quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tirunal (Conto), de Virgílio Várzea


Tirunal

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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Maktu, o brâmane, voltava agora à sua terra natal, após haver sofrido longamente, com resignação e humildade infinita, sobre as águas desertas do oceano, no solo estranho de uma ilha longínqua, as nostalgias e amarguras pungentes dos seus doze anos de exílio.

À borda curva do junco velejando em demanda de Benares a bendita, que já vinha apontando além, pela proa, entre os penachos tremulantes dos bambuais verdíssimos, nessa manhã radiante de junho, em que o Ganges marulhava docemente, rolando as suas vagas sagradas numa magnificência de ouro e rubis — cismava ele melancolicamente numa outra manhã, também suntuosa e resplandecente assim e que já se ia apagando no fundo escuro e remoto de outros dias volvidos, na estância tumultuosa e sombria dos seus vinte anos, quando, agitado por uma alucinação e as impulsões de um delírio, com o coração despedaçado, perdido para a esposa e para a família, como um bandido sinistro, descera chorando aquelas águas, sob um clamor de maldição, esmagado por um crime.

Todo o seu ser parecia experimentar ainda, nesse instante, os estremeções e arrebatamentos que o acometeram violentamente, na tragédia horrorosa em que se ensanguentava a sua vida. Fora após uma noite tempestuosa e terrível. Desde meses que a sua alma, ferida, se comburia à chama oculta e crescente de um grande desejo de vingança. Conselheiro e confidente do Rajá, surpreendera-o um dia, voltando do Templo, num recanto isolado do paço, de joelhos e súplice aos pés da esposa adorada, a sua Damayanti florida... Com uma onda de sangue à cabeça, entontecido, vendo tudo em redor escarlate, lembrou-se logo de agarrar ali mesmo o príncipe e rebentar-lhe o crânio contra as muralhas de pedra. Mas lá estava a sentinela para impedir-lhe o plano, e, sem poder vingar-se talvez, seria preso e encerrado para sempre nos subterrâneos sombrios. Resolvera, pois, calar, sepultar tudo no fundo do seu peito ofendido, e resignadamente, sem revelar a sua grande tortura, aguardar a hora e momento para a desforra temível. Sofrera angustiosamente durante alguns dias, até que uma vez chegou em que tudo ocorreu como queria. O Rajá tinha de sair, só com ele, uma madrugada, para as Águas Sagradas, numa consagração especial do Rito. Partiram ao alvorar nevoento de um dia tristíssimo. O coração saltava-lhe no peito como num delírio. Ao sair da floresta, quando a faixa líquida das Águas Sagradas reluziu diante deles, límpida e azulada, num murmúrio cristalino, um sorriso de sangrenta alegria aflorou-lhe aos lábios febris... Daí a instantes, o Rajá desaparecia para sempre nas ondas... Sentira, então, tudo escurecer e enovelar-se-lhe em roda, e vozes estranhas, erguendo-se de súbito do nevoeiro das águas, invocarem Varuna, clamando contra a sua cabeça assassina. Deitara logo a fugir, como um louco, pela margem do rio, ao longo da imensa floresta, que farfalhava lugubremente ao vento, perseguindo-o com a zoada atroadora de infindáveis gemidos. Afinal, ao passar um arrozal vastíssimo, que se lhe afigurou fantasticamente como feito de sangue, caiu pesadamente por terra, numa exaustão de fadiga... Ao voltar a si, encontrara-se estendido sobre o convés amarelo dum grande barco, toldado de seda, que descia à vela na brisa fresca do rio, sob a manhã rutilante, de sol de ouro vivíssimo, em direção a Akiab e Puri. Os de bordo, que eram vaiscias, reconhecendo nele um brâmane, instruído nos Vedas e meditador das coisas divinas, o tinham carregado para o seu navio, certos assim de se tornarem mais gratos às boas graças de Shiva. Aí, salvo da justiça dos homens, mas sob a ira implacável de Savitar e de Mitra, pensara logo exilar-se, por doze anos, à maneira do glorioso e divino Kaunaka, que fizera sacrifício semelhante na floresta de Neimasáa, e longe de todas as festas e gozos, na viuvez da alegria, faria a sua “reabilitação de pureza”, numa ilha solitária e inóspita, no meio do mar bravio. Depois quando Varuna abrandasse, e todas as forças divinas, por essa sua humilhação voluntária e absoluto desprendimento dos humanos ruídos, vivendo só na mortificação, resignado e humilde, voltaria então à terra natal, ao remanso da família. Decerto, todos o perdoariam porque fora o primeiro a punir-se, a cumprir a sua longa expiação de martírio. Um mês após ao delito, chegara às negras ilhas de Andaman, onde os homens o deixaram, sobre um alto costão pedregoso, batido do mar hostil. Todos os castigos desceram então sobre ele, numa sucessão de inenarráveis angústias. E ali ia agora, triste e alquebrado, em demanda de Benares a bendita.

Assim cismava Maktu, o brâmane, à borda curva do junco, vendo desenhar-se vagamente, ao longe, por entre a basta verdura, as cúpulas altas dos templos, recortando a rendilhada brancura na pureza gloriosa do céu azul da Índia. A vela larga e redonda bojava vitoriosa à brisa, que aromava o ar, impregnada ainda de um vago perfume de canela e sândalo, trazido dos bosques vigorosos que cobrem os planaltos extensos e as encostas verdejantes de Monghir. Toda a planura azulada do rio, em volta ao casco esguio do junco, estava cheia de apanhados de espuma, que balançavam, ondulando e quebrando-se uns sobre os outros, em murmúrios cristalinos. E pelas margens, ao longe, o reflexo sereno dos recantos de águas remansosas, onde a aragem do largo não levava um arrepio, deixando ressaltar aos olhos esses espelhamentos de vidro das grandes toalhas líquidas, que retratam magicamente as paisagens e os céus, com a nitidez e o encanto dos esmaltes de Kingtetchin. Ao dobrar dum pontal arenoso, onde a maré não subira ainda e onde os crocodilos dormiam estendidos ao sol, o grande templo de Jagrenat apareceu, de repente, num alto, faiscando sobre as águas trêmulas do rio.

Em volta de Maktu, então, no convés boleado de junco, coalhado de peregrinos, vindos de todos os pontos do litoral de Bengala e do Bramaputra, para a festa de Tirunal, que se realizava naquela tarde, em Benares a bendita — um coro imenso de vozes irrompeu do espaço, implorativo e gemente, entoando o misterioso oum. Ante esse cântico tristíssimo da liturgia védica, que diz tão serena e nebulosamente toda a resignação e doçura das almas que findam no traspasse imaterial e sutil para a Essência Infinita — o brâmane voltou-se de repente, como arrancado, de um golpe, ao seu vago sonambulismo; e, de joelhos contra a amurada, em silêncio mas fervorosamente, como se estivesse prostrado aos pés do grande Ídolo, os seus lábios longamente tremeram, a desfiar as orações do rito...

Quando tudo cessou, Maktu ergueu-se vagarosamente e de novo caiu em meditação, sob a vela, na borda, junto às enxárcias esguias.

Agora, o seu pensamento se embrenhava pelos dias dourados e límpidos de sua infância, de sua mocidade feliz. Nascera em Bohar e, aos cinco anos, logo que tomara mekala, o cordão misterioso que os brâmanes cingem para nunca mais o deixarem, conforme o ritual, fora, em companhia de um dos gurus que iniciam nos Vedas, para uma aldeia branca do Djennah, aninhada numa encosta florida, junto às terras de Dehli. A casa que habitavam, toda cercada de rosas em meio às emanações das florestas em torno, era alegre como um ninho sob o esplendor do Azul. Aí é que entrara a instruir-se nos Livros Sagrados, praticando as orações do oum, as oblações, as libações e os hinos. Esse tempo, porém, ficara-lhe vagamente no espírito, sem emoções quase e sem cor, como envolto numa remota manhã de neblina. Só pelos nove anos, quando já estava para voltar à família, é que tudo começou a surgir a seus olhos, sensacionalmente, com certa nitidez e com brilho. O que mais o encantara então em Djennah, nessa quadra fugitiva, fora a magnificência incomparável da imensa paisagem. E jamais se lhe apagara da memória o espetáculo admirável das neves perpétuas do Kaltchin, rutilando inefavelmente à tarde sob o ouro do crepúsculo, e os roseirais infinitos, de inebriante fragrância, manchando de ocre as colinas, tão iluminadas nos poentes como nas manhãs de sol vivo! Completara os dez anos em caminho do lar, numa barca, em plenas águas marulhosas do rio. À noite, sob uma lua de lírio, na barranca, os marinheiros fizeram uma fogueira, e colocando-o sobre um tronco caído, queimando aromas do Indo, romperam em cânticos, correndo e saltando as altas chamas vermelhas, que o vento torcia. Na casa paterna, ao chegar, foi uma festa ruidosa de rezas com fogos de artifício. Passado um ano, teve de partir de novo para longe dos seus, cruzando desertos e montes, a fim de completar as instruções do culto com os sábios Maharkis. Quando regressou, já iniciado e conhecedor dos Vedas, fixou-se em Benares a bendita, onde, conforme os usos, lhe ordenaram o casamento. Este realizou-se por um grande amor, com uma virgem lindíssima e de olhos cor de amora, Damayanti, a das tranças magníficas. À cerimônia nupcial sentira-se como numa imensa alegria e quase não pudera conter o coração, cheio de graça divina, ao receber a bênção, quando o sacerdote lançou sobre eles, cobrindo-os, o largo pano de ouro do culto, e ambos trocaram, com os olhos em choro, numa só emoção, em folhas verdes de palmeira, o juramento sagrado da fidelidade infinita. Como fora venturoso então! Mas depois, com o decorrer dos anos... Ah! a desventura e o abandono das boas graças de Rama! E tudo por causa daquele Rajá maldito!...

Um momento, a fronte serena e ampla de Maktu enturvou-se, cobrindo-se de dolorosos ríctus, e de seus olhos tristes, cheios de uma luz de saudade, as lágrimas rolaram numa onda silenciosa de angústias.

Nesse instante, a embarcação ia entrando a grande curva do Ganges, onde se estadeava Benares a bendita, resplandecendo pelos seus templos e pela sua vasta casaria. Outra vez, então, os peregrinos e a marinhagem alegre do junco entoaram, em coro, as plangentes orações rituais a divino Jagrenat.

Quando todos saltaram, aos primeiros desbotamentos saudosos da tarde, a vetusta cidade indiana, toda em júbilo, apertava-se já nos ruidosos vaivens de uma enorme multidão. Desde o longo cais de pedra as casas estavam todas enfeitadas, pelas cimalhas e janelas, com largos cobrejões de listas, cujas franjas de ouro tremulavam ao vento. As ruas, inundadas de folhagens e arcos triunfais de flores e bambus, por onde deslizava e chocava-se, continuamente, com um rumor de rio cheio, aquela densa população do Oriente, nas suas roupagens faustosas — davam a ideia hilariante e festiva de um imenso carnaval. E, a espaços, uma gritaria infrene de devoção ingente, atroava os ares, contrastando vivamente com a serenidade luminosa que pairava no alto, lá acima, naquele céu doce o aveludado da Índia.

Cabisbaixo, o coração dilacerado, o espírito oprimido, numa desolação sob o tumulto doloroso das recordações que o pungiam, Maktu enfiou, ao acaso, na primeira rua que encontrou, aos empurrões, às guinadas, por entre as vagas colossais da multidão. De repente, quase sem saber como, no desembocar da rua, apresentou-se-lhe aos olhos, deslumbradoramente, a vasta praça de Chah — Limar, a dos grandes jardins. Todo o âmbito, que é enorme, em redor das corbelhas de folhas e dos espessos maciços floridos, estava acunhado de povo, que, voltado para um alto onde reluzia o grande templo de Jagrenat, tomando todo um lado do Céu com a sua grande cúpula de esmalte — rompia, de instante a instante, numa explosão de gritos! No perímetro do templo, contornando um elevado pavilhão quadrado, que se erguia a um flanco entre palmeiras reais — os peregrinos e devotos apertavam-se numa massa compacta, sobre o enorme átrio, às escaleiras de pedra e pelos mirantes, terraços e cimalhas da casaria próxima, cujas paredes desapareciam de todo debaixo dos tufos multicores dos cobrejões de seda. Era o santuário de Tirunal, a Coluna de Luz, em cujo ápice de pedraria se entronava já, poderosamente, para o giro procissional, formidável e fantástico, o terrível Jagrenat. E de toda a parte, ainda, a multidão fluía, rumorosamente, sobre Chah — Limar...

À sombra duma corbelha que olhava o Templo, Maktu estacou, ofegante, e erguendo humildemente os olhos, os braços cruzados no peito, em êxtase e adoração, ficou a rezar mentalmente, com profundo recolhimento, a litania védica dos que vêm de muito longe, do exílio, depois de uma ausência de anos, e que tem a plangência duma prece e a doçura duma saudação. Depois recaiu mudamente na espiritualidade melancólica das recordações, sob cuja claridade interior pouco a pouco surgia um perfil delicado e saudoso de mulher, que se ia acentuando docemente na imagem querida de Damayanti, a esposa adorada, que o Rajá tentara poluir, um dia, nos jardins do seu palácio. E, num desfalecimento, os lábios brancos, os olhos mareados de pranto, pregados no frontal radiante do Templo, deixou sair de seu peito oprimido esta queixa dolorosa:

— Oh Varuna, escuta as minhas preces, compadece-te das minhas dores! Que te fiz eu, servo humilde e obscuro, para merecer tamanho castigo?... É verdade que o meu crime foi grande, porém maior é a chaga da minh’alma que sangra!... Maior é esta cruel expiação!... Socorre-me e ampara-me, na tua onipotente e infinita bondade, ó celeste, ó poderoso e sacrossanto Varuna!...

Enquanto assim falava, despercebido e anônimo em meio à multidão, um clamor mais forte e maior, como o de um mar em tormenta, elevou-se, de envolta com inúmeros assobios silvantes, evocando o tumulto reboante dessas antigas, remotíssimas migrações arianas, que atravessavam outrora, em busca de outros rumos e de outros destinos, os desertos adustos e as florestas seculares do Irã.

Era o carro colossal de Jagrenat, que apontava à porta do imenso pavilhão quadrado.

O seio denso do povo fendeu-se logo em abertas que descobriam o chão, e grossas cordas estenderam-se, cobertas de seda vermelha e fios de ouro luminosos, para o tiro glorioso do deus triunfante. E a pesada torre extraordinária entrou a rolar para a praça, aos solavancos, vagarosamente, ao som mavioso dum coro de baiadeiras, que dançavam e rodavam em rápidas deslocações, onde os corpos flexíveis desapareciam quase, deixando no ar, vagamente, o disco alígero e sutil das saias esvoaçantes.

A multidão, agora, apertava-se para todos os lados, abrindo alas à marcha vitoriosa do Ídolo, rodando por entre gritos silvantes sobre a folhagem do solo, de onde se desprendia, aromando o ambiente, um cheiro acre à canela, à laranjeira e a sândalo.

À sombra da corbelha, de pé, no mesmo lugar onde parara a orar, Maktu olhava melancolicamente o imenso desfilar, e de seus lábios descorados e mudos nova prece fluiu docemente...

Nesse instante, a alta torre fulgurante estacara. As quatro faces amplíssimas, elevando-se a muitos metros de altura, estavam crivadas de incrustações e baixos relevos, representando na maior parte figuras grosseiras e brutas de elefantes, por entre versículos complicados de inscrições rituais, talhados em caracteres estranhos e indecifráveis. E acima do largo capitel em ornatos, o horrível Jagrenat, sentado sobre as pernas raquíticas e olhando o umbigo, com um manto de seda escarlate ondulando-lhe às costas, os longos braços dourados, cobertos de ramos de lótus, a vasta cara rugosa toda pintada a nanquim e a larga boca vermelha, de beiços revirados, sinistramente aberta na exibição dos dentes formidáveis.

Quando a marcha recomeçou, ao rouco estalar dos hinos que os sacerdotes cantavam, por entre os apertos da multidão fanática, apinhando-se ruidosamente por detrás de Jagrenat, Maktu avançou desfiando ainda mentalmente as orações cultuais.

À frente do carro, onde se acumulavam os devotos da Guarda Sagrada que vão agitando os frescos ramos de flores e as verdes palmas triunfais, irrompeu então a orquestração alucinadora dos gritos e ais dessa pobre gente da Índia, que tem a adoração do Nirvana, e que, para agradar ao seu Ídolo, num furor de devoção heroica, busca a morte loucamente sob as rodas esmagadoras da coluna sagrada.

Todos, no préstito, iam pisando num charco morno de sangue, a que se misturavam esquírolas de ossos partidos e postas de carne triturada, no imenso lamaçal horroroso da hecatombe humana. E quem olhasse para trás, para os lados do Templo, agora vazio e deserto, num silêncio de abandono, veria desoladamente, como através de um pesadelo, descendo o átrio e prolongando-se por Chah — Limar e ruas adjacentes, sobre o chão cheio de folhas, uma sinistra, tortuosa via láctea de sangue...

Ao dobrar uma rua longínqua, de onde se avistava uma volta azulada do Ganges, resplandecendo já friamente sob o esmorecer do crepúsculo, Maktu, que tomara a frente do cortejo, cada vez mais soturno e sombrio teve de repente um grito de espanto, ao divisar, adiante, caminhando impetuosamente para o carro, um vulto triste de mulher, em cujo rosto macerado reconheceu Damayante. E, num relance, vendo que ela se ia precipitar sob as rodas, animado subitamente pela mesma ideia atravessando-lhe o espírito como um relâmpago, atirou-se ao seu encontro, apertando o coração.

Ela o reconheceu, num terror, toda trêmula, como diante de uma aparição, e balbuciando o salve! acolhedor e bendito de um cântico, caiu-lhe entre os braços, bradando:

— Maktu! Maktu! de onde vens?... Ah! que longa e dolorosa ausência! Como eu sinto bater-me o coração!... Vamos, enlacemo-nos para sempre, agora, aos pés de Jagrenat triunfante... Morramos juntos... Eu já vejo para além ir-se abrindo o Nirvana... Morramos... Prolonguemos até Varuna a delícia incomparável deste supremo instante!...

Ele, desvairado, numa estranha emoção, apertava-a, apertava-a docemente, e, com os tristes olhos afogados em pranto, os lábios a tremerem, ia murmurando atordoadamente as gloriosas orações do oum. Depois, prorrompeu com ânsia:

— Sim, adorada Damayanti! Morramos! Acabemos de uma vez com esta desventura, tamanha... Entoemos a Varuna nosso cântico derradeiro... E voemos para além, para o silêncio infinito do supremo descanso!...

E, loucamente, numa extraordinária sofreguidão de morrer, arrebatou Damayanti, atirando-se vertiginosamente com ela sob as rodas esmagantes...

Tirunal, então, a torre sagrada dos brâmanes, teve um forte solavanco. E continuou a rolar, lenta e esmagadoramente, enchendo com o seu vulto colossal e sinistro todo um lado do céu, manchado agora, a oeste, de longas barras de sangue.

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