quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Geração Hamster


"Geração Hamster"

Dentre os inúmeros transtornos psicológicos que floresceram nesses novos tempos, um deles foi denominado de vigorexia (também chamado de Síndrome de Adonis). Segundo definição do Michaelis, trata-se de um distúrbio de percepção da imagem corporal que leva algumas pessoas, geralmente as do sexo masculino, à prática exagerada da atividade fisiculturista. Dos muitos sintomas relacionados à nova doença, destacam-se: a depressão, o sentimento de inferioridade e a restrição alimentar obsessiva (anorexia).

Geralmente a saúde é o grande pretexto para muitos dos frequentadores de academias.  A realidade, porém, tem mostrado que a motivação primária reside no ideal de um “corpo perfeito” (fitness) ou ao menos na tentativa de se aproximar do referencial estético projetado pela indústria da moda e alardeado pela mídia em geral. A nova doença, portanto, insere-se num contexto histórico de tempos líquidos marcados por incertezas e incógnitas absolutas, em que o corpo (o físico) é muito mais superestimado que a mente (as ideias). O resultado de tudo isso é a explosão de um certo tipo de imbecilidade narcisista que transforma o ser humano em meros bíceps e nádegas andantes, o que se pode constatar facilmente no universo das redes sociais. É claro que não se pode generalizar. Trato aqui apenas dessa aberração moderna que se apresenta como sinônimo de “boa forma”, quando na verdade é tão somente a explicitação de uma espécie de carência mórbida, cujo pano de fundo é a vontade desesperada por atenção. É como se dissessem: “Ei, mundo!... estou aqui!... olhem pra mim!... eu existo!... curtam minha página!...” etc. 

Eis aí a "geração hamster", cuja principal característica é um tipo de adestramento baseado num estilo de vida repetitivo e no reflexo do espelho. Uma geração que busca a felicidade em "gaiolas" e que se deixa consumir numa busca inútil pelo fútil. No fim de tudo, porém, restará apenas a consciência, que é o que nos tornam verdadeiramente belos.



É isso!


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Por: Iba Mendes (Agosto de 2016)

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