terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Formiga e a Neve (Conto), de Adolfo Coelho


A Formiga e a Neve

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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Uma formiga prendeu o pé na neve.

Ó neve, tu és tão forte que o meu pé prendes!

Responde a neve:

Tão forte sou eu que o Sol me derrete.

Ó Sol, tu és tão forte que derretes a neve que o meu pé prende!

Responde o Sol:

Tão forte sou eu que a parede me impede.

Ó parede, tu és tão forte que impedes o Sol, que derrete a neve, que o meu pé prende!

Responde a parede:

Tão forte sou eu que o rato me fura.

Ó rato, tu és tão forte que furas a parede, que impede o Sol, que derrete a neve, que o meu pé prende!

Responde o rato:

Tão forte sou eu que o gato me come.

Ó gato, tu és tão forte que comes o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o gato:

Tão forte sou eu que o cão me morde.

Ó cão, tu és tão forte que mordes o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o cão:

Tão forte sou eu que o pau me bate.

Ó pau, tu és tão forte que bates no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o pau:

Tão forte sou eu que o lume me queima.

Ó lume, tu és tão forte que queimas o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!
Responde o lume:

Tão forte sou eu que a água me apaga.

Ó água, tu és tão forte que apagas o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde a água:

Tão forte sou eu que o boi me bebe.

Ó boi, tu és tão forte que bebes a água, que apaga o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o boi:

Tão forte sou eu que o carniceiro me mata.

Ó carniceiro, tu és tão forte que matas o boi, que bebe a água, que apaga o lume, que queima o pau, que bate no cão, que morde o gato, que come o rato, que fura a parede, que impede o Sol, que derrete a neve que o meu pé prende!

Responde o carniceiro:

Tão forte sou eu que a morte me leva.

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