segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O risco da arte engajada










O risco da arte engajada

Às vésperas do impeachment de Dilma Rousseff, alguns artistas e intelectuais brasileiros lançaram uma carta de apoio a ex-presidente. O texto subscrito por nomes como Vagner Moura, Caetano Veloso, Chico Buarque, Camila Pitanga, Marieta Severo, entre outros, é a repetição do que já se vem dizendo desde o início do processo político e  nada acrescenta à nova realidade do país.

Não vou discutir o mérito ou o demérito do tal documento. A minha ênfase recai num ponto que considero de grande relevância para uma boa discussão, que é o engajamento de artistas e intelectuais a causas políticas. Quanto a isso, pouco me importa se vão para a Direita, se perambulam pela Esquerda ou se permanecem estacionados no Centro. Ao fim de tudo, o resultado é um só: o descrédito do artista e o desprestígio de sua arte.

A razão é simples.

Ao alistar-se ideologicamente a uma causa política, o artista limita sua arte a um determinado público, o que implica em perder a simpatia (ou respeito) da outra parcela da coletividade, algo incongruente com a essência da própria arte, que não possui cor ideológica.  Ademais, um compromisso assumido com um político pode acarretar danos morais irreparáveis a este mesmo artista, caso se venha provar que o agente público se tinha metido em falcatruas. É um risco que o bom senso não deveria assumir na mais otimista das hipóteses.

A arte engajada politicamente é uma arte limitada no tempo e na história. Um exemplo emblemático recai na pessoa do músico alemão Richard Wagner, que abraçou ideologicamente a causa antissemita. Em seu livro “O Judaísmo na Música”, escreveu: “O judaísmo é a consciência diabólica de nossa moderna civilização. ”  Passados séculos a imagem do artista permanece associada aos ideais nazistas, sendo sua obra denominada por muitos como a “trilha sonora do holocausto”.  No Brasil temos o exemplo do cantor e compositor Chico Buarque, um dos maiores artistas do país, cuja imagem segue atrelada ao regime cubano e toda a horda esquerdista que ainda se mantêm no poder.  Outro exemplo, embora de menor vulto, diz respeito ao roqueiro Lobão, que também se alistou, porém, pelos ideais da Direita brasileira. Ao se alinharem politicamente, tais artistas não apenas comprometeram sua imagem, como, outrossim, perderão público e dinheiro. O preço maior, porém, será cobrado pela história, que não perdoará suas biografias.



É isso!


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Por: Iba Mendes (Agosto, 2016)

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Adoro ler seus posts, sempre têm algo à acrescentar.
    Continue com esse ótimo trabalho!

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    1. Oh, meu amigo!
      Obrigado pela visita e pela gentilezas das palavras. Abraços...

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