sábado, 12 de janeiro de 2019

As flores (Trovas, 1929)


As flores
(1929)

As rosas é que são belas
São os espinhos que picam,
Mas são as rosas que caem
São os espinhos que ficam.

Cravo, não bulas com a rosa,
Deixa a rosa na roseira,
Tu bem sabes que é pecado
Bulir com moça solteira.

A folhinha do alecrim
Cheira mal quando pisada,
Há muita gente que é assim,
Mais ama se desprezada.

Se a perpétua cheirasse
Era a rainha das flores,
Como perpétua não cheira
Perpétua não tem amores.

Eu sou como a flor da murta
Daquela que cai no chão,
Quanto mais carinhos faço
Mais desenganos me dão.

Quatro flores no meu peito
Fizeram sociedade,
Sempre viva, amor perfeito,
Martírio roxo e saudade.

Sou como a hera que sobe
Se acha muro de feição,
Mas quando o muro se acaba
Prendem os rumos para o chão.

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