sábado, 19 de janeiro de 2019

À milanesa (Emilianas)



À milanesa


Em uma cervejaria de São Paulo, cujo soalho, como era de praxe nós estabelecimentos do gênero,  achava-se coberto de serragem, bebiam Emílio de Menezes e alguns amigos, quando um conhecido engenheiro, falando de arte, começou a louvar Florença, e a influência dos florentinos na Renascença. No auge, porém, do entusiasmo, pôs-se de pé, afastou a cadeira, e, ao tentar sentar-se de novo, projetou-se de costas no chão. Levantou-se sujo de serragem e quis insistir.

— Sim, é aos florentinos que devemos todo esse patrimônio artístico...

— Homem, — interveio Emílio de Menezes, — deixa os florentinos...

E limpando-lhe a serragem:

— Tu agora estás “à milanesa”...


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Careta, nº 1822, ano XXXV, 29 de maio de 1943.
Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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