sábado, 19 de janeiro de 2019

Finalmente (Emilianas)



Finalmente


Emílio de Menezes encontrou uma vez na Avenida um amigo que não via desde algum tempo. O homem estava de preto e fumo no chapéu.

— Que é isso? disse o Emílio, compondo o semblante. Luto? por quem?

— Por minha sogra.

— Ah sim.

— Ela adoeceu em São Paulo, e lá estivemos até a semana passada, quando ela faleceu. E foi bom eu tê-lo encontrado. Mandei preparar-lhe um mausoléu e preciso de uma inscrição apropriada. Quero que você me arranje. Não quero coisa longa. Bastam poucas palavras mas expressivas.

— Então basta uma palavra — disse o Emílio.

— Qual?

— “Finalmente!”


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Revista Careta,  26 de junho de 1920.
Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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