quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Reinaldo Azevedo e a síndrome do pavão espalhafatoso


Reinaldo Azevedo e a síndrome do pavão espalhafatoso


Há de nascer no Brasil um gênio tão versátil quanto o de Reinaldo Azevedo!

Sua capacidade de perambular pelas mais diversas esferas do saber, é de fazer arrepiar cabelos até em carecas. Embora tenha formação em Letras, é capaz de tratar com desenvoltura de Física Quântica a estratégias de guerras, não obstante priorizar com mais aferro as matérias relacionadas à jurisprudência.

Conhecido na imprensa por suas críticas mordazes ao lulopetismo, sempre teve sua imagem atrelada ao que de mais radical existe na Direita brasileira, sendo por isso rotulado pejorativamente de "rottweiler", ao que objetou afirmando ser apenas um "rottweiler amoroso".  É dele o neologismo "petralha", que é uma derivação de "petista" com "Irmãos Metralha" (The Beagle Boys), designando um indivíduo sem escrúpulo, o qual não vacila em cometer todo e qualquer ato marginal à lei, como usurar, mentir, extorquir, ameaçar, chantagear, roubar, corromper etc. (“Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa”)

Em consequência de suas opiniões inflexíveis e por seu espírito notadamente polemista, granjeou em torno de si muitos desafetos, inclusive alguns do âmbito do seu próprio círculo ideológico, como o deputado Jair Bolsonaro e o filósofo Olavo de Carvalho, a quem denominou de "decadente e derrotado": " Só não digo que Olavo perdeu porque nunca houve a hipótese de ele ganhar. Este senhor lançou-se no mundo das ideias como astrólogo e vai terminar como prestidigitador, escondendo e tirando imposturas da cartola. Outro dia alguém me perguntou se ele era mesmo de extrema direita. Nem isso. É um extremista do oportunismo". Com isso ele busca esquivar-se da injusta pecha de "conservador extremista", ao mesmo tempo em que se faz apresentar como um "pensador independente", o qual não se vincula ideologicamente com os tipos caricatos do direitismo brasileiro.

Não obstante sua inegável habilidade com a palavra escrita, é frequente descompor o verbo quando na defesa do que considera correto, principalmente se o "correto" estabelece alguma relação com os seus amigos. Em maio de 2015, por exemplo, escreveu um artigo em que criticava duramente o governador Tião Viana (Acre), chamando-o de "coiote", por este enviar a São Paulo uma leva de imigrantes haitianos. O resultado foi um processo por parte do político petista, culminando numa condenação de 20 mil reais, ainda em primeira instância.

Mais recentemente o ilustre jornalista deixou enveredar-se pela crítica contundente a notáveis figuras da Lava-Jato, justificando seu pendular comportamento pelo viés da "literalidade constitucional". A frequência com que tem insistido no assunto desagradou a um grande número de admiradores, que o acusam de ter guinado para a Esquerda. Nas redes sociais, os elogios outrora tão constantes foram substituídos por xingamentos e desconexas acusações.  Ele, porém, parece não se incomodar nem um pouco com toda essa balbúrdia virtual, fazendo questão de realçar que tem quatro empregos e que não se importa com alaridos: " escrevo e falo o que quero, não o que querem que eu escreva e fale".

Ao que se afigura, porém, a questão da "legalidade" para Reinaldo Azevedo vai muito além do seu mero apreço pela Constituição.  A reboque da simples vaidade pessoal e de seu exacerbado egocentrismo, correm por fora interesses relacionados à própria atividade que exerce, na qual fica sujeito a excessos dessa mesma "legalidade". Ao se colocar contra a condenação em segunda instância, por exemplo, ele busca preservar-se de eventuais condenações e, por conseguinte, preservar àqueles a quem tanto estima. Obviamente que legalidade e moralidade nem sempre se amalgamam. Em outras palavras: "nem tudo que é legal é moral".

Reinaldo Azevedo (assim como muitos outros jornalistas da imprensa brasileira) está visceralmente comprometido com determinado facciosismo político, o que torna suas opiniões, posto que bem escritas, altamente inconfiáveis e alienantes. Junte-se a isso sua bipolaridade verbal que absolve e condena ao mesmo tempo, e sua síndrome de pavão espalhafatoso que o faz se sentir ao mesmo tempo o rei Salomão e a Lady Gaga. Certamente ele não será um Carlos Lacerda!

É isso!

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Por: Iba Mendes (Novembro, 2016)

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