sábado, 8 de junho de 2019

Chapeuzinho Vermelho (Fábula), de Charles Perrault



Chapeuzinho Vermelho

Era uma vez uma menina que vivia numa aldeia; era a coisa mais linda que se podia imaginar. Sua mãe era louca por ela, e a avó mais louca ainda. A boa velhinha mandou fazer para ela um chapeuzinho vermelho, e esse chapéu assentou-lhe tão bem que a menina passou a ser chamada por todo mundo de Chapeuzinho Vermelho.

Um dia, tendo feito alguns bolos, sua mãe disse-lhe:

— Vá ver como está passando a sua avó, pois fiquei sabendo que ela está um pouco adoentada. Leve-lhe um bolo e este potezinho da manteiga.

Chapeuzinho Vermelho partiu logo para a casa da avó, que morava numa aldeia vizinha. Ao atravessar a floresta, ela encontrou o senhor Lobo, que ficou louco de vontade de comê-la; não ousou fazer isso, porém, por causa da presença de alguns lenhadores na floresta. Perguntou a ela aonde ia, e a pobre menina, que ignorava ser perigoso parar para conversar com um lobo, respondeu:

— Vou à casa da minha avó, para levar-lhe um bolo e um potezinho de manteiga que mamãe mandou.

— Ela mora muito longe? — quis saber o Lobo.

— Mora, sim! — falou Chapeuzinho Vermelho. 

Mora depois daquele moinho que se avista lá longe, muito longe, na primeira casa da aldeia.

— Muito bem — disse o Lobo. — Eu também vou visitá-la. Eu sigo por este caminho aqui, e você por aquele lá. Vamos ver quem chega primeiro.

O Lobo saiu correndo a toda velocidade pelo caminho mais curto, enquanto a menina seguia pelo caminho mais longo, distraindo-se a colher avelãs, a correr atrás das borboletas e a fazer um buquê com as florzinhas que ia encontrando.

O Lobo não levou muito tempo para chegar à casa da avó. Ele bate: toc, toc.

— Quem é? — pergunta a avó.

— É a sua neta, Chapeuzinho Vermelho — falou o Lobo, disfarçando a voz. — Trouxe para a senhora um bolo e um potezinho de manteiga, que minha mãe mandou.

A boa avozinha, que estava acamada porque não se sentia muito bem, gritou-lhe:

— Levante a aldrava, que o ferrolho sobe.

O Lobo fez isso e a porta se abriu. Ele lançou-se sobre a boa mulher e a devorou num segundo, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e se deitou na cama da avó, à espera de Chapeuzinho Vermelho. Passado algum tempo ela bateu à porta: toc, toc.

— Quem é?

Chapeuzinho Vermelho, ao ouvir a voz grossa do Lobo, a princípio, ficou com medo; mas, supondo que a avó estivesse rouca, respondeu:

— É sua neta, Chapeuzinho Vermelho, que traz para a senhora um bolo e um potezinho de manteiga, que mamãe mandou.

O Lobo gritou-lhe, adoçando um pouco a voz:

— Levante a aldrava, que o ferrolho sobe. Chapeuzinho Vermelho fez isso e a porta se abriu.

O Lobo, vendo-a entrar, disse-lhe, escondido sob as cobertas:

— Ponha o bolo e o potezinho de manteiga sobre a arca e venha deitar aqui comigo.

Chapeuzinho Vermelho despiu-se e se meteu na cama, onde ficou muito admirada ao ver como a avó estava esquisita, em seu traje de dormir. Disse a ela:

— Vovó, como são grandes os seus braços!

— É para melhor te abraçar, minha filha!

— Vovó, como são grandes as suas pernas!

— É para poder correr melhor, minha netinha!

— Vovó, como são grandes as suas orelhas!

— É para ouvir melhor, netinha!

— Vovó, como são grandes os seus dentes!

— É para te comer!

E assim dizendo, o malvado lobo se atirou sobre Chapeuzinho Vermelho e a comeu.


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Fonte:
"Contos tradicionais, fábulas, lendas e mitos": Ministério da Educação - Fundescola - Projeto Nordeste - Secretaria de Ensino Fundamental. Brasília, 2000 - Volume 2. (A imagem que acompanha o texto, não se inclui na referida obra).

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