sábado, 12 de janeiro de 2019

Se me não sabes amar... (Trovas, 1926)


Se me não sabes amar...
(1926)

Se me não sabes amar,
Andas chorando por mim:
Sou cego de amor, bem sei;
Mas vejo da estrada o fim.

Segue-me de olhos fechados,
Que a estrada é toda de luz!
Quanta vez se encontra um cego,
Que um outro cego conduz!

Brilha a lua solitária,
Do espaço na imensidão;
Assim a chama do amor
Arde no meu coração.

Mas, entre ambas, há diferença,
Que um simples olhar indica:
É que a lua segue e passa,
E o amor é firme e fica.

Tem amor escola aberta
De desenganos formais,
Onde os amantes aprendem
Coisas... sabidas demais.

Contudo, por mais que aprendam,
Seguindo o curso, a preceito,
Ninguém tirou até hoje
Do estudo nenhum proveito.

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