Teias de aranha
Fiscal de uma casa de penhores,
Emílio de Menezes ia uma vez por mês ao Banco receber os magros vencimentos do
cargo. E, ao entrar ali, encontrava sempre um indivíduo obsequioso, que chorava
as suas misérias, as suas moléstias, a sua fome, até que lhe arrancava uma cédula
de cinco mil réis. Certa vez o faquista foi mas longe nas suas lamentações:
— O senhor não imagina — gemia, —
o que eu tenho passado. Basta dizer-lhe que há quinze dias não como nada!
— Que, homem? — espantou-se e o poeta.
E para os funcionários:
— Este camarada com certeza já
está com teias de aranha na garganta!...
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Revista Careta, 7 de agosto de 1943.
Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)
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