sábado, 25 de novembro de 2017

Rocha, o guerreiro (Conto), de Lima Barreto


Rocha, o guerreiro
 
Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)

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Este Rocha, quando nasceu, os pais levaram-lhe à pia com o intuito de que ele fosse general. Ele era descendente de gente brava que se tinha batido valentemente nos campos do Paraguai.

Quiseram meter-lhe na Escola Militar, mas não houve meio de Rocha aprender aritmética. A mãe, como ele dizia ter vocação militar e ser neto ou bisneto do barão de Jacutinga, herói da guerra do Paraguai, resolveu requerer-lhe praça, a fim de ser reconhecido cadete.

Rocha era medroso que nem um jacu; e quando foi metido num regimento da Quinta da Boa Vista, ao primeiro trote, pôs-se a chorar.

Queixou-se ao capitão de sua companhia, a quem pediu licença para escrever à sua velha mãe. O capitão, atendendo que ele não tinha nenhuma enfibratura para a vida militar, consentiu.

A velha veio, e ele, mal ela chegou, disse-lhe:

— Mamãe, quero mamar.

Está aí em que deu o general futuro — o Rocha das Arábias.

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