sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Esquerda antes de Lula

A Esquerda antes de Lula

O governo Lula assinalou o fim do encanto da esquerda brasileira.

Ser da Esquerda antes de Lula era estar ao lado de uma sociedade mais igualitária e mais justa do ponto de vista social; era ser intelectualmente superior e culturalmente requintado. Daí a quase total adesão dos intelectuais aos ideais socialistas. Era como se fosse uma simples questão da lógica. Apenas um retrógrado de mentalidade servil se enveredaria por outro caminho.

Ser da Esquerda antes de Lula era acreditar na liberdade e no sonho de um Brasil melhor; era o imperativo da lucidez e do bom senso. Havia a expectativa de transformações profundas no país, com menos opressão ao pobre e menos exploração aos trabalhadores.

Ser da Esquerda antes de Lula era defender ideais de justiça e lutar em prol do respeito à dignidade humana; era advogar no interesse das minorias e dos menos privilegiados socialmente. Grandes intelectuais, incluindo aí escritores, poetas, cantores, atores e professores universitários, engajaram-se na defesa da coletivização dos meios de produção e de distribuição etc.

Ser da Esquerda antes do Lula era presumir grandes mudanças na forma de fazer política e no modo de se gastar o dinheiro público; era ter esperança no futuro e ficar à espera do novo em todos os âmbitos da nação. O socialismo era uma espécie de axioma ou premissa cuja fundamentação era a verdade absoluta, para a qual não podia haver nenhuma contestação.

Aí veio o Lula e com ele a decepção, a revolta, o sentimento de tristeza generalizado, a frustração e a sensação de pleno abandono. O Lula deixou viúva toda essa geração. Agora lhes restam o vazio da incerteza, a angústia da desilusão, o suicídio ideológico, a revolta do nada. Em síntese: o desencanto.

Alguns ainda resistem; outros se converteram à Direita e passaram a militar por ela; e há aqueles que simplesmente ficaram ambidestros, atuando em ambos os lados.

Pessoalmente optei pelo ceticismo político. Vejo a Esquerda e a Direita brasileira como da mesma matéria fecal. Afasto-me para não me acostumar com sua fedentina. Em calão ainda mais baixo:  essa merda não cheiro mais! 

É isso!

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