sábado, 30 de setembro de 2017

A alma (Conto), de Guerra Junqueiro


A alma

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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Mamã, nem todas as crianças que morrem vão para o Paraíso. O outro dia vi levar para o cemitério um menino que tinha morrido; o seu papá e as suas duas irmãzinhas acompanhavam o caixão, e choravam tanto que me fazia pena. Iam a chorar porque aquele menino tinha sido mau, não é verdade?

Não; naturalmente foi sempre bom, e a sua alma, enquanto choravam seus pais e suas irmãs, já estava vivendo feliz no Paraíso.

A alma? mamã; não sei o que é; não compreendo bem.

Maria, acabas de me dizer que tiveste pena de ver chorar as duas pequerruchas.

Tive sim, mamã, tive muita pena.

Ora bem, o que é que no teu corpo estava desconsolado e triste? eram os braços?

Não, mamã.

Eram as orelhas?

Oh! não mamã, era cá dentro.

Esse lá dentro, Maria, é a tua alma que se alegra ou se entristece, que te repreende quando fazes o mal, e que está satisfeita quando práticas o bem.

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