domingo, 18 de março de 2018

História da Literatura: Os prosistas portugueses (Ensaio), de José Veríssimo


Os prosistas portugueses
Extraído do Livro "História da Literatura Brasileira", publicado no ano de 1916. Pesquisa, transcrição e atualização ortográfica: Iba Mendes (2018)
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A prosa portuguesa chamada, não se sabe ao certo por que, de clássica é do século XVI. Não são, porém, dessa era, mas da seguinte, os seus mais acabados modelos. Apreciada sem os comuns preconceitos do casticismo, verifica-se não atingiu ainda então a expressão cabal e perfeita de um pensamento que por largo e humano merecesse viver.
Desde o século anterior, o sentimento português com as suas especiais qualidades exprimiu-se em magníficas formas poéticas que iniciavam o peculiar lirismo nacional e entravam a dar à poesia portuguesa a sua distinção. Quiçá essa raça sentimental e poética carecia de um pensamento tão particular quanto o era o seu sentimento. Não se lhe encontra a expressão na prosa. O seu foi aliás sempre mesquinho e de repetição. Faltou-lhe imaginação criadora, poder de generalização, faculdades filosóficas. A prosa, a linguagem apropriada ao revelar ficou-lhe em todo o tempo inferior à poesia. Mesmo no período apelidado áureo da literatura portuguesa, a prosa vacilou entre o "estilo metafísico bárbaro dos rudes escritores do século XV", segundo a qualificação de Herculano, e o falso polimento culto do século XVII. Sincretizam-se as duas feições ainda nos melhores escritores dessa época, deparam-se-nos ambas sem grande esforço de procura nos mais afamados.
No Brasil, desde que se começou a escrever prosa a que já possamos chamar de literária, foram justamente os defeitos dessa prosa portuguesa, a dureza e simultaneamente o amaneirado do frasear, o inchado e o retorcido da expressão, com o sacrifício intencional da sua correnteza e naturalidade, que predominaram. Quando aqui se começou a fazer prosa, a feição dominante da portuguesa era o gongorismo, o hipérbaton, as construções arrevesadas e rebuscadas, os trocadilhos. Um estilo presumidamente poético ou eloquente, mas de fato apenas túmido e enfático. Era esse o estilo culto do qual o padre Vieira, inconsciente de que era por muito o seu, dizia, praticando-o na sua mesma censura: "Este desventurado estilo de que hoje se usa, os que o querem honrar chamam-lhe culto, e os que o condenam chamam-lhe escuro, mas ainda lhe fazem muita honra. O estilo culto não é escuro, é negro boçal e muito cerrado." Se tal era ainda nos melhores escritores da Metrópole e estilo literário da época em que se começou a escrever no Brasil, que podia ele ser na grossa colônia nascente?
Do século XVI escrito no Brasil, se não por brasileiro nato, por brasileiro adotivo, nacionalizado por longa residência no país e enraizamento nele por família aqui constituída e bens aqui adquiridos, só nos resta um livro, o Tratado descritivo do Brasil, por Gabriel Soares de Sousa, terminado em 1587. Nem pelo estímulo que o originou, nem pelo seu propósito, nem pelo estilo é o livro de Gabriel Soares obra literária. Era, como diríamos hoje, um memorial de concessão apresentado ao Governo, como justificativa dos favores que para a sua empresa de exploração do país lhe pedia o autor. A obra, porém, lhe excedeu o propósito. Deu a este memorial desusada extensão e uma amplitude que o fez abranger a história e a geografia, no seu mais largo sentido, da grande colônia americana então sob o domínio espanhol. A sinceridade da sua longa, minuciosa e exata informação não chegam a prejudicar-lhe os gabos e encarecimentos da terra, que no forasteiro aclimado reveem uma viva e tocante afeição ao seu exótico país de adoção, onde passara da pobreza à abastança, a que consagrara o melhor da sua existência e atividade, onde amara e fora amado, fizera família e iria morrer na busca aventurosa e dura das suas riquezas nativas. Podíamos portanto adotá-lo por nosso se acaso este simpático feitio de sua obra não revisse também o propósito de empreiteiro de facilitar-se a mercê impetrada, justificando-a sobejamente com a notícia interesseira da terra que se propunha a explorar.
Como não era um letrado e a sua "tenção, conforme declara, não foi escrever história que deleitasse com estilo e boa linguagem", e não esperava "tirar louvor desta escritura", saiu-lhe a obra, embora rude de feitura e pouco castigada de linguagem, menos eivada dos vícios literários do tempo, e, por virtude do próprio assunto, muito mais interessante e proveitosa ainda hoje do que a maior parte das que então mais classicamente se escreviam, sermonários, vidas de santos, crônicas de reis, de príncipes e magnatas, livros de devoção e milagrices.
Nunca publicada antes que o fizesse sem ainda lhe saber o autor, em 1825, a Academia Real das Ciências de Lisboa, a obra de Gabriel Soares, sem embargo de inédita, não passou desapercebida aos curiosos do seu objeto, imediatos ou posteriores ao inteligente e laborioso reinol. Se a não compulsou o nosso primeiro cronista nacional, Frei Vicente do Salvador, conheceram-na e versaram-na o clássico autor dos Diálogos de vária história, Pedro de Mariz, Jaboatão, o perluxo cronista franciscano, Simão de Vasconcelos, o não menos difuso e não menos gongórico cronista jesuíta, o bom autor da Corografia brasileira, Aires de Casal, e depois, mas ainda em antes dela impressa, outros historiadores e noticiadores do Brasil, Roberto Southey, Ferdinand Denis, Martius. As numerosas cópias manuscritas (Varnhagen dá notícia de vinte) que sem embargo do seu volume (de mais de trezentas páginas impressas in 8º) desta obra se fizeram, indicam que se permaneceu inédita não foi porque a houvessem por desinteressante ou somenos. Somente o suspicaz ciúme com que a metrópole evitava a divulgação das suas colônias pode explicar assim ter permanecido obra de tanta valia.
Gabriel Soares de Sousa, nascido em Portugal pelos anos de 1540, veio para o Brasil pelos de 1565 a 1569. Na Bahia estabeleceu-se como colono agrícola. Ali casou e prosperou a ponto de nos dezessete anos de estada se fazer senhor de um engenho de açúcar, e abastado, como do seu testamento se depreende. Ganhando com a fortuna posição, foi dos homens bons da terra e vereador da Câmara do Salvador. Um irmão seu que, parece, o precedera no Brasil havia feito explorações no sertão de São Francisco, onde presumira haver descoberto minas preciosas. Falecido ele, quis Gabriel Soares prosseguir as suas explorações e descobrimentos. Com este propósito passou à Europa em 1584, a fim de solicitar da Corte da Madri autorização e favores para o seu empreendimento de procura e exploração de tais minas. Por justificar os seus projetos e requerimentos, e angariar-se a boa vontade dos que podiam fazer-lhe as graças pedidas, nomeadamente do Ministro D. Cristóvão de Moura, redigiu nos quatro anos de 1584 a 1587 o longo memorial, como ele próprio lhe chamou, que conservado inédito até o século passado, foi nele publicado sob títulos diferentes, o qual constitui uma verdadeira enciclopédia do Brasil à data da sua composição.
Gabriel Soares, sujeito de bom nascimento se não fidalgo de linhagem, suficientemente instruído, sobreinteligente, era curioso de observar e saber, e excelente observador como revela o seu livro. Embora determinado por uma necessidade de momento, não foi este composto de improviso e de memória. Para o redigir serviu-se, como declara, das "muitas lembranças por escrito" que nos dezessete anos da sua residência no Brasil fez do que lhe pareceu digno de nota. Obtidas as concessões e favores requeridos, nomeado capitão-mor e governador da conquista que fizesse e das minas que descobrisse, partiu para o Brasil em 1591, com uma expedição de trezentos e sessenta colonos e quatro frades. Malogrou-se-lhe completamente a empresa, pois não só naufragou nas costas de Sergipe mas depois veio, com o resto da expedição que conseguira salvar do naufrágio e reconstituíra na Bahia, a perecer nos sertões pelos quais se internara. Seus ossos, mais tarde trazidos para a Bahia, foram e se acham sepultados na capela-mor da igreja do mosteiro de São Bento, tendo sobre a lápide que os recobre o epitáfio: "Aqui jaz um pecador" segundo o disposto no seu testamento. Deste documento induz-se que era homem abastado, devoto, nimiamente cuidadoso da salvação da sua alma, mediante esmolas, obras pias, missas e quejandos recursos que aos católicos se deparam para o conseguir.
Não é propriamente a obra de Gabriel Soares literária, nem pela inspiração, nem pelo propósito, nem pelo estilo. Só o é no sentido, por assim dizer material, da palavra literatura. O estilo é, como pertinentemente mostrou Varnhagen, aliás achando-lhe encanto que lhe não conseguimos descobrir rude, primitivo e pouco castigado, mas em suma menos viciado dos defeitos dos somenos escritores contemporâneos, mais desartificioso do que o começavam a usar os seus coevos, como de homem que não fazia literatura e não cuidava de imitar os que a faziam.
É grande, porém, o mérito especial dessa obra. Varnhagen se o encareceu não o exagerou demasiado escrevendo, ele que mais do que ninguém a estudou e conheceu: "Como corógrafo o mesmo é seguir o roteiro de Soares que o de Pimentel ou de Roussin; em topografia ninguém melhor do que ele se ocupou da Bahia; como fitólogo faltam-lhe naturalmente os princípios da ciência botânica; mas Dioscórides ou Plínio não explicam melhor as plantas do velho mundo que Soares as do novo, que desejava fazer conhecidas. A obra contemporânea que o jesuíta José de Acosta publicou em Sevilha em 1590, com o título de História natural e moral das Índias e que tanta celebridade chegou a adquirir, bem que pela forma e assuntos se possa comparar à de Soares, é-lhe muito inferior quanto à originalidade e cópia de doutrina. O mesmo dizemos das de Francisco Lopes de Câmara e de Gonçalo Fernandez de Oviedo. O grande Azara, com o talento natural que todos lhe reconhecem, não tratou instintivamente, no fim do século passado, da zoologia austro-americana melhor que o seu predecessor português; e numa etnografia geral de povos bárbaros, nenhumas páginas poderão ter mais cabida pelo que respeita ao Brasil, o que nos legou o senhor do engenho das vizinhanças de Jequiriçá. Causa pasmo como a atenção de um só homem pôde ocupar-se em tantas coisas "que juntas se veem raramente", como as que se contêm na sua obra, que trata a um tempo, em relação ao Brasil, de geografia, de história, de topografia, de hidrografia, de agricultura entretrópica, de horticultura brasileira, de matéria médica indígena em todos os seus ramos e até de mineralogia". Não é excessivo este juízo, e quem o emitia tinha competência para o fazer.
Um outro português, o padre Jesuíta Fernão Cardim, que também viveu no Brasil, deixou dois escritos de pouco tomo, pelos quais tem sido, a meu ver impertinentemente, incluído na história da nossa literatura como um dos seus primitivos escritores. Menores são ainda que os de Gabriel Soares os seus títulos a pertencer à nossa literatura. O a todos os respeitos mais considerável e melhor dos seus dois escritos são duas cartas que desde o Brasil endereçou ao Provincial da Companhia em Portugal, recontando-lhe, miudamente, e de modo verdadeiramente interessante, uma viagem de inspeção jesuítica por algumas de nossas capitanias. Varnhagen, que as descobriu, publicou-as em 1847 com o título factício de Narrativa epistolar de uma viagem e missão jesuítica pela Bahia, Ilhéus, Porto Seguro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, etc., desde o ano de 1583 ao de 1590. Embora documento interessantíssimo para o estudo das missões jesuíticas e da mesma vida colonial no primeiro século, não tem a obra de Fernão Cardim, se obra se lhe pode chamar, o interesse bem mais geral, a importância e a valia da de Gabriel Soares. A sua inclusão na nossa literatura é tão legítima como o seria a de toda a correspondência jesuítica daqui desde Nóbrega até o padre Antônio Vieira, e ainda além. No desenvolvimento da nossa literatura não teve esta de Fernão Cardim sequer a parte que é lícito atribuir à de Gabriel Soares, pelo que desta aproveitaram os posteriores autores brasileiros.
Outro escrito que se lhe imputa com fundados motivos mas sem absoluta certeza é a monografia, como lhe chamaríamos hoje, Do princípio e origem dos índios do Brasil e dos seus costumes, adorações e cerimônias, título também factício.
Pertence a esta primeira fase da literatura colonial e a mesma sorte destes, o curioso escrito Diálogos das grandezas do Brasil, descobertos e divulgados por Varnhagen.
Ignora-se-lhe ainda hoje o autor. Ao invés do que primeiramente supôs Varnhagen, que o atribuiu a brasileiro, nomeadamente a Bento Teixeira, o poeta da Prosopopeia, deve de tê-lo escrito em português. Mas um português, como tantos aqui houve, e dos quais é Gabriel Soares ótimo exemplar, naturalizado por longo estabelecimento na terra, afeiçoado a ela, identificado com ela, a ponto de tomar-lhe calorosamente a defesa contra um patrício recém-chegado e de exagerar-lhe as excelências como um zeloso patriota. Quem quer que fosse, era homem instruído, grande conhecedor do Brasil, simpaticamente curioso dos seus aspectos naturais e sociais e de todas as exóticas feições da nova terra. Instruído, esclarecido e judicioso, as suas muitas observações sobre a administração, os hábitos, a economia e mais faces do país, são geralmente bem feitas e acertadas. Algumas surpreendem-nos pela agudeza e perspicácia. Tais são, em 1618, apenas passado um século do descobrimento e não acabado ainda o da colonização, os seus reparos da indolência, indiferença e índole afidalgada dos moradores do Brasil que tudo fiavam do escravo, escusando-se ao trabalho. Mais notável é ainda que tenha desde então verificado a influência civilizadora da América na Europa, ou ao menos no europeu, para cá imigrado e aqui tornado, graças à riqueza adquirida e à sua indistinção de classes, de rústico em policiado. Realmente a parte da América na civilização, na polícia, como diziam os nossos clássicos, e escreve o autor dos Diálogos das grandezas, é muito maior do que se não pensa. São milhões os europeus que tendo para ela vindo de todo broncos, grosseiramente trajados, sem nenhuns hábitos de asseio, conforto ou civilidade, e com as manhas inerentes à sua miserável posição na mãe pátria, logram com a fortuna crescer de situação e emparelhar com as melhores classes americanas. Destas tomam estilos de vida, imitadas por elas das melhores da Europa, das quais acolá os preconceitos de casta, aqui desconhecidos, os traziam afastados. A transformação começada pelo que podemos chamar o hábito externo se completa pelo convívio dessas classes, cujo comércio lhes é facilitado pela fortuna e posição aqui facilmente adquiridas. Muitíssimos além desta educação indireta, a fazem formalmente frequentando as nossas escolas ou particularmente tomando mestres, o que lhes seria muito mais difícil nos seus países de origem. E a América restitui à Europa desbastados da sua grosseria originária, limpos, no rigor da expressão, civilizados, polidos, com o melhor feitio físico e social, milhões de sujeitos que lhe vêm boçais e crassos. Devolve-lhe cavalheiro quem lhe chegou labrego. É admirável que este fato interessantíssimo não tenha escapado ao perspicaz observador dos Diálogos das grandezas, que, notando-o, do mesmo passo o atesta aqui desde o começo do século XVII. "O Brasil é praça do mundo, assenta-se ele, se não fazemos agravo a algum reino ou cidade em lhe darmos tal nome, e juntamente academia pública, onde se aprende com muita facilidade toda a polícia, bom modo de falar, honra dos termos de cortesia, saber bem negociar e outros atributos desta qualidade". E como seu interlocutor lhe retorquisse que não devia de ser assim, e antes pelo contrário, pois o Brasil se povoara primeiramente com "degradados e gente de mau vier" e por conseguinte pouco político, pois carecendo de nobreza lhe faltava necessariamente a polícia, Brandônio, pseudônimo com que se disfarça o autor, retruca-lhe: "Nisso não há dúvida, mas deveis saber que esses povoadores, que primeiramente vieram povoar o Brasil, a poucos lanços pela largueza da terra, deram em ser ricos, e com a riqueza foram largando de si a ruim natureza, de que as necessidades e pobrezas que padeciam no Reino os faziam usar, e os filhos de tais já entronizados com a mesma riqueza e governo da terra despiram a pele velha, como cobra, usando em tudo de honradíssimos termos com se ajuntarem a isso o haverem vindo depois a este Estado muitos homens nobilíssimos e fidalgas, os quais casaram nele e se liaram em parentesco com os da terra, em forma que se há feito entre todos uma mistura de sangue assaz nobres. Então como neste Brasil concorrem de todas as partes diversas condições de gente a comerciar, e este comércio o tratam com os naturais da terra, que geralmente são dotados de muita habilidade, ou por natureza do clima, ou do bom céu de que gozam, tomam dos estrangeiros tudo o que acham bom, de que fazem excelente conserva para a seu tempo usarem dela."
Literariamente estes Diálogos, sem serem romance ou novela, são uma ficção, a primeira escrita no Brasil. O processo de diálogos, já o notou Varnhagen, estava então em moda em Portugal, para a exposição de ideias e noções de ordem moral, política ou econômica. São principalmente desta ordem as que intenta divulgar o autor deste, com o propósito manifesto de propaganda, como hoje diríamos, do Brasil, por um português que laços diversos de interesse e amor apegariam à terra, da qual fala carinhosamente. Pela língua e estilo, embora não sejam nem uma nem outro primorosos, são estes Diálogos o que melhor nos legou a escrita portuguesa no Brasil nesta primeira fase da produção literária aqui. Por ambos é de um quinhentista que, justamente por não ser um literato, não trazia ainda a eiva do século literário que começava. Escrevendo, com interesse e amor, de coisas novas, inéditas, bem conhecidas suas, fê-lo com maior objetividade, inteligência e simpleza do que era comum em livros portugueses contemporâneos. E, ao menos para nós brasileiros, mais interessantemente. Em nenhum outro sobre o Brasil e aqui escrito na mesma época ou ainda imediatamente depois, se encontram tantos testemunhos de mestiçagem que aqui se começava a operar, e já ia mesmo relativamente adiantada, da comunhão das gentes diversas que neste país se encontraram. E como ao cabo é tal mestiçagem, não só fisiológica senão psicológica também, que distinguirá o grupo brasileiro, dar-lhe-á feição própria e atuará a sua expressão literária, são os Diálogos das grandezas um estimável subsídio da nossa história literária.


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Imagens:
Biblioteca Nacional Digital do Brasil
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