sábado, 12 de janeiro de 2019

Colchete de ouro (Trovas, 1924)


Colchete de ouro
(1924)

Toma lá colchete de ouro,
Aperta teu coletinho;
Coração que é de nós ambos;
Deve andar conchegadinho.

Esta palavra saudade...
Aquele que a inventou,
A primeira vez que a disse;
Com certeza que chorou.

Os teus seios são dois ninhos,
Muitos brancos, muito novos,
E os meus beijos passarinhos
Mortinhos por porem ovos.

Se queres meu coração,
Hás de ir ao fundo do mar;
Que eu não sou concha de praia
Que se apanha a passear.

Lá vem o nosso patrão,
Com seu chapéu desabado;
Quem é que não trocaria
Por ele o seu namorado?

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