sábado, 25 de fevereiro de 2012

No horizonte que não vejo...


No horizonte que não vejo...

No horizonte que não vejo,
Vejo você,Seu rosto enrugado,
Sua pele flácida,
Suas nádegas lânguidas,
Suas pernas bambas,
Seus cabelos ralos...

No horizonte que não vejo,

Vejo você,
Seu olhar distante,
Seus passos lentos,
Sua voz cansada,
Seu lote de Viagra,
Sua mão calejada...

No horizonte que não vejo,

Vejo você,
Seus netos gritando,
Sua paciência exaurida,
Seu corpo fatigado,
Sua garganta seca,
Sua tosse que não passa...

No horizonte que não vejo,

Vejo você,
Suas noites mal dormidas,
Sua Bíblia aberta,
Sua menopausa,
Seu bico-de-papagaio,

Seu colesterol alto...

No horizonte que não vejo,

Vejo a mim,
Com meu rosto enrugado,
Com minha pele flácida,
Com minhas nádegas lânguidas,
Com minhas pernas bambas
Dando milho aos pombos...


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Por:
Iba Mendes (fevereiro de 2012)

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