sábado, 12 de janeiro de 2019

Muito vence quem se vence (Trovas, 1925)


Muito vence quem se vence
(1925)

Muito vence quem se vence,
Muito diz quem não diz tudo,
Ao que é discreto pertence
A tempo fazer-se mudo.

Eu amava-te menina...
Se não fora um “senão”:
Seres pia d'água benta
Onde todos põem a mão.

São Pedro disse-me um dia:
Casa Ricardo se queres,
Mas para o céu vem sozinho,
Que eu fecho a porta às mulheres.

Trago junto ao coração,
Duas escamas de peixe,
Uma me diz que te ame,
Outra me diz que te deixe.

No dia em que me disseres
Uma só verdadezinha,
Hão de nascer sete dentes,
No bico de uma galinha.

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