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4/21/2013

E agora, Darwin?

E agora, Darwin?
Paródia do conhecido poema de Carlos Drummond de Andrade: "José", substituído burlescamente por "Darwin", numa metáfora sem a mínima graça e, o pior: numa sexta-feira 13.



DARWIN

E agora, Darwin?

A festa acabou,
O brilho apagou,
Os fósseis sumiram,
A lacuna voltou,
e agora, Darwin?
e agora, você?
você que fez nome
com méritos dos outros,
você que fez turismo,
criou pombos insetos,
e agora, Darwin?

Está sem crédito,

está sem discurso,
está sem caminho,
já não pode crescer,
já não pode criar,
descobrir já não pode,
a lacuna voltou,
o fóssil não veio,
o sonho não veio,
a macro não veio,
não veio a utopia,
e tudo acabou,
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, Darwin?

E agora, Darwin?

Sua falsa palavra,
seu instante de delírio,
sua fama e honra,
sua seleção natural,
seu elo perdido,

seu telhado de vidro, sua incoerência,

seu racismo – e agora?

Com muita fantasia

quer explicar o acaso,
não existe acaso;
quer recriar a vida,
mas a vida é complexa;
quer ir para Texas,
Texas não o quer mais.
Darwin, e agora?

Se você inventasse,

se você criasse,
se você falseasse
a ciência de Popper,
se você descobrisse,
se você despertasse,
se você acordasse...
Mas você não acorda,
você é contraditório, Darwin!

Idolatrado na imprensa,

qual autor de Hollywood,
sem citologia,
sem sistema imunológico,
para se defender,
sem o flagelo bacteriano
que mostre o gradualismo,
você evolui, Darwin!
Darwin, de que forma?



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Por: Iba Mendes (2008)