viu três enormes cães adormecidos aos pés do pastor. Os três despertaram ao mesmo tempo, e abriram as largas faces como para ladrar; mas nenhum som saiu delas. O homem notou que o pelo se lhes eriçava, brilhando as presas, muito brancas, à luz da fogueira. E todos três se lançaram ao homem. Um agarrou-o pela perna, o outro pela mão, e o terceiro pela garganta; mas as mandíbulas e os dentes recusaram-se a servir, e o homem não sofreu o menor dano.

Tentou, então, aproximar-se do fogo, e tomar o que lhe era necessário. Mas as ovelhas eram tão numerosas, e estavam tão apertadas umas contra as outras, que ele não conseguia abrir caminho. E foi obrigado a avançar por cima daqueles animais. E nenhum deles acordou, nem se mexeu.

Até esse ponto, eu ouvira a minha avó sem interrompê-la; mas não pude mais:

— E por que isso, avozinha? — perguntei.

— Sabê-lo-ás em breve, disse-me ela, prosseguindo.

Quando o homem alcançou a fogueira, o pastor ergueu a cabeça. Era um velho sombrio, mau, insensível para todo o mundo. Logo que viu o estranho, tomou do seu longo cajado e atirou-o contra ele. O cajado voou em linha reta sobre o homem, mas, no momento em que ia atingi-lo, desviou-se e foi aprofundar-se na terra.

Interrompi de novo a minha avozinha.

— Avozinha, por que o bastão não quis bater no homem?

Mas a querida avozinha nem sequer cuidou de responder-me, e prosseguiu:


Então o homem se aproximou do pastor e lhe disse:

— Meu amigo, ajude- me e deixe-me levar algumas lenhas. Minha mulher acaba de dar à luz um menino, e é preciso que eu a aqueça, assim como ao pequeno.

O pastor sentiu vontade de recusar, mas lembrou-se dos cães, que não tinham ladrado; das ovelhas, que não tinham fugido; do cajado, que não ousara bater, e teve um vago receio.

— Toma o que necessitares, disse ao estranho.

A fogueira ia morrendo aos poucos. Já não havia nenhuma lenha, nenhum ramo aceso. Aquilo não era mais do que um montículo de brasas, e o homem não trazia pá nem nada com que levar os carvões ardentes.

E, vendo isto, o pastor prosseguiu:

— Podes levar quanto quiseres.

E alegrava-se, pensando que o homem nada poderia levar. Mas o homem inclinou-se, separou as cinzas e levantou com as mãos nuas algumas brasas rubras, que colocou numa das pontas do seu manto. E as brasas não lhe queimaram nem as mãos, nem a roupa, e o homem levou-as, como se fossem maçãs ou nozes.

Pela terceira vez foi a contadora interrompida:

— Avozinha, por que os carvões não queriam queimar o homem?

— Vais ver, disse-me ela. E continuou:

Quando o pastor, que era um homem sombrio e insensível; viu estas coisas, entrou a meditar: Mas que noite é esta, em que os cães não mordem, as ovelhas não se assustam, o cajado se recusa a bater, o fogo não queima? Chamou o estranho e perguntou-lhe:

— Que extraordinária noite é esta, em que as próprias coisas mostram-se cheias de piedade?

O homem respondeu:

— Não posso dizer-te, se o não vês.

E pôs-se a caminho, apressado, para ir aquecer a mulher e o filho. O pastor seguiu-o, e viu que o homem não tinha nem sequer uma cabana: a mulher e o filho estavam deitados no fundo de uma gruta, cujos muros de pedra eram frios e rústicos. Teve compaixão do pequeno, e estendeu ao homem a sua pele de carneiro, para que com ela cobrisse o inocente. No mesmo instante em que dava esta prova de bondade e de caridade, abriram-se-lhe os olhos; e viu o que dantes não pudera ver, e ouviu o que não pudera ouvir. Viu a cercá-lo por todos os lados, bandos de anjos de asas prateadas. Cada um deles tinha à mão um instrumento de corda, e todos, com uma voz alta e clara, cantavam que aquela noite nascera o Redentor, vindo para salvar os homens dos seus pecados. E então o pastor compreendeu por que nem as coisas queriam fazer mal naquela noite.

Chegando ao fim da sua história, a avozinha suspirou e disse:

— Mas o que o pastor via, também nós podemos ver. Os anjos voam sob o céu todas as noites de Natal, e, vê-los, só depende de nós. Não é preciso Sol nem Lua, mas somente olhos que saibam abrir-se ao esplendor do amor!



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Autoria: Selma Lagerlof
O Malho, dezembro de 1923.
Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)