sábado, 12 de janeiro de 2019

Poesia Popular (Trovas, 1939)


Poesia Popular
(1939)

As galinhas e as muié
não se deixa passear:
as galinhas bicho come,
as muié dão que falar...

A cachaça é meu parente,
o vinho meu primo-irmão,
e não há função alguma
que meus parentes não vão.

Da Baía me mandaram
um presente com seu molho:
a costela de uma pulga,
o coração de um piolho.

Diga aos moços e às moças,
casamento é coisa fina;
o que pensa não se casa,
o que casa não magina.

A galinha dorme em poleiro,
o pato dorme no chão,
o pobre dorme na esteira,
o rico dorme em colchão.

A pulga me deu um tapa,
o piolho um bofetão,
depois foram se gabar
que me botaram no chão...

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