quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Canção outonal, de Paul Verlaine (Poema Traduzido)


Autor: Paul Verlaine
Tradutor Desconhecido
Revista Dom Casmurro, 18/08/1944.


                                                       Canção outonal

Os longos sons
Dos violões,
Pelo outono
Me enchem de dor
E de um langor
De abandono.

E choro quando
Ouço, ofegando,
Soar a hora,
Lembrando os dias
E as alegrias
E ais de outrora.

E vou-me ao vento
Que, num tormento,
Me transporta
De cá pra lá,
Cinto faz à
Folha Morta.



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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018)

Alegoria, de Paul Verlaine (Poema Traduzido)

Autor: Paul Verlaine
Tradutor Desconhecido
Revista Dom Casmurro, 18/08/1944.
Alegoria

Um velho templo em ruínas num outeiro
Já meio amarelado pelo outono.
Como um rei destronado chora o trono,
Mira-se n'água morta do ribeiro;

Ao pé do amial, com ramo de salgueiro.
Uma ninfa anciã, tonta de sono
Provoca um fauno, em lânguido abandono,
Que sorri, bucólico e matreiro.

Tema insípido e ingênuo que me atristas,
Que poetastro, entre todos os artistas,
Te imaginou, — que artífice mofino,

Tapeçaria desbotada e arcaica,
Como um cenário de ópera, — prosaica,
E tão factícia como o meu destino.


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Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2018