sábado, 12 de janeiro de 2019

Cantiga Popular (Trovas, 1928)


Cantiga Popular
(1928)

Quem se condói do meu fado
Vê bem como agora eu ando:
De noite sempre acordado,
De dia sempre sonhando.

O amor perturbou-me tanto
Que este contraste deploro:
Querendo chorar — eu canto,
Querendo cantar — eu choro.

Sujeito à lei de pesares,
Não sei se morro ou se vivo;
Senhor dos outros olhares,
Só do teu fiquei cativo.

Por isso a verdade nua
Este tormento contém:
Minh’alma não sendo tua
Não será de mais ninguém.
ALBERTO NEPOMUCENO

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