terça-feira, 30 de agosto de 2016

Machado de Assis e a liberdade religiosa



Machado de Assis e a liberdade religiosa

Embora fosse tradicionalmente católico, Machado de Assis era dotado de grande tolerância por qualquer manifestação de fé. Em uma de suas deliciosas crônicas, de 22 de novembro de 1864, publicada num jornal carioca, ele faz menção de um caso ocorrido naquele mesmo ano, no qual um vendedor de Bíblia, um evangélico metodista, tinha sido quase que linchado por uma turba católica (na época o catolicismo era religião oficial do Brasil). Machado critica veementemente o jornal católico “O Cruzeiro”, que condenou o governo por este ter protegido o vendedor contra a ira popular dos religiosos: “Nada do que diz o Cruzeiro é novo; mas nem por isso deixa de ser lamentável que se imprimam coisas tais em um país onde a liberdade religiosa, se não é completa, está já adiantada”. No dia 29 de novembro do mesmo ano, ele fez uma dura crítica à constituição vigente na época: “O defeito da constituição está em não ter completado a liberdade, tirando os entraves que lhe impõe, e em declarar a religião católica como religião do Estado”. E continua: “No dia em que se tiver saído da tolerância para a liberdade completa, teremos dado o último passo neste assunto. Que os leitores me permitam a figura, - a tolerância assemelha-se a uma gaiola de papagaio, aberta por todos os lados, sem aparências mesmo de gaiola, mas onde a ave fica presa por uma corrente que lhe vem do pé ao poleiro. Quebre-se a corrente, uma vez por todas, e dê-se a liberdade ao pobre animal. Um sistema político como o nosso que, a pretexto de proteger os rouxinóis, protege cem papagaios por cada rouxinol, parece incrível que nutra tanta aversão a este judicioso conselho”.
Não é à toa que Machado de Assis é o nosso maior e melhor escritor. Além da perfeição estilística de que se servia, era também um profundo conhecedor da alma humana. Seus contos é a expressão mais pura do que foi a realidade brasileira e do que ela se tornou ao longos dos anos. A quem ainda não se aventurou no universo literário machadiano, vai aqui como dica os seguintes contos de sua autoria: O Alienista, O Enfermeiro, Pai contra mãe, Teoria do Medalhão, Verba Testamentária, O Espelho, A Cartomante, Uns braços, O caso da vara, Missa do galo, Noite de Almirante
Só para começar...


É isso!


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Por: Iba Mendes (2005)

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