domingo, 12 de fevereiro de 2012

Amor aos 113 anos



Amor aos 113 anos

Em uma de suas deliciosas crônicas, escrita em 15 de julho de 1876, o escritor Machado de Assis conta o caso de um casal cearense, cujo marido, com 113 anos de idade nutria grande ciúme da mulher, que orçava pelos 104 anos de idade: “Que um homem de 113 anos tenha ciúmes, concebe-se; não é vulgar, mas pode-se admitir. Agora, que uma mulher de 104 os inspire, esse é, na verdade, um dos prodígios do século e do país”. Tal casal, segundo o cronista, estava unido há 80 anos. Leiam bem: há 80 anos!

Andei pensando neste caso e não pude concluir que se tratava de um fenômeno próprio do Ceará. Que me provem o contrário os cearenses! A minha conclusão, embora grosseira e vulgar para alguns, há de fazer algum sentido para outros. Vejo nesse episódio um vívido indício daquilo que se poderia denominar de “verdadeiro amor”. Vá lá com suas melosidades, dirá alguém! E vou...

Sim, porque o lídimo amor, contam-nos os romances, não deixa de existir com passar dos anos. A cronologia é desconhecida para os que amam. Não falo, é óbvio, de amor do tipo “cartão de crédito”, tão comum em nosso século e que pode ser exemplificado pelo próprio Machado de Assis na personagem Marcela de “Memória Póstumas de Brás Cubas”: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”.

É isso!

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Por:
Iba Mendes (2005)

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