sábado, 12 de janeiro de 2019

Teus olhos (Trovas, 1923)


Teus olhos
*(1923)*

Tens olhos, contas escuras,
São duas Ave Marias,
De um rosário de amarguras
Que eu rezo todos os dias.

Teus olhos de luz tão calma,
Brilhantes, meigos e lindos,
Desejos arrendem n’alma
De beijos longos, infindos!

Teus olhos, safiras belas,
Fonte de amor que seduz,
São como pingos de estrelas,
Como dois pingos de luz!

Têm o brilho das estrelas
E o fulgor de arrebóis;
Quem me dera com dois beijos
Apagar tão lindos sóis...

Olhos meigos e lhanos
Por quem suspiros arranco,
São dois negros africanos
Escravos de um rosto branco!

À porta do Infinito
A traços largos, profundos,
A mão de Deus tinha escrito;
“Os teus olhos são dois mundos!”

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