domingo, 26 de fevereiro de 2017

Luiz Felipe Pondé, grosso modo...



Luiz Felipe Pondé, grosso modo...

Dentre os muitos "formadores de opinião" que ganharam destaque com o advento da Internet, especialmente das chamadas "redes sociais", Luiz Felipe Pondé parece desvirtuar-se daquele tipo caricato, tipicamente de Esquerda e que se reproduz em série nas grandes universidades. 

No que se diz respeito aos grandes temas que norteiam a sociedade brasileira, tem demonstrado em seus escritos e em suas entrevistas uma certa independência que lhe tem rendido o rótulo de "filósofo da Direita", notadamente por suas posições, digamos, "mais conservadoras". Conforme ele mesmo escreveu em "Contra um Mundo Melhor": "Em matéria de sentido, prefiro os antigos: Deus, a fidelidade, a castidade, a culpa, a disciplina, a família, o medo, Shakespeare, a Bíblia, a Ilíada. Rejeito todos os novos sentidos: a democracia como religião moderna, a revolução sexual, que não passa de puro marketing de comportamento (continuamos a mentir sobre o sexo e a ser infelizes), a sustentabilidade (nova grife para o ambientalismo), a cidadania, a igualdade entre os homens, uma alimentação balanceada, o fascismo dos direitos humanos, enfim, tudo o que os idiotas contemporâneos cultuam em seu grande cotidiano".

Outro aspecto que se pode realçar em Pondé refere-se a sua postura "politicamente incorreta", com a qual aborda temas polêmicos sem se preocupar em afrontar os dogmas acadêmicos dominantes, por exemplo, quando trata de religião, política, família, mulher, sexo etc. Sobre este último assunto, travou polêmica ao afirmar numa entrevista que o "Viagra fez mais pelos humanos que o marxismo"...

Grosso modo, fazendo uso de um jargão comum do próprio filósofo, se tivesse de defini-lo numa expressão, o denominaria de "realista utópico". Se por um lado ele escancara as relações humanas na sua essência "desumana", isto é, sem a máscara dos ideais historicamente construídos, por outro exagera na formulação de conceitos sobre comportamentos sociais, acoplando-os, em alguns casos, em pressupostos darwinistas, os quais embora tenham lá uma estética de certo modo até admirável, não podem ser postos à prova num tubo de ensaio.  Em "Filosofia para corajosos", afirmou: "Aprecio muito o darwinismo, entre outras razões, porque considero o Alto Paleolítico (cerca de 30 mil anos atrás) o período áureo da humanidade. Éramos poucos, com uma logística leve, sem luxos e organizações políticas complexas, conhecíamos muito mais nossas necessidades, e éramos muito mais ágeis do que esses macacos que babam em cima das tecnologias da informação. E nossas crianças eram muito mais inteligentes. E nossas mulheres menos histéricas. E os homens menos mesquinhos." Se já é complicado tentar reconstruir acontecimentos históricos mais recentes, o que se dirá de eventos que supostamente teriam ocorridos há milhões de anos e para os quais apenas temos resquícios arqueológicos e muita imaginação!...

Porém entre virtudes e vícios, Pondé tem a rara característica de não pensar o que todos pensam, em ponderar com certa coragem sobre temas intocáveis das relações humanas, em não incorporar aos seus conceitos as fórmulas prontas do pensamento filosófico dominante da elite intelectual brasileira; enfim, pode-se até discutir a profundidade de suas ideias, pode-se também questionar o caráter mercadológico delas,  mas isso em si não diminui sua importância num cenário filosófico dominado pelo monótono, pelo unilateral e pelo politicamente correto.


É isso!


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Por: Iba Mendes (São Paulo, fevereiro de 2017)

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