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11/16/2019

Porque sou "isentão"



Porque sou "isentão"

O termo "isentão", usado pejorativamente para definir a pessoa que não assume com clareza sua posição ideológica, origina-se do adjetivo "isento" (de "isentar"), o qual denota, entre outras coisas, "aquele que julga sem parcialidade ou sem paixão".

Embora tal neologismo seja utilizado com mais frequência pelos partidários da chamada "Direita", ele também é aplicado de muitas formas pelos adeptos da "Esquerda". Em ambos os casos, porém, o objetivo é sempre o mesmo, ou seja, atacar quem não se prende a uma determinada vertente política. Daí o sentido depreciativo que se lhe atribuem. Em última análise, portanto, o termo teria a mesma equivalência de um xingamento ou ofensa, cujo plano de fundo remete sempre a algo próximo da intolerância. A existência do "isentão" funcionaria assim como uma espécie de afronta ao pensamento binário dominante, no qual não há espaço para a divergência de opiniões. O simples fato de alguém não se portar em defesa de um determinado político, isso em si já é suficiente para colocá-lo no rol dos "isentões".

A par disto e dada a minha condição de cidadão pensante e anônimo, prefiro mil vezes o rótulo de "isentão" a submeter minha consciência ao cutelo do próprio carrasco que me suplicia...  O fato de ser um "isentão" é o que me torna livre para criticar qualquer governo, sem me importar com siglas ou partidos; é o que me dá condição para mudar de opinião quando necessário, ou que me mantém firme numa ideia mesmo quando todos abraçam a unanimidade; ser "isentão" é o que me faz enxergar que a corrupção não é um fenômeno específico de determinada vertente política, mas algo intrínseco a todo um sistema corruptor, no qual estão inclusos tanto inescrupulosos como virtuosos; ser "isentão" é poder exercer com liberdade o meu direito de não colaborar com um sistema eleitoral autoritário e promíscuo, no qual o dinheiro do povo é repartido desproporcionalmente conforme a dimensão do "parasita" (aliás, não poderia ser um verdadeiro "isentão" apertando essa "descarga"). Enfim, é apenas como um "isentão" que posso exercer livremente minhas opiniões políticas, sem precisar vender a preço de banana a minha dignidade...

É isso!

10/14/2018

A decadência da grande mídia



A decadência da grande mídia

O papel da grande mídia em nossos dias está cada vez mais em plano secundário para uma boa parcela da população... Hoje é perfeitamente possível afirmar que a Rede Globo não elege mais presidentes. Na verdade, os grandes conglomerados de comunicação, sem exceção, não só perderam audiência como, também, cada vez mais perdem credibilidade. As redes sociais em suas diversas modalidades estão revolucionando o modo das pessoas obterem informações, bem como a maneira de transmiti-las. Se para o bem ou para o mal, o fato é que os grandes jornais e as grandes redes de televisão perderam drasticamente o seu poder de manipulação, e já não são capazes de mover ideologicamente as multidões, como fizeram muito bem em tempos remotos. Não há mais "Carlos Lacerdas" ou "Samuéis Wainers" em nosso jornalismo atual. O que há são meros opinantes, os quais se juntam ao turbilhão de vozes líquidas e abafadas, num mundo sem fronteiras e sem línguas. A ruína da revista Veja é apenas o "princípio das dores" dessa mídia carcomida, que ainda não percebeu a espetaculosa transformação oriunda das novas mídias sociais. Acreditam serem o contraponto das chamadas "fake news", quando boa parcela do seu conteúdo pode perfeitamente ser enquadrado nesse critério. Não há mais "erratas" e já não é possível fazer distinção entre o fato e o boato. As notícias que despejam diariamente pela Internet podem ser excelentes como "pautas de discussão", todavia, já não são capazes de gerar o movimento das multidões. Quem move a massa agora são o WhatsApp, o Twitter, o Facebook e seus similares... Os Civitas, os Marinhos e os Frias estão definitivamente mortos!


Iba Mendes
São Paulo, 14 de outubro de 2018,

É isso!

9/06/2018

Movidos pelo ódio


Movidos pelo ódio

"Haverá pior coisa do que mesclar o ódio às opiniões?"
 Machado de Assis - "Elogio da Vaidade"
  
O ódio destilado em bytes nas redes sociais aos poucos vai ganhando as ruas, as praças, os botecos, as casas, o ambiente de trabalho, enfim, já não fica escondido entre quatro paredes por trás de telas e teclados, sob os mais variados disfarces. Agora ele dá bofetadas, chutes, facadas e até aprendeu a atirar... A estupidez é generalizada e os bípedes virtuais quadriplicam-se no mundo real a cada disputa política. São tipos ideologicamente apaixonados, cheios de certezas, convictos de suas crenças e incapazes de qualquer diálogo.  Acreditam que os grandes problemas do Brasil apenas serão resolvidos pelo candidato de seu partido, e veem o adversário como um perigoso inimigo que precisa ser combatido sem piedade. Argumento algum, por mais lógico e racional que seja, é capaz de fazê-lo mudar de opinião. No fundo, agem como aquele religioso que sobe a ladeira de joelhos sem reparar a rusticidade do solo. O bom senso para tais pessoas fica restrito aos momentos em que se distanciam dos temas políticos e passam a discorrer sobre as coisas fúteis da vida. É só aí que viram de gente! Quando imbuídos de suas convicções políticas transformam-se em bestas selvagens, chegando ao ponto de comemorar a doença ou morte dos que odeiam.  O ódio, aliás, é o motor que faz mover suas existências intranquilas, é a força que impulsiona suas vidas medíocres e vazias. Mostrem-lhe uma cabeça e providenciarão uma guilhotina. Ódio e a opinião são tudo de que precisam para mudar o mundo.  Sim, eles podem mudar o mundo.  Se lhes disserem que são Napoleões, por favor acreditem.  O Brasil é um Waterloo!


É isso!

8/21/2018

Porque sou contra as cotas raciais

Porque sou contra as cotas raciais

Negar que existe preconceito racial no Brasil, é negar o óbvio telescópico. Em todos os âmbitos da nossa sociedade, esse preconceito se manifesta das mais variadas formas, e isso pode ser observado numa simples “batida policial”. Isto posto, elenco a seguir as minhas razões porque sou contra as chamadas “cotas raciais” em nosso país.

Em primeiro lugar, sou contra as cotas raciais porque acredito que o negro e o branco em nada diferem um do outro em termos intelectuais, e, portanto, neste sentido estão ambos em pé de igualdade para pleitear as mesmas vagas nos vestibulares ou nos concursos públicos. A questão de acesso às universidades ou empresas públicas está fundamentalmente atrelada às condições sociais da pessoa, e não a sua cor.  O indivíduo que estudou em escolas boas, que usufruiu de tempo livre e de dinheiro, que teve uma excelente estrutura familiar e social, é claro que terá mais facilidade para ascender a uma faculdade pública ou a uma empresa estatal.  A desvantagem recai exclusivamente sobre o pobre, seja este branco ou negro, seja de qualquer outra etnia.

Em segundo lugar, sou contra as cotas raciais porque acredito que tal medida apenas perpetua ente nós o estigma da “raça”, em vez de reparar um crime histórico.  Pessoalmente eu não me sentiria confortável (e falo de mim) numa sala de aula sabendo que estou ali porque fui beneficiado pela cor da minha pele. Ora, em vez das cotas, por que não reservar grande parte das vagas das universidades públicas para aqueles que vieram igualmente de escolas públicas e que não podem pagar uma “Harvard University”? A lógica e simples: não paga quem não pode pagar!

Em terceiro lugar, sou contra as cotas raciais porque acredito que o crime praticado contra os negros ao longo da nossa história de maneira alguma pode ser reparado com simples “esmolas governamentais”.  Se se querem pagar-lhes uma dívida histórica, que o façam com investimentos constantes na educação e com melhorias concretas nas suas condições sociais, em vez de medidas populistas como as tais “cotas”, as quais  não têm sequer a unanimidade da própria população  negra.

Em quarto lugar, sou contra as cotas raciais porque não acredito que tal medida seja de fato decisiva para dirimir os maléficos efeitos do racismo e da injustiça que se cometeu contra os negros em nossa sociedade ao longo dos tempos. O racismo, que se manifesta em mentes imbecilizadas e embrutecidas, deverá ser combatido com leis rígidas e medidas abrangentes de caráter social e educacional.

Por último, sou contra as cotas raciais porque, embora existam bons argumentos para sua manutenção, acredito que de todo sobressaem os aspectos negativos, em que se mesclam a prevalência de uma ideologia racial que nos separam e o estereótipo da cor que nos inferiorizam.

É isso!   

12/08/2017

Uma análise pseudofilosófica dos eleitores de "Lula"


Uma análise pseudofilosófica dos eleitores de "Lula"

O que de fato motivaria uma pessoa a votar num político infamado pela corrupção e já condenado pela Justiça? Como explicar o fervor de uma imensa turba de eleitores que não mede esforço para ver o "Lula" Deputado Federal, Senador ou Presidente da República? É possível entender a mente de tais pessoas, as razões que as fazem ignorar os escândalos os quais pairam como sombras espectrais ao redor desse "político"?

Esclareço que o "Lula" de que faço menção pode ser apenas uma metáfora para designar qualquer outro político em situação semelhante ao "Lula de Garanhuns", os quais podem ser da Direita, do Centro ou da Esquerda. Isso é indiferente!

As razões motivadoras são diversas, mas poderia sintetizá-las todas mediante uma só palavra. Esta: CONVENIÊNCIA.

Segundo Houaiss, conveniência é um substantivo feminino que denota a qualidade do que é conveniente, aquilo que atende ao gosto, às necessidades, ao bem-estar de um indivíduo, algo que é útil, que simplifica uma rotina, que economiza o tempo etc.

Uma pessoa, por exemplo, que ascendeu financeiramente durante o "Governo Lula" (ou de outro político qualquer) tende fatalmente a acreditar que sua prosperidade financeira está de alguma forma atrelada aos atos políticos do referido candidato. A mesma lógica pode ser também aplicada aos jovens que conseguiram terminar uma faculdade, ao rapaz e à moça que entraram no mercado de trabalho, ao casal que comprou um carro, à família que passou a usufruir de algum dos benefícios sociais do Governo, àqueles que de algum modo lucraram por intermédio de programas governamentais, seja pelo investimento no mercado empresarial, seja por auxílio de verbas publicitárias, seja ainda por meio de projetos culturais de caráter lucrativo etc. etc. etc. Tal conveniência estende-se ainda para o âmbito das tendências ideológicas: vota-se no "Lula" porque ele é favor da causa X ou Y, porque ele é contra isso e aquilo, e por aí vai...

Desde que se obtenha alguma vantagem, seja ela relacionada ao viver cotidiano, seja ela da esfera ideológica, a questão ética (os valores morais) torna-se irrelevante e desprovida de qualquer sentido prático. O sucesso que se conquistou ou que supostamente se alcançará, eleva-se a tal ponto que o escrúpulo ou o senso de pudor diluem-se numa consciência cauterizada, numa espécie de cumplicidade consentida e sem qualquer culpa. É o tipo de mentalidade mesquinha, cuja preocupação está centrada exclusivamente no mundinho pessoal ou familiar, sem qualquer responsabilidade social para com o futuro do país como um todo.  Na essência, desde que se tenha as necessidades pessoais ou familiares de algum modo supridas, e ainda que tais necessidades estejam restritas meramente ao campo da simples ideologia, pouco importa se tais candidatos roubam ou deixam roubar. 

De certa forma, tais pessoas são tão mentalmente corruptas quanto o próprio político denegrido a quem elegem.

É isso!          

São Paulo, dezembro de 2017. 

10/28/2017

"Por que não ler os clássicos" ou: "Como alimentar os burros"



Por que não ler os clássicos

Ou: Como alimentar os burros

Em 30 de junho de 2010, um parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) orientou que o livro "Caçadas de Pedrinho", de Monteiro Lobato, fosse banido das escolas públicas brasileiras. A justificativa, baseada numa denúncia da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, afirmava que a dita obra era racista, e, portanto, prejudicial ao bem-estar das nossas crianças, as quais deveriam ser protegidas contra todas as formas de discriminação.

A invasão do "politicamente correto" na Literatura não é, porém, um fenômeno assim tão recente e não se restringe exclusivamente aos nossos doutos tupiniquins. Na década de 1990, por exemplo, publicou-se nos Estados Unidos uma nova versão da Bíblia, em que se extraiu a palavra “escuridão”, substituindo-a por “noite”, pois segundo os seus organizadores, o sentido “pejorativo” da palavra “escuridão” poderia ser associado a pessoas de pele negra. Nesta mesma versão, Deus não é chamado Pai, e sim Pai-Mãe, por causa do suposto sentido autoritário e machista do termo "Pai".

Há quem diga que tais exigências são parte de uma nova era da humanidade, em que o homem, após milênios sob o obscurantismo do preconceito e do estigma, renasce para uma nova consciência quanto aos direitos fundamentais da "pessoa humana".

Pensando assim (e também por querer me introduzir nessa nova geração de seres iluminados), gostaria de oferecer minha pequena contribuição, sugerindo uma pequena lista de autores e livros, os quais, por razões que procurarei justificar, deveriam ser peremptoriamente anatematizados, lacrados em baús ou atirados ao fogo inclemente, a fim de que suas peçonhas sejam para sempre lançadas no mar do esquecimento.

Vamos lá...


POR QUE NÃO LER A BÍBLIA
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, numa sabatina realizada aqui no Brasil em 2008, o escritor português José Saramago havia dito que a Bíblia é inapropriada para adolescentes. De acordo com a mesma reportagem, o referido escritor teria acrescentado que a Escritura Sagrada é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana, cheia de maus conselhos, como incestos e matanças. Ora, o que motivaria um escritor, um homem de mente tão aberta, grande defensor dos elevados ideais marxistas, inclusive ganhador de um prêmio Nobel de Literatura, a desaconselhar a leitura do Livro Santo? A resposta parece simples. A Bíblia é de fato perniciosa em todos os aspectos, sendo sua leitura altamente prejudicial às mentes inteligentíssimas dos novos tempos. Sua leitura não condiz, portanto, com os padrões morais estabelecidos pelas sociedades mais avançadas do nosso esclarecido século, dentre outras razões porque nela a mulher é tratada como um ser inferior ao homem, o homossexual é comparado a um quadrúpede, a escravidão é justificada, a intolerância religiosa é legitimada, sem contar que em suas páginas encontramos exemplos dos mais variados tipos de atrocidades, sendo o Deus do Antigo Testamento um personagem desagradável, ciumento, orgulhoso, controlador, mesquinho, injusto, intransigente, genocida étnico, vingativo, sedento de sangue, perseguidor misógino, homofóbico, racista, infanticida, filicida, pestilento, megalomaníaco, sadomasoquista, malévolo etc... A Bíblia fala ainda de um povo eleito, o judeu, algo que faz transparecer um ideal xenofóbico, o que de certo modo pode ser usado para justificar o apartheid da Palestina, onde uma  minoria árabe é oprimida sem nenhuma misericórdia. 


POR QUE NÃO LER DANTE ALIGHIERI
Eis aí outro livro que também deveria passar ao longe das retinas do homem de consciência elevada. Este bruto escritor produziu um livro abominável a que deram o nome de "A Divina Comédia". Uma obra que, sem dúvida, afronta os nobres sentimentos do homem moderno, que já não se compraz  com ficções preconceituosas, as quais destilam em suas páginas o ódio e a apologia à homofobia.  Faço menção, por exemplo,  do canto 26 do "Purgatório",  onde se lê sobre uma tal saraivada de fogo que se derramava sobre os chamados "sodomitas", ou seja, os homossexuais.  No seu "Inferno",  especificamente no círculo sétimo,  estes mesmos "sodomitas" são ali dia e noite atormentados,  vítimas de todo tipo de violência.


POR QUE NÃO LER LEON TOLSTOI
Basicamente porque este escritor, considerado por alguns como um gênio da Literatura, foi na realidade um soberbo machista. Em suas obras a mulher é o tipo de bode expiatório, sobre o qual é lançada toda sorte de culpa e mazela. Em "A Felicidade Conjugal”, por exemplo, o falso moralismo desse autor  transforma a mulher em propriedade exclusiva do homem, a quem ela dever servir como uma espécie de semiescrava. Sim, rejeitemos este escritor... 


POR QUE NÃO LER WILLIAM SHAKESPEARE
Quem já perdeu um pouco do seu tempo lendo este falsário inglês, não terá grande dificuldade em constatar que se tratava de uma pessoa que detestava as mulheres e que odiava os judeus. Portanto, machista e antissemita ao mesmo tempo.  Em suas peças, a mulher é sempre tratada como seres debilitados e traiçoeiros. “Fraqueza, teu nome é mulher”, escreve ele em Hamlet. Quanto aos judeus, o que dizer do pobre Shylock, em "O Mercador de Veneza"? Nesta obra o dramaturgo destila todo o seu ódio aos filhos de Israel, realçando uma característica que marcou negativamente a comunidade judaica ao longo dos tempos, que é sua associação à usura.


POR QUE NÃO LER  SIR CONAN DOYLE
Não se pode negar certa maestria literária no autor de "Sherlock Holmes". Isso, porém, não deve servir de argumento para ignorarmos seu extremo preconceito em relação à mulher, vista em muitas de suas obras como parte de uma classe marginal e cheia de defeitos. A própria personagem Sherlock Holmes, o que é ele senão um excêntrico machista e morfinômano, antifeminista? Sim, não é um dos piores, mas nem por isso deveria ser apreciado. E, se possível, esquecido...

POR QUE NÃO LER  GUSTAVE FLAUBERT
Embora muitas defensoras do feminismo vejam a Madame Bovary como um emblema de luta da emancipação feminina, o fato é que tal personagem ficcional  sintetiza toda sorte de estereótipo contra a mulher.  "A mulher é um animal vulgar do qual o homem formou um ideal belo demais", escreveu ele afirmando sua visão negativa sobre o sexo feminino. Ora, por que perder tempo com esse tipo de literatura? Se possível, aproveitemos o nosso valioso ócio com leituras mais agradáveis, que não agridam as suscetibilidades alheias, nem realçam os estereótipos sociais, tão comuns no que se convenciona chamar de "clássicos".


POR QUE NÃO LER  MARK TWAIN
Trata-se de um autor racista, o que pode ser facilmente comprovado na obra  “As Aventuras de Huckleberry Finn”, em que faz uso do termo depreciativo nigger. Não foi sem razão que em 2016 o dito livro chegou a ser retirado das bibliotecas das escolas do distrito de Accomack, na Virgínia, Estados Unidos, sendo um dos mais boicotados pelas pessoas de elevado senso moral daquele país.   Tal episódio é emblemático,  sendo um sinal de que a nova geração não está mais disposta a tolerar este tipo de literatura, em que classes sociais são rotuladas pejorativamente.


POR QUE NÃO LER CHARLES DARWIN
Considerado como um dos maiores cientistas de todos os tempos, muitos ignoram que este escritor destilou seu veneno racista em praticamente todas as suas obras, com especial destaque para o seu "A Origem do Homem". Aqui ele não deixa margem à dúvida quanto a sua simpatia pela "raça superiora" europeia. Escreveu ele: "Ambos os sexos deveriam abster-se do matrimonio se acentuadamente fracos no corpo e na mente; mas estas esperanças são utópicas e nunca serão concretizadas nem mesmo parcialmente, enquanto as leis da hereditariedade não forem conhecidas amplamente. Todo aquele que prestar alguma ajuda para se colimar este fim estará fazendo obra boa. Quando os princípios da procriação e da hereditariedade forem melhor conhecidos, não ouviremos mais alguns membros ignorantes da nossa legislatura rejeitar com desprezo um plano que tente a verificar se o matrimonio entre consanguíneos é ou não prejudicial ao homem".


POR QUE NÃO LER LEWIS CARROLL
É notório entre os críticos de bom senso que este autor inglês era um pedófilo contumaz. O que é "Alice" senão o resultado de sua atração obstinada por crianças? Sabe-se que tal escritor era fascinado por fotografar menininhas em poucos trajes. O que seria tal atitude se não um soberbo indício de que o autor de "Alice nos País das Maravilhas"  foi de fato um praticante da pedofilia?


POR QUE NÃO LER MACHADO DE ASSIS
Há quem diga Machado de Assis é o mais genial escritor brasileiro de todos os tempos. Que ele era mestre na arte de escrever, disto resta pouca margem para a dúvida. O que tais pessoas talvez ignorem é que este senhor, que teve suas origens na escravidão,  em nenhum momento fez questão de se opor com clareza contra as mazelas desta mesma escravidão. Nos seus primeiros romances ele passa ao largo de qualquer temática relacionada à escravatura, esquivando-se vergonhosamente de sua própria genealogia. Sua ambição por querer parecer ser branco, levou-o assim a ignorar sua origem humilde de filho de escravo. Em outras palavras: renegou sua condição de pobre e negro.  O seu livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas” sintetiza sua postura de um típico representante da classe dominante, algo que fica muito bem tipificado na personagem Brás Cubas.  Engana-se, portanto, quem lhe atribui genialidade. Erra-se quem se deixa embalar pelo canto dessa falsa sereia da sobriedade literária.  


POR QUE NÃO LER JORGE AMADO
Muitos elogiam este escritor por sua coragem em atacar certas convenções sociais do seu tempo. E isso é verdade! De fato ele foi alguém que de certa forma soube aproveitar de sua ficção para condenar certos preconceitos, como a homossexualidade. Todavia, em seu famoso livro "Capitães de Areia" há algo que o desabona como um homem de consciência elevada. Algo suficiente para também bani-lo dos nossos bons hábitos de leitura. Ao discorrer sobre a realidade dos garotos de rua da cidade de Salvador, na Bahia,  ele de certa forma tenta justificar os estupros cometidos por esses delinquentes como algo imposto pela própria condição social em que estavam inseridos. Ou seja: eles apenas faziam o que qualquer pessoa na condição deles também faria. O que é isso senão uma clara apologia ao estupro?


POR QUE NÃO LER MONTEIRO LOBATO
Como já foi mencionado inicialmente, Monteiro Lobato foi escancaradamente um escritor racista. Em suas obras o negro é quase sempre  tempo estigmatizado  com conotações de natureza racista e eugenista.  Em "Caçadas de Pedrinho" a personagem Tia Anastácia é chamada, por exemplo, de “macaca de carvão”, entre muitas outras expressões abjetas. No seu livro "O Presidente Negro" o racismo contra o negro é ainda mais explícito.  Ali os seus ideais de purificação racial, fundamentados nos idênticos ideais de Francis Galton, primo de Darwin, que idealizou a Eugenia, uma doutrina segregacionista que buscava o aprimoramento da “raça humana” por meio de cruzamentos indesejáveis e até mesmo por intermédio da esterilização dos “degradados social",  estão claramente elencados.  Eis aí outro autor que merece nosso total repúdio... E, se possível,  o nosso anátema...

POR QUE NÃO LER EUCLIDES DA CUNHA
A ideia de que a sociedade poderia ser "melhorada" evitando-se "cruzamentos indesejáveis" fez parte dos ideais de boa parcela dos acadêmicos tupiniquins, como  o anteriormente citado Monteiro Lobato. Outro que também foi fortemente impactado por esta peçonha, foi o autor de "Os Sertões", o grande Euclides da Cunha, conforme se pode observar nesse trecho do seu referido livro: "A mistura de raças mui diversas é, na maioria dos casos, prejudicial. Ante as conclusões do evolucionismo, ainda quando reaja sobre o produto o influxo de uma raça superior, despontam vivíssimos estigmas da inferior. A mestiçagem extremada é um retrocesso. O indo-europeu, o negro e o brasílio-guarani ou o tapuia exprimem estádios evolutivos que se fronteiam, e o cruzamento, sobre obliterar as qualidades preeminentes do primeiro, é um estimulante à revivescência dos atributos primitivos dos últimos. De sorte que o mestiço — traço de união entre as raças, breve existência individual em que se comprimem esforços seculares — é, quase sempre, um desequilibrado..."


POR QUE NÃO LER JOSÉ DE ALENCAR
Eis aí outro típico representante da elite dominante brasileira. Ele não apenas era favorável à escravidão como, também, tentou justificá-la. Escreveu ele numa de suas cartas: "A escravidão caduca, mas ainda não morreu; ainda se prendem a ela graves interesses de um povo. É quanto basta para merecer o respeito." Suas obras estão repletas de referências pejorativas ao negro e ao índio. A própria personagem Iracema, que simboliza o processo de miscigenação, é tratada como um ser primitivo e infantilizado, alguém que, como o índio Peri do "O Guarani", tornou-se cortês após a convivência com o homem branco. 


POR QUE NÃO LER ALUÍSIO AZEVEDO
A resposta pode ser encontrada no seu livro "O Cortiço", o qual está abarrotado de construções tipicamente racistas. O que seria a personagem Bertoleza senão o retrato do próprio pensamento do escritor, que via os negros como seres animalizados? E o que dizer então da hiperssexualizada mulata Rita Baiana, a qual prefere a "superioridade" do branco Jerônimo em detrimento do mulato capoeirista Firmino? O que é isso senão uma clara demonstração de que o autor era parte de uma elite opressora, que via o branco europeu como a "raça superior"? 


POR QUE NÃO LER BERNARDO GUIMARÃES
“Meu Deus! meu Deus!… já que tive a desgraça de nascer cativa, não era melhor que tivesse nascido bruta e disforme, como a mais vil das negras, do que ter recebido do céu estes dotes, que só servem para amargurar-me a existência?” Esse trecho faz parte do famoso livro "A Escrava Isaura", o qual já serviu de inspiração para duas novelas, sendo uma da Rede Globo, que contou com a participação de Lucélia Santos, que fazia o papel da escrava branca.  O livro passa a ideia de que uma escrava tão bela e tão cheia de virtudes, jamais deveria ser castigada. É como se tivesse justificando que há limites para se castigar um escravo, é claro,  desde que este tenha as qualidades de uma "Isaura". 


POR QUE NÃO LER ADOLFO CAMINHA
Simples. Porque este escritor, assim como muitos outros do seu tempo, cultivava uma ideia preconceituosa da sociedade, a qual estava dividida entre "raça superior"  e "raça inferior". A "raça superior" era obviamente a elite branca, que descendia do "civilizado europeu" e da qual ele fazia parte. Em seu livro "O Bom Crioulo", é atribuída ao negro uma espécie de "perversão inata", a qual não podia ser desassociada da própria cor da sua pele. O caráter preconceituoso atribuído ao "Bom Mulato" explicita a visão estereotipada que o autor nutria quanto aos afrodescendentes. 


POR QUE NÃO LER JOSÉ SARAMAGO
O livro "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" é uma blasfêmia repugnante à fé dos cristãos em geral. O autor tem todo o direito em criticar a religião, haja vista que ele foi um notório ateu e grande defensor do Comunismo. No entanto, é inaceitável a forma como ele deturpa a genuína essência dos santos Evangelhos e igualmente da própria pessoa do Senhor Jesus, atribuindo a este um relacionamento conjugal com a prostituta Maria Madalena, além de macular a virgindade da mãe do nosso Salvador. Isso em nada acrescenta para a harmonia entre o laicismo e as crenças dos povos. O bom senso recomenda cautela quanto a se respeitar à fé alheia. A banalização da crítica destrutiva promove ódio entre as pessoas e, sendo assim, deve ser cabalmente rechaçada. Este escritor não pode e não deve fazer parte de um bom cardápio de leitura. Por isso, é aconselhável  o boicote aos seus torpes livros... E, se possível, igual boicote aos demais publicados pelas complacentes editoras.

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Bom. Eu poderia estender-me infinitivamente, relacionando outras inúmeras obras, as quais, pela fina razão do "politicamente correto" deveriam ser abolidas das escolas públicas, das bibliotecas e da própria Internet. O "novo homem", isto é, o homem que já superou seu primitivo estágio de decadência intelectual, não pode compartilhar com esse tipo de literatura decadente, ainda que pomposamente chamada de "clássica".  O anseio por uma sociedade melhor e mais justa impõe-nos a dura responsabilidade de sermos os arautos de uma nova consciência, a qual esteja plenamente isenta das pechas preconceituosas do passado. O "novo homem" não deve contextualizar o autor com o seu tempo. Em vez disso, deve simplesmente torná-lo esquecido, e, se possível, lançá-lo no ostracismo contundente do tempo. Só assim, construiremos uma sociedade mais digna. Apenas desta maneira formaremos cidadãos verdadeiramente capacitados para tornar o nosso mundo um imenso pasto...


É isso!




São Paulo, outubro de 2017

9/25/2017

Direita e Esquerda: o duelo de quadrúpedes



Direita e Esquerda: o duelo de quadrúpedes

"E, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não pode subsistir." 
(São Marcos 3:25)

Enquanto políticos assaltam o país, roubando do povo os seus direitos e dignidade, este mesmo povo duela entre si para ver quem tem mais razão...

Enquanto a violência se alastra por cada canto da nação, matando em cinco anos mais gente do que a guerra na Síria, hordas enormes de imbecis consumem tempo e energia defendendo políticos e ideologias os quais de algum modo apenas contribuíram para a existência de todo este caos social.

Enquanto pessoas morrem sem atendimento médico ou são jogadas nos corredores dos hospitais como se fossem bichos sem donos, bandos de alienados, embriagados em seus devaneios, brigam como cães raivosos na defesa de teorias e conceitos que mal conhecem e pelos quais envenenam suas próprias almas.

Enquanto alunos chegam ao Ensino Médio sem saber diferenciar um ponto da vírgula, e mal conhecendo o próprio alfabeto, multidões quadrupedam dia e noite por trás de seus teclados, uns na defesa da Direita "avançada", outros no resguardo da Esquerda "ultrapassada", e ambos se alimentando do mesmo pasto mijado de ódio e sem a clorofila do bom senso. 

Enquanto o desemprego alcança proporções alarmantes, causando o infortúnio e a desgraça entre milhares de famílias, as viúvas de Marx e as noivas de Bolsonaro disputam entre si os lauréis arrancados dos burros, jumentando aos quatro ventos seus falsos saberes wikipedianos, tão profundos como um pires. 

Enquanto os juros dos bancos atingem os níveis vergonhosos da agiotagem, causando o endividamento e a humilhação do trabalhador honrado, soberbos idiotas politizados perdem o sono e amigos na defesa de suas convicções "bem fundamentadas",  quando deveriam lutar em comum acordo pelo bem maior da nação, seja contra a corrupção, seja contra a violência, seja contra a parcialidade das leis, seja contra a injustiça social, seja enfim, a favor de qualquer ideal que nos façam verdadeiros cidadãos, que nos tragam mais dignidade e que nos tornem senhores dos nossos próprios destinos. 


É isso!

6/22/2017

Farinha do mesmo saco


Farinha do mesmo saco

Nos primórdios da República do Brasil, era comum aos jornalistas assumirem abertamente suas preferências políticas, as quais em geral não estavam centradas na ideologia partidária em si, mas principalmente na pessoa do candidato, em torno do qual se comportavam como verdadeiros parasitas, e de quem, em muitos casos, dependiam para a própria sobrevivência de suas publicações.

Com o decorrer dos anos, houve um amadurecimento acentuado no que tange à equidade ideológica dos nossos homens de imprensa, os quais passaram a opinar com certa independência, muito embora o contumaz comprometimento partidário  dos seus patrões, algo que notadamente ainda hoje se faz presente em todos os periódicos do país, com exceção de alguns que relutam em disfarçar suas predileções. É escancarada, por exemplo, a opção da revista Veja pelos candidatos da chamada Direita, o que se observa de igual maneira em relação ao jornal o Estado de S. Paulo, entre muitos outros. No que se refere à Folha de S. Paulo, não obstante historicamente sempre estivesse nesta mesma ala, de uns tempos para cá, principalmente durante os governos petistas, andou assim lá perambulando pelas beiradas da Esquerda, o que se pode explicar pelas exorbitantes verbas propagandistas oriundas da estrutura governamental. Na verdade, não parece exagero afirmar que a "balança editorial" de praticamente toda a Imprensa brasileira pende segundo os investimentos de seus patrocinadores, dentre os quais se destaca com soberbia o Governo. Ademais, não é interessante aos grandes veículos de comunicação se alinharem politicamente e todo tempo a uma só vertente partidária. Sim, afinal, o dinheirinho do opulento assinante "coxinha" é tão imprescindível quanto aquele que sai do bolso do miserável "mortadela". Nisto se explica um Reinaldo Azevedo escrevendo para a Folha e um Paulo Henrique Amorim opinando na Record... Neste aspecto e por esta mesma lógica do poderoso Capital, Frias, Mesquitas, Civitas, Marinhos, Minos e Macedos são peças do mesmo tabuleiro e farinha do mesmo saco...Neste aspecto bebem eles no mesmo copo e escarram nas mesmas bocas.

É isso!

3/11/2017

O Fascismo e o Pai dos Burros




O Fascismo e o Pai dos Burros

O termo fascista transformou-se de uns tempos para cá numa verdadeira muleta linguística na qual muitos se apoiam para atacar seus adversários, seja no âmbito da política, seja por mera desavença ideológica. Simplificando: é "fascista" todo aquele que pensa diversamente a mim, que não partilha dos meus ideais, que não segue a minha cartilha política, e por aí vai... O acadêmico Leandro Karnal, por exemplo, numa de suas palestras denominou de "fascistas" todos os leitores da revista Veja, obviamente pela vertente conservadora do periódico. Por sua vez, o jornalista Reinaldo Azevedo, rotulou igualmente de "fascistas" todos os admiradores do Deputado Jair Bolsonaro, claramente pela postura ultraconservadora do referido político...

Em qualquer discussão banal, especialmente na Internet, o adjetivo "fascista" torna-se imprescindível, caracterizando a própria insensatez dos que dele fazem uso. Poucas dessas pessoas conhecem de fato a origem do termo, seu sentido histórico, seus aspectos ideológicos, conforme o seu respectivo contexto. Um simples dicionário de Língua Portuguesa por si já é suficiente para lançar ao ridículo toda essa panaceia vocabular. Segundo Houaiss, Fascismo é um movimento político e filosófico ou regime (como o estabelecido por Benito Mussolini na Itália, em 1922), que faz prevalecer os conceitos de nação e raça sobre os valores individuais e que é representado por um governo autocrático, centralizado na figura de um ditador.

Indo um pouco além da definição meramente lexical, Robert O. Paxton, em seu livro "A Anatomia do Fascismo", publicado pela Editora Paz e Terra, elenca uma pequena lista de itens que caracterizavam as práticas fascistas. Ei-la:

1 - Um senso de crise catastrófica, além do alcance das soluções tradicionais;
2 - A primazia do grupo, perante o qual todos têm deveres superiores a qualquer direito, sejam eles individuais ou universais, e a subordinação do indivíduo a esses deveres;
3 - A crença de que o próprio grupo é vítima, sentimento esse que justifica qualquer ação, sem limites jurídicos ou morais, contra seus inimigos, tanto internos quanto externos;
4 - O pavor à decadência dc grupo sob a influência corrosiva do liberalismo individualista, dos conflitos de classe e das influências estrangeiras;
5 - A necessidade de uma integração mais estreita no interior de uma comunidade mais pura, por consentimento, se possível, pela violência excludente, se necessário;
6 - A necessidade da autoridade de chefes naturais (sempre de sexo masculino), culminando num comandante nacional, o único capaz de encarnar o destino histórico do grupo;
7 - A superioridade dos instintos do líder sobre a razão abstrata e universal;
8 - A beleza da violência e a eficácia da vontade, sempre que voltadas para o êxito do grupo;
9 - O direito do povo eleito de dominar os demais, sem restrições provenientes de qualquer tipo de lei humana ou divina, o direito sendo decidido por meio do critério único das proezas do grupo no interior de uma luta darwiniana.

A forma como o termo é utilizado hoje, especificamente aqui no Brasil, descaracterizou portanto sua  significação original, equivalendo a qualquer palavra de natureza pejorativa, por exemplo: corno, veado, vadia, canalha, imbecil, ignorante, puta, coxinha, petralha etc. Como bem escreveu o genial Nelson Rodrigues: cada época tem suas palavras encantadas. No tempo de Dumas velho, era "cáspite". Ninguém sabe, até hoje, o que se esconde por trás de "cáspite". Em nossos dias temos o famigerado "fascista", embora poucos dos que dele fazem uso mal sabem o significado de  "o pai dos burros".

É isso!


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Por: Iba Mendes (Março, 2017)

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Referência bibliográfica:
Robert O. Paxton, em "A Anatomia do Fascismo". Tradução: Patrícia Zimbres e Paula Zimbres. Editora Paz e Terra. São Paulo, 2007.         

Vitrines sexuais


 Vitrines sexuais

Dentre os inúmeros modismos que surgiram nos últimos anos, um deles recai sobre a sexualidade, ou mais especificamente sobre a opção sexual de determinada pessoa. Rotineiramente chegam ao público notícias de celebridades que, de um dia para o outro, decidem alardear ao mundo sua preferência sexual entre quatro paredes. Com outras palavras: resolvem "sair do armário".

Os anúncios geralmente vêm acompanhados de desabafos solenes que se mesclam com sentimentos de heroísmo e orgulho. "Sou uma lésbica poderosa, falo isso com muito orgulho e tranquilidade", afirmou a cantora Daniela Mercury... "Eu tenho orgulho de dizer que sou homossexual e sou abençoado por ser quem eu sou", escreveu o ex-Menudo Ricky Martin...

A atitude, ao que parece, objetiva a "libertação" de um sentimento opressivo, o qual desgasta e faz sofrer. Serviria assim como uma espécie de "terapia" para amenizar os efeitos corrosivos do preconceito social de uma maioria que insiste em tratar a homossexualidade como uma doença repulsiva.

Se por um lado tal comportamento parece louvável e até legitimado, por outro revela-se absolutamente imaturo e desnecessário. E a razão é simples: o que adultos livres fazem entre si, em particular, é problema deles. Não necessita ser justificado — nem deve ser condenado...

A par disto, não me interessa saber se o meu cantor preferido (ator, escritor, artista etc.) faz sexo anal ou oral, se pratica sadomasoquismo ou poliamor, se já leu o "Kama Sutra" ou "Cinquenta tons de cinza", se frequenta Sex Shop ou clubes de swing, se tem fetiche por pés ou por barbas, se é dado à coprofagia ou à corpopraxia, se prefere "frango assado" ou "anjo esquartejado", se faz "de ladinho" ou "em pé", se é gay ou lésbica etc., etc., etc. O que de fato me interessa é se ele representa bem o seu papel: seja cantando, seja representando, seja escrevendo... Não preciso saber de suas preferências sexuais, não faço a menor questão de conhecer sua intimidade entre quatro paredes, de suas bizarrices e de suas loucuras na cama. De resto sobra a vaidade de quem se expõe e o ridículo de quem se importa com isso.



É isso!


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Por: Iba Mendes (Março, 2017)
 

9/01/2016

Alienação cidadã



Alienação cidadã

“70% de cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha - por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado. ”

Machado de Assis,
em uma crônica de 15/08/1876

Cento e quarenta anos se passaram desde a crônica de Machado de Assis, e ao que se pode constatar a coisa se inverteu para pior. Hoje é possível afirmar que 70% de cidadãos sabem exatamente porque votam, e aí reside o terrível drama. Votam por questão de consciência, para mudar o Brasil, para tornar mais justa a condição social da nação, para melhorar a segurança, a saúde e a educação...  Muitos são capazes de citar parágrafos inteiros da Constituição, e até cospem cidadania pelas redes sociais. Acreditam piamente que a situação do país pode ser transformada através do voto. Nas páginas dos jornais, cientistas políticos enfatizam a importância do sufrágio universal. Na televisão e na Internet as propagandas buscam estimular o cidadão a votar consciente e com responsabilidade: “Voto não tem preço, tem consequência”. / “Seu voto, nosso futuro”. / “Nesta máquina você pode escolher o seu destino”. / “Seu voto pode mudar a história” etc. Enquanto isso os políticos tiram ouro do nariz e riem até cuspir o fígado de toda essa estúpida cidadania.

Desde 1989 que o povo escolhe o presidente da República por meio do voto direto. São mais de 20 anos de pleno exercício da cidadania: 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014.... Quais foram, enfim, os resultados de tantos votos conscientes ao longo de todas essas décadas? O que exatamente mudou no Brasil em todo esse tempo? Houve redução da violência? Tivemos melhorias na saúde? A nossa educação atingiu o nível da dignidade? A corrupção foi minimamente controlada?

A resposta é um escandaloso NÃO!

Então por que, afinal, insistimos nesta mesma tolice de que o voto pode mudar alguma coisa neste país?  O que realmente move uma pessoa com certo nível de consciência da realidade a se perseverar em tamanha fraude? O que de fato leva alguém a se sentir realizado votando numa instituição política concebida por políticos em benefício exclusivo da própria política? Como é possível que um cidadão íntegro e moralmente consciente não se sinta envergonhado em contribuir para a manutenção de um sistema tão propenso à corrupção como este?

Em partes isso pode ser explicado pelo simples viés da esperança: pela vontade de ver a nação transformada, pelo desejo de viver num país socialmente mais justo, pela expectativa de que o candidato honesto faça a diferença etc.  A realidade, porém, é que fomos histórica e inconscientemente manipulados. Contaram uma mentira para nós, repetiram-na tão exaustivamente e com tão virtuosos enfeites que até achamos um absurdo duvidar do poder do voto.

Isso é simplesmente tudo o que eles querem!

Os nossos votos é o que mantêm suas boas vidas; é o que assegura o estudo do filho na Europa ou a viagem da amante aos Estados Unidos; é o que lhes dão sítios em Atibaia, tríplices em Guarujá e confortáveis viagens em jatinhos executivos, helicópteros, monomotores e ultraleves; é o que os fazem usufruir de uma aposentadoria precoce e de tantos outros privilégios, tais como nomeações de amigos, imunidade parlamentar, verbas de gabinete, cotas para serviços diversos, auxílio-moradia, carga horária reduzida, carros de luxo, hotéis e restaurantes 5 estrelas; é, enfim, com os nossos votos que eles se perpetuam no poder como hidras genealógicas, sem Hércules que as destruam.  

Mas, o que afinal se pode fazer para tentar mudar esta caótica realidade?

É preciso ressaltar que o problema não reside na política em si, mas na forma como ela se efetua no Brasil. Com leis tão brandas para os políticos, com uma organização partidária parasita e com um sistema eleitoral autoritário, não se pode vislumbrar luz no fim do túnel. O voto nulo é o passo inicial para fazer despertar na classe política algum interesse por mudanças. Ele nos servirá como uma forma de boicote a este sistema podre e devasso, que se mostrou ao longo dos anos num porto seguro dos corruptos.



É isso!


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Por: Iba Mendes (Agosto, 2016)

8/30/2016

O crente Ariano e o ateu Caetano





O crente Ariano e o ateu Caetano
“É a responsabilidade moral do homem que implica a impossibilidade de Deus”, escreveu Caetano Veloso num artigo publicado no jornal Folha de São Paulo de 22 de novembro de 1999. Com o título "Dostoiévski, Ariano e a pernambucália", o cantor e compositor baiano tentava refutar um texto do escritor pernambucano Ariano Suassuna, intitulado "Dostoiévski e o mal", publicado pelo referido periódico, no dia 28 de setembro do mesmo ano. Tomando por base uma frase da personagem Ivan Karamazov, de Dostoiévski (“Se Deus não existe, tudo é permitido”), o autor de o "Auto da Compadecida" chegou a seguinte conclusão: “Vejo que nem tudo é permitido, então Deus existe”. Para Ariano, o lema tropicalista “É proibido proibir”, usado pelo compositor baiano numa canção de 1968, fundamentava-se numa ética libertária do prazer. Segundo o raciocínio do saudoso escritor, se alguém, imbuído de tal motivação, saísse por aí matando travestis e homossexuais, poderia, pela lógica do “É proibido proibir”, justificar seu ato como um simples exercício de prazer.
Pois bem. No seu artigo, Caetano Veloso, sob o “amparo” de Sartre, ateu convicto, demonstrou o seu também ateísmo com a seguinte assertiva: “Então Deus existe porque Ariano vê que nem tudo é permitido? Que diabo de lógica é essa? É a mesma que deixar à vontade para tomar como universal a certeza de que toda moral deduz-se da ideia de um Deus único e absoluto. Isso simplesmente é uma agressão à história e à razão. Antes do surgimento do Deus de Moisés e de Abraão, o homem já desenvolvera normas morais. E, quanto ao ato de matar homossexuais simplesmente por serem homossexuais, no Ocidente não se poderia sequer imaginar tal coisa antes que Roma adotasse o Deus único dos cristãos”. Num outro trecho de seu artigo, o mesmo compositor escreveu: “Em primeiro lugar, eu posso dizer que sou ateu”.
Pessoalmente considero as discussões sobre a existência ou não existência de Deus como inútil e desnecessária. Sim, pois, se Deus não pode ser provado em tubos de ensaio, a sua inexistência também não pode ser testada in vitro. Seja qual for a tese, nunca se há de chegar a uma conclusão razoável.  Ora, qual a necessidade do crente provar Deus se a fé, como diz a Bíblia, "é a certeza das coisas que se não veem"? Qual a lógica mais razoável, afinal: provar Deus pelo método científico ou deixar que ele mesmo se faça provar? Por que essa imperiosa necessidade de se prová-lo, supondo que ninguém lhe tenha perguntado se deseja ser “provado”? Por que não estabelecer a fé como único parâmetro para se chegar a ele? Quanto ao ateu, por que todo esse vão esforço em querer provar a não existência do que não existe? Onde fica a lógica, afinal? Por que não deixar, enfim, que o fluir do tempo o conduza ao mar do esquecimento?
Para finalizar, deixo aqui para reflexão um texto do agnóstico Stephen Jay Gould, extraído do seu livro “Pilares do Tempo: ciência e religião na plenitude da vida”:
“Não vejo como a ciência e a religião podem ser unificadas, ou mesmo sintetizadas, sob qualquer esquema comum de explicação ou análise; mas tampouco entendo por que as duas experiências devem ser conflitantes. A ciência tenta documentar o caráter factual do mundo natural, desenvolvendo teorias que coordenem e expliquem esses fatos. A religião, por sua vez, opera na esfera igualmente importante, mas completamente diferente, dos desígnios, significados e valores humanos - assuntos que a esfera factual da ciência pode até esclarecer, mas nunca solucionar. De modo semelhante, enquanto os cientistas devem agir segundo princípios éticos, alguns específicos à sua profissão, a validade desses princípios nunca pode ser deduzida das descobertas factuais da ciência”.

É isso!

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Por: Iba Mendes (2004)

Em nome de deus..



Em nome de deus...

Em seu belíssimo conto “A morte da porta-estandarte”, Aníbal Machado narra um episódio banal do velho Carnaval do Rio de Janeiro: um crime passional movido pelo ciúme. Banal é o acontecimento, não a maneira de o contar, que é a de quem conhece intimamente a alma humana.

A narrativa gira em torno do assassinato da porta-estandarte (moça que leva o estandarte da escola de samba durante o desfile), uma mulata chamada Maria Rosa. O assassino, o namorado, é um negro sem nome, o qual parece sugerir a figura do homem comum, que de um momento para outro se deixa dominar por uma fúria avassaladora e sem explicação, indo parar nas páginas dos jornais.

A certa altura alguém grita: – Mataram uma moça!

A notícia, que viera da esquina da Rua Santana, circulou depois em torno da Escolha Benjamin Constant, corria agora por todos os lados alarmando as mães.
– Mataram uma moça! – comentava-se dentro dos bares. – Mataram, sim, mataram uma moça!…
 – Que maldade matarem uma moça assim, num dia de alegria! Será possível?…
– Mas mataram, sim senhora, garanto que mataram!…
– Como é o tipo dela? O senhor viu?
– Me disseram que é morena, de uns dezenove anos, por aí…
– Morena? Dezenove anos!… Ai, meu Deus! é capaz de ser a minha filha!… Diga depressa como é o tipo do rosto dela…

O nome da vítima até então era desconhecido, daí o desespero e a ansiedade das mães, cujas filhas também se divertiam pelas ruas da cidade.

As mães todas se levantam e saem a campear as filhas. O clamor de umas vai despertando as outras. Cada qual tem uma filha que pode ser a assassinada. Rompem a multidão, varam os cordões, gritam por elas. Os noivos são ferozes, os namorados prometem sempre matá-las.

Ao dar-se pelo cadáver da moça, uma das mães solta um grito de alegria.

– Ah, eu pensava que fosse a Raimunda! Graças a Deus que não foi com minha filha! Escapaste Raimunda!

A sensação de alívio desta mãe ao descobrir que a assassinada não era a própria filha, longe de ser mera peça de ficção, é a expressão real de um sentimento que frequentemente se passa no coração humano quando diante da tragédia alheia.  

Entre nós a frase “Graças a Deus que não foi com minha filha!” tem seus muitos equivalentes, e pode ser substituída por outras como: Graças a Deus eu não estava naquele avião!, Graças a Deus eu não moro naquele país!, Graças a Deus eu não fumo e por isso não  morrerei de câncer de pulmão! Etc. etc. etc.  Alguns ousam muito mais e até agradecem contritamente a Deus por não ser cego como Fulano ou por não ter nascido aleijado como Sicrano. Um ônibus com 21 pessoas sofre um terrível acidente. Dentre estas apenas uma sobrevive. Não demora muito e logo aparece alguém com a explicação: Foi um milagre de Deus! A doença do outro é o que justifica a minha saúde; a tragédia na casa do vizinho é a prova de que na minha reina a proteção divina. Em tudo isso, deus torna-se apenas um pretexto para dissimular o próprio egoísmo e a vaidade íntima. Mas a coisa não cessa por aí.... Há aqueles que vão mais além e, no alto de sua soberba espiritual, atribui o mal do outro à falta de fé ou a descrença em Deus. Recentemente o ator Edson Celulari anunciou que estava com uma espécie de câncer.  Não tardou e logo apareceram alguns para dizerem que a terrível doença do artista era o resultado de um castigo por ter ele “zombado” de Deus no papel que fizera na minissérie “Decadência”, transmitida pela Rede Globo em 1995.

A existência dessas pessoas é a prova da inexistência do próprio deus em que acreditam. Criam para si deuses conforme suas próprias conveniências. Ora o deus de vingança que condena o colega blasfemador, ora o deus da misericórdia que o livra de um acidente. Se é o descrente que fica doente, é porque ele pecou contra deus; se porventura é o crente que cai de cama, é porque deus está provando sua fé. No fim de tudo, sempre acham um jeito de enfiar o nome de deus em algum lugar, seja para justificar o mal que atingem os outros, seja para se regozijar com o bem que alcança, seja ainda para justificar as agruras de que são acometidos e das quais não podem se livrar com orações e jejuns.  Uma simples dor de cabeça que se cura com uma Doril, transforma-se para tais pessoas num verdadeiro milagre de deus. Um terremoto no Japão é um sinal de deus para os fins dos tempos. “Deus” é a panaceia de que fazem uso para ostentar sua própria vaidade. É o tudo que preenche os seus nadas.

É isso!


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Por: Iba Mendes (Agosto, 2016)