domingo, 20 de janeiro de 2019

Pescoço de burro (Emilianas)


Pescoço de burro

Conta-se que Emílio de Menezes, achando-se um dia entediado com a vida da capital do Rio de Janeiro, abalou-se para um arraial do interior.

No Carmo alugou uma besta de passeio, a qual tinha um pescoço de agigantadas dimensões. Quando ia passando montado no seu animal em frente da farmácia do local, ouviu o farmacêutico dizer aos amigos.

— Que espécie de animal será aquele?

Um dos circunstantes, que não conhecia o Emílio, querendo divertir-se-á sua custa, dirigiu-se a ele e perguntou:

— Ó moço, você vende meio metro de pescoço de burro?

O Emílio parou, olhou, desceu vagarosamente do animal e, erguendo-lhe a cauda, respondeu:

— Tenha a bondade de entrar para o estabelecimento. Não tenho por costume vender a fazenda na rua.


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Revista D. Quixote,  29 de abril de 1925.

Pesquisa e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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