quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Uma vingança (Conto), de Visconde de Taunay


Uma vingança

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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I

Num baile – já pouca gente; muitas cadeiras vazias.

Ela, sentada, um tanto abatida, identificada com o enfado e a fadiga de uma festa a acabar, a ouvir como por favor e com ar de sensível amuo e impaciente condescendência um homem no vigor dos anos a falar, ardente, arrebatado, numa grande agitação, sombrio, desconfiado, mas sóbrio nos gestos a conter-se calculadamente – ambos longe, bem longe daquele ambiente de alegrias e despreocupação, hostis um com o outro.

— Precisava, observava ele, explicar-me com toda a liberdade. Desde que cheguei do Rio da Prata, não achei uma única ocasião. Verdade é que a senhora tem feito estudo especial para não me consentir o menor ensejo. Isto não pode continuar assim; prefiro então romper de uma boa vez. Declaremo-nos logo inimigos irreconciliáveis.

— Pois fale; diga o que tem, o que de mim deseja.

— Aqui? Agora?

— Por que não? Onde quereria que fosse?

Esboçou Sofia Dias um movimento de displicência e incredulidade.

Inclinando-se para ela, lembrou então Mário Campos, com vos soturna e emocionada, cenas do passado e passado bem próximo ainda – meses quando muito – a sua posição de homem casado, e bem casado uns bons pares de anos, ante as seduções e inexplicáveis faceirices, quase facilidades de moça formosa e solteira. Tanto fizera – oh! escusado era querer protestar; a sociedade toda havia sido testemunha e sabia ser justa – que afinal perdera ele a cabeça, e lhe consagrara paixão cega, invencível, de inaudita violência. Mera vítima ou não do artifício e dolo, durante não pouco tempo se supusera deveras amado. Rico, feliz, esposo de uma mulher bondosa, bonita e terna, de repente se sentira, sob o influxo daquele sentimento novo insuflado com raro talento sugestivo, o ente mais desgraçado do mundo, avassalado irremediavelmente por influência que zombara de todo os seus planos e tentativas de resistência. Que fazer então da vida, longa, tão longa naquele horrível desencontro! Como readquirir a felicidade perdida para todo sempre?

— Oh! interrompeu ela irritada e sardônica, há tantos modos de ser feliz...

Podia ser, sobretudo para aqueles que não calculavam o enlace dos atos e palavras. E por falar em palavras... certa noite, por exemplo, numa volta de bonde do Jardim Botânico, ao luar, dissera-lhe ela uma frase, que lhe havia calado no espírito para nunca mais de lá sair. Fixara-se-lhe dentro d’alma com letras de fogo, que a cada momento do dia e da noite lhe luziam ante os olhos deslumbrados. Não se lembrava?

— Não; respondeu Sofia com sinceridade e algum assombro. Que poderia eu ter dito tão terrível e sinistro? Não me mete medo.

Quis sorrir; mas o sorriso pairou-lhe indeciso, frouxo, à flor dos lábios, desses sorrisos chamados amarelos.

Tivesse ela ou não medido o efeito, houvesse ou não sido mais uma simples leviandade, a sua boca a proferia, lembrasse-se bem do seu dito: “Ah! se você fosse livre!”

— Ora, protestou Sofia, empalidecendo seu tanto, uma hipótese...

E agora não estava ele livre, bem livre? Que significava, nessa nova situação o seu inopinado retraimento? Por que se mostrava ele tão esquiva, tão indiferente dos tempos de outrora, decorridos apenas seis meses empregados nessa indispensável – e apoiava no vocábulo – viagem ao Rio da Prata? Quando supunha encontrá-la vibrante de amor e saudades como ele, quando julgava alcançar a felicidade almejada a que tinha feito jus – oh! sim, tudo, tudo empenhara para consegui-la – aí a achava radicalmente mudada, outra, de todo outra! Por quê? De que servira então aquele ano de ardente afeto, pelo menos assim acreditara, de tamanhas promessas e juras? Não teria ele sido senão mero joguete de passageiro capricho, pretexto para ensaiar simples armas de namoradeira?

Sofia Dias mostrava-se cada vez mais impaciente. Fez até gesto de quem ia levantar-se.

Por que se dera toda aquela comédia? A sua infeliz mulher alvo de tantos remoques, motivo de contínuos reparos e críticas, exposta a incessante ridículo, até se lhe tornar positivamente insuportável. Não tinha gosto, não sabia vestir-se, escolher chapéus; inúmeras setas farpadas, envenenadas, na sua mal ferida vaidade de marido. Meros gracejos? Brinquedos de um coração mau, ardiloso, cruel, insensível? Oh! tomasse tento, aquela hora era decisiva. Passada ela, tentaria vingança tremenda; era de raça dos que não perdoavam.

E, ofegante, numa frase curta, dura, contava episódios até da infância, em que se afirmara a irresistível disposição ao desforço, violento por qualquer ofensa ou injúria recebida. Sua mãe lhe dissera um dia: “Menino, você com este gênio há de acabar mal!” Quem sabia se o horóscopo não se ia realizar. Uma coisa lhe jurava. Alguém havia de pagar. Não se adiantara tanto, para ficar, perante todos, como triste símbolo de irrisão e escárnio, menosprezo e miséria.

E os seus olhos chamejavam, dolorosa crispação dos lábios lhe erguia o canto da boca. De longe, parecia estar sorrindo, todo entregue a animada, ainda que banal, conversa de baile.

Sofia o ouvia com expressão de extremo cansaço. Afinal rompeu o Silêncio.

Confessava que a ele assistia alguma razão. Andara mal, concordava; solteira e pretendida por não poucos, não devera nunca ter alimentado um sentimento reprovável, que não tinha razão de ser. Saíra do seu papel natural e pagava as culpas da leviandade, sempre amarga. Naquele tempo não media as consequências de uns olhares mais quebrados e imprudentes e os efeitos perigosos de qualquer namorozinho. Aquilo lhe serviria de lição. Fora, aliás, bem sincera na hora em que pronunciara aquelas palavras, sem contudo lhes dar maior significação. Aludira, com real pesar, a coisa irreparável e contra a qual não havia lutar. E fora essa convicção que, pouco a pouco, lhe abrira os olhos, desviando-a do caminho errado que seguira. Não diz o provérbio que o que não tem remédio, remediado está? Na ausência dele, Mário, tanto lhe girara no pensamento essa verdade, que afinal pudera dominar-se. Quem, aliás, havia de imaginar, que tão cedo a pobre D. Beatriz sairia deste mundo, desligando com o seu desaparecimento laços que deviam ser eternos? Nisso o Barroso pleiteara a sua mão e ele não achara motivos para o repelir, bem parecido, inteligente, em bela posição política, ministro talvez breve; que dizer contra esse candidato?

— E você o ama, Sofia? Perguntou a custo, arquejante, o mal-aventurado Mário.

— Amá-lo, não, mas enfim gosto dele, não há dúvida. Creio que sou refratária a paixões violentas, arrebatadas. É outro o meu gênero...

— Sim observou Mário, ludibriar aqueles a quem prende na rede dos seus olhares fatais. Sofia deu um muxoxozinho:

— Bom, temos melodrama...

Amiudadas vezes passava o moço o lenço pelo rosto, limpando gotas de frigido suor.

Insistia, porém.

Por que deixar de realizar o que era tão natural, uma vez apartado o único obstáculo que se interpusera entre os dois? Porventura, valia ele menos do que esse intruso, o tal Barroso? Era, decerto, um pouco mais velho; mas tinha por si a precedência. Ninguém estranharia aquele casamento com quem tanta corda lhe dera numa época em que não deveriam ter sido aceitas as suas assiduidades. Culpa tivera ela, induzindo em erro tanta gente.

Sofia ensaiou um gracejo e com tom de remoque: — Para nós, solteiras, o senhor... você tem um grave defeito: é viúvo.

Pelos olhos de Mário relampejou um raio de ódio e ferocidade tão visível e intenso, que a moça estremeceu. Com os dentes apertados sibilou a resposta:

— Quem me fez viúvo, ouviu? Não tem o direito de me atirar isto em rosto, compreende?

E o seu olhar torvo, dardejante, desvairado, buscava ir ao íntimo de Sofia, explicando-lhe talvez mistérios terríveis, possibilidades de apavorar, completando a confissão confusamente bosquejada.

Por instintiva defesa fechou-se a moça, fazendo poderoso esforço para conservar-se calma, serena, alheia e superior a qualquer conivência, por longe que fosse.

Via-se subitamente envolvida em tenebrosas complicações, ameaçada de perigos de que nunca pudera cogitar, e cujo alcance não lhe era dado medir; tudo isso vago, indefinido na mente conturbada.

Ao mesmo tempo surgia-lhe medo imenso, incoercível, daquele homem, cruel alvoroço por toda ela, penosas explicações, arrependimento indizível da sua leviandade e inconsideração, levada só e só pela ânsia das homenagens, viessem de onde viessem, o gosto de dominar e ser requestada.

Continuava Mário Campos ameaçador.

Tudo caminhava para a tragédia; assim pressentia. Quando quisesse ter mão em si, havia de ser tarde. Avisava...

— Então, interrompeu Sofia fingindo indiferença, temos agora intimidação? Quer levar-me pelo terror?

Ele, de súbito, muito manso e cordato, sem transição, pedia perdão dos seus arrebatamentos. Prometia ser brando como um cordeiro. Queria só o que lhe parecia justiça. Implorava se preciso fosse, compaixão, misericórdia. Tivesse Sofia pena da sua desgraça, de que fora a causa. Contara tanto com o seu amor, a sua lealdade, e agora... Que é que o esperava neste mundo, se se visse repelido, enxotado, quando arquitetara toda a existência numa base única, indispensável, aquele casamento. Para o tornar possível, não recuara diante de consideração alguma. Tudo, tudo antepusera a isso-tudo, tudo, estivesse certa.

 E recomeçavam as reticências, as alusões vagas, mal indicadas, que deixavam Sofia toda fria, — não poderia dizer como, com verdadeiros calafrios pelo dorso, desses que, no dizer do povo, anunciam o esvoaçar da morte por perto.

Então, prosseguia Mário, de nada valiam provas do que existira entre eles?

— Que provas? Protestou altiva e surpresa a moça.

— Ora, as murmurações e o reparo da sociedade, durante mais de ano.

Sofia levantou os ombros com desdém.

— E as suas cartas, ardentes, incendiarias. Ah! mostrá-las-ei ao mundo inteiro, a todos, a esse Barroso do inferno...

— Fora indigno da sua parte. O cavalheirismo...

Cavalheirismo? Replicava Mário Campos impetuoso, cheio de fel e ironia, quando tudo lhe tiravam, lhe arrancavam, lhe roubavam?! Depois do que lhe sucedia, não era, não podia ser um homem como qualquer outro. Havia de tomar o seu desforço do modo que melhor lhe aprouvesse, como um vilão, um miserável, uma fera. Dependia dela. Dos seus lábios estava suspensa a sua vida. Não lhe diria jamais tudo; mas a morte pairava sobre ambos...

— Sofia, Sofia! Implorava o mísero.

A moça, porém, abanava implacável a cabeça, pálida, os olhos sem fulgor, meio cerrados, inquietos, mas enérgica, de tensão firme, inabalável.

— Não, não; não é mais possível...

Nisto um cavalheiro veio lembrar-lhe o compromisso de uma valsa.

— Tenho certo escrúpulo, disse ele um tanto malicioso, de interrompê-los; conversavam tão animados...

— O Sr. Mário Campos, replicou Sofia com toda a naturalidade, estava me contando a sua viagem ao Rio da Prata... bem interessante.

E lá se foi ela envolvida nos lânguidos eflúvios de cadenciada e vaporosa música.


II 

Que existência a do desprezado Mário Campos!

Pareceu-lhe aquilo, a princípio, um sonho, um pesadelo, esse tremendo e inopinado capricho de loureira a perturbar-lhe todos os planos e cálculos e a exasperar-lhe a paixão por modo inacreditável.

Fez ainda algumas tentativas, procurou encontros, entrevistas; mas achou todas as portas fechadas, as vasas cortadas, esbarrando com uma resolução tão valente e decidida como a sua. Empenhava-se Sofia em mostrar-se de posse do maior sangue-frio; e a sociedade, curiosa e atenta, observava aquela espécie de duelo travado repentinamente entre dois entes, que, pouco antes, tanto lhe dera que falar em sentido bem diverso.

Caiu depois o moço em profundo abatimento. Tudo se lhe afigurou perdido, a mesma natureza em vésperas de definitiva destruição, apesar dos rutilantes esplendores dos mais formosos e festivos dias. Encerrado em casa semanas e semanas, nessa casa cheia de conforto e luxo em que não soubera dar o devido apreço à suave afeição da perdida esposa, reconcentrava-se num desespero medonho, tétrico; a sós com os mais negros pensamentos. Não lograva um momento de sossego, e, para conciliar uma ou duas horas de acabrunhado torpor, tinha que recorrer, após noites de absoluta insônia, a elevadas doses de morfina.

Aí emergiu-lhe das mais fundas entranhas ódio imenso, aquela mulher, e com ele sede ardente incontentável, de estrepitosa vindicta. Ah! sim, queria, precisava por força vingar-se, mas de modo único, nunca visto, inexcedível, nem sequer imaginado. E tornou-se-lhe prazer exclusivo procurar que desforço seria esse, capaz, só em ideá-lo, de lhe aplacar um pouco tamanhas ânsias, fogo tão devorador e indomável.

Matá-la-ia sem vacilar; oh, sim! mas como fazê-la sofrer mil mortes, numa agonia intérmina, à maneira dessas aves de rapina, cruentíssimos açores, que, por instinto infernal, dilaceram as vítimas membro a membro, pedaço por pedaço, lenta e quase cientificamente, poupando com cautela os órgãos essenciais à vida, a fim de se saciarem, dia a dia, de carne sempre sangrenta e palpitante?

Mataria, oh, sim! aquele homem... Tudo isso, porém, não fora tão banal? Que valia esse rival de ocasião? Eliminado da cena, outro o substituiria sem demora. Por tão pouco não se abate nem recua a perfídia da mulher. Para que, aliás, essa supressão de vida? Em muitos casos não é um favor a morte? Não representa a cessação da dor, do sofrimento, da vergonha? Por ela não suspirava ele, como supremo bem? Sim, também tinha que morrer. No perpassar de todas as odientas combinações, intolerável se lhe afigurava continuar a existir. Reservava essa tortura para Sofia; mas como transmudar tamanha concessão em martírio constante, em angustias sem nome, em indizível suplício, calcando para sempre nos pés o seu orgulho, conspurcando-a perante a sociedade toda, arrastando-a com eterno labéu, imprimindo-lhe na fronte sinal de inapagável ferrete? Como?

Comparava os tempos anteriores ao amaldiçoado amor com tudo quanto ocorrera, uma vez ateada a criminosa e já tão flagiciada paixão. E a lembrança da esposa, tão boa em sua discreta feição, o enchia de pavor. Fugia de aprofundar consigo mesmo o incerto mistério... aquela janela aberta por noite frigidíssima, em Buenos— Aires, ela a dormir fraca dos pulmões, presa então de perigosa bronquite... depois a pneumonia dupla... as vascas de terrível agonia num estreito quarto de hotel... Que momentos agora tão claros à sua memória... Parecia os estar vendo; bastava fechar os olhos. A pobrezinha, resinada, quase a sorrir, enquanto as lágrimas lhe rolavam silenciosas pelas faces, apertando a mão assassina, implorando proteção contra a morte que chegava... ele, com o pensamento fixo no Rio de Janeiro, ardendo de impaciência, brutalizando-a, doido por ver tudo acabado, concluso, findo, espreitando, espiando o último estertor, o derradeiro suspiro, a convulsão suprema, que ia desatar as cadeias do abominado cativeiro... Que indigna contraposição! De um lado tanta pureza e resignação; do outro tamanha maldade, tão satânica e baixa ferocidade. E para que o monstruoso atentado? Dele agora emergiam obrigatoriamente outros crimes, novas infâmias.

Sentia-se condenado. Justiça inteira havia de ser feita e pela própria mão. Era ponto decidido, indiscutível já no seu espírito. Ficaria, porém, impune a causa de tantos males? Impossível! Para benefício de todos, cumpria esmagar ente tão pernicioso, inutilizar de vez encantos tão perigosos e letais.

E parafusava, sem se lhe deparar nada que apaziguasse um tanto as iras exasperadas, em fremente ebulição. Depois... serenou. Mostrou-se por toda a parte altivo, calmo e indiferente. Tornou a frequentar teatros e lugares, falando no próximo enlace de Sofia com desembaraço e naturalidade, aplaudindo-o até. Declarou-se curado de mal entendidas e pueris veleidades. Chegou a cumprimentar a moça e, uma feita que se encontrou cara a cara com ela apertou-lhe a mão sem nenhum constrangimento ou perturbação.

A vários amigos falou em próxima partida para terras longínquas, e às rodas habituais levou um todo, senão risonho, pelo manos de tranquila e digna compostura.

Publicaram-se então os primeiros proclamas do casamento de Lúcio Barroso com Sofia Dias, a qual se supunha afinal livre de qualquer complicação, toda radiante de alegria e felicidade, cada vez mais formosa, faceira e sedutora, nos lábios sempre róseo sorriso sobre nacarados dentes, boca úmida e apetitosa de tentar um santo.

Numa bela manhã, sobressaltou-se a cidade em peso. Acabara de suicidar-se com um tiro de revólver Mário Campos.

Sem declarar o motivo desse ato, recomendava que dessem imediata publicidade e pronta execução ao testamento por ele depositado, dias antes, no cartório do tabelião Mateus.

Nesse documento, feito de acordo com as mais restritas formalidades, distribuía vários donativos a institutos de caridade e legava alguns bens a parentes de sua mulher. Terminava, porém, pelas seguintes e terríveis palavras, que causaram escândalo enorme, ecoando por todos os cantos da capital:

“Eternamente grato a não poucas provas de afeição e condescendência, deixo os remanescentes, que calculo em 200 contos de réis, à minha amante D. Sofia Dias, devendo esse legado transmitir-se em qualquer tempo à sucessão legítima ou ilegítima, verificada em regra a filiação. Caso não seja a quantia reclamada logo, entregar-se-ão anualmente os juros à Misericórdia.”

Dentro, duas cartas da imprudente moça, que se prestavam a muitas interpretações.

No meio da indignação geral, do profundo abalo de uns, revoltado pasmo de outros, da pungente ironia dos maldizentes e da compungida piedade dos bondosos, rompeu Lúcio Barroso com estrondo o casamento; e a mal-aventurada Sofia, salteada de febre cerebral, por largas semanas esteve entre a vida e a morte.

Rumorejou-se as possibilidades de melindrosa justificação perante os tribunais; mas, afinal, a família toda, mãe e duas filhas menores, depois de meses e meses de sumiço, partiu para a Europa. Nunca mais se ouviu falar, se não vagamente, em Sofia Dias; parece que por lá se casara.

Ainda não foi até hoje levantada a ominosa herança... Quem nos diz, que será sempre repelido o maldito e infamante legado?


Assim seja!

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