quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Trovas Ciganas (1897)


Trovas Ciganas
 (1897)

A flor de minha esperança
Expandiu perfume santo,
Hoje triste se retrata
No lago que faz meu pranto.

Da vida os primeiros passos,
Quando eles são errados,
Deixam sinais indeléveis,
Que sempre serão chorados.

Por muito que o infeliz
Contra os males se previna,
Há de passar por aqueles
Que lhe marcou sua sina.

Não sei como ainda um sorriso
Pôde encontrar expressão
Nos lábios de um desgraçado,
Quando é morto o coração.

Há uma espécie de plantas
Que vingam sem ter raízes:
Assim são certos sorrisos
Nos lábios dos infelizes.

 Os meus amores perdidos
Que em minh'alma se criaram,
Fazem hoje meu martírio
Nas lembranças que deixaram.

Ai daqueles que perderam
Seu primeiro e santo amor,
Pois nas próprias distrações
Agravarão sua dor!

Os meus sorrisos perdidos,
Os meus prazeres de outrora,
Quem me dera tê-los, hoje,
Sabendo o que eu sei agora!

Dizem que as almas não morrem,
São imortais... não têm fim...
A minha faz exceção:
Está morta dentro de mim!

Até no pranto sou pobre
Porque não posso chorar,
Mas eu sei porque me falta,
É para não aliviar.

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