terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O machado perdido (Conto), de Leon Tolstoi


O machado perdido

Um camponês deixou cair o machado no rio, e, de tristeza pôs-se a chorar.

O espírito das águas, ouviu-lhe o pranto, teve pena e levou-lhe um machado de ouro, perguntando-lhe:

— É este o teu machado?

— Não, não é este, respondeu o camponês.

O espírito das águas mostrou-lhe um outro de prata.

— Não é este também — disse ainda o pobre homem.

Então o espírito das águas trouxe-lhe o que tinha deixado cair.

— É este — disse por fim o camponês.

Para recompensá-lo pela sinceridade com que procedera, o espírito das águas presenteou-o com os dois machadinhos: o de ouro e o de prata.

De volta a sua casa o camponês relatou sua aventura aos camaradas.

Um deles teve a ideia de imitá-lo: foi à beira do rio, deixou cair o machado e pôs-se a chorar.

O espírito das águas apresentou-lhe um machado de ouro e perguntou-lhe:

— É este o teu machado?

O camponês, muito contente, respondeu:

— Sim, sim, e justamente o meu.

O espírito das águas, para puni-lo da mentira não lhe deu o de ouro nem o de aço que se ficou enferrujando no fundo das águas.

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O Monitor, 28 de junho de 1909.

Pesquisa, transcrição e adaptação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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