sábado, 21 de setembro de 2013

O mito do “Voto Consciente”

O mito do “Voto Consciente”

Voto não tem preço, tem conseqüência”, alertavam campanhas publicitárias em eleições passadas.

Sempre que se aproxima o período eleitoral no Brasil, torna-se  vulgar o emprego de expressões do tipo: “Vote consciente”, “Vote corretamente”, “Vote com responsabilidade”, “Vote limpo” etc. Dizem alguns que o combate à corrupção começa com um “voto consciente e responsável”. Mas, afinal, de que se trata exatamente o tal famigerado “voto consciente”? Pode-se realmente falar em “voto consciente” num país onde a consciência dos que vão ser eleitos fica escancaradamente restrita aos seus próprios interesses e ambições?  Será mesmo que o voto exercido mediante um conhecimento crítico e cuidadoso do  candidato, oferece alguma segurança quanto ao seu comportamento ético durante o período de exercício do mandato eleitoral?

Confesso que acreditei com afinco durante vinte anos nesse engodo midiático. Desde o meu primeiro voto sempre tive em conta que o “bom” uso da “urna” seria capaz de mudar a cara Brasil. Ledo engano!

Desde a primeira eleição direta para  presidente ocorrida em 1989, quando foi eleito Fernando Collor, nada se alterou no Brasil quanto à responsabilidade ética dos nossos candidatos. A corrupção manteve-se durante esse tempo como parte intrínseca e visceral da cultura política dos nossos supostos representantes.

A despeito das exaltadas campanhas em prol da integridade moral dos candidatos a cargos públicos, o fato é que nossos políticos continuam surrupiando – religiosamente - o dinheiro do povo, mantendo assim um legado de promiscuidade  que remonta aos antigos tempos da colonização. Enquanto isso, permanece a utópica esperança  de que o Brasil pode mudar através do “voto consciente”.   Bom para os políticos!

Ora, para se crer que o voto tenha realmente a virtude de mudar os rumos da nossa nação, deveríamos partir do pressuposto de que os políticos eleitos legitimamente por meio do tal “voto consciente”  fariam jus à confiança neles depositada,  o que nunca ocorreu. Portanto, o “voto consciente” dilui  na utopia pela simples ausência de alternativas. Seja qual for o candidato, a corrupção continuará como uma gangrena incurável,  pelo menos mediante os métodos “tradicionais” de que dispomos.

Quando se fala em “votar corretamente” parte-se do princípio de que determinado candidato, quando eleito,  terá plenas condições para atuar na transformação política e social da nação. Todavia,  a realidade tem mostrado que os interesses políticos, por uma “peculiaridade” própria do Brasil,  propagam-se como um vírus altamente contagioso. Tão logo sentem o “gostinho” do poder e  passam a fazer parte do “jogo”, escarram na própria boca em que beijaram, rindo até cuspirem o fígado daqueles que os elegeram “conscientemente”. Sim, pois como bem disse alguém: "A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa."

É isso!


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Por: Iba Mendes (setembro, 2013)

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