segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

"A Casa Branca", de Saint-Germain



Poema: "A Casa Branca"
Autor: Saint-Germain
Tradutor: Joaquim Serra
Ano: 1868
Revisão ortográfica: Iba Mendes (2020)


A CASA BRANCA
(SAINT-GERMAIN)

Há uma casa branca junto ao bosque,
Casa branca de verdes persianas,
Nas grades da janela se emaranham,
Misturadas com as rosas, as lianas.

Eu não posso louvar a arquitetura
Dessa casa já velha e em ruína,
Mas, no estado em que está, eu não a troco
Pela Santa-Capela ou a Sistina!

Não é bela essa casa, hoje deserta,
Mas minha alma a povoa de lembranças;
Ela foi testemunha de meus prantos
E martírios e doces esperanças.

De sofrer e amar compõe-se a vida:
Do prazer já gozado ou que se goza;
Quando o presente é triste, vai a mente
No passado colher a flor saudosa!

Inda creio que vejo a mão alvíssima,
Da janela as cortinas levantando,
Atirar-me furtiva algumas flores,
Que eu guardava de amor quase chorando!

Quantas coisas diziam-me essas flores,
No seu mudo falar que eu entendia!
Um adeus, ou perdão eu lia nesta,
Uma entrevista aquela prometia.

E depois!... e depois no meu caminho,
Muitas flores eu tenho contemplado,
Que^ com o falso do brilho e do perfume,
Têm minha alma de dores torturado!

Voltei ao antigo asilo —  era em-minas,
As flores trepadeiras e as lianas
Encobriam o gradil da casa branca,
Casa branca de verdes persianas!

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