quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Última corrida de touro em Salvaterra (Conto), de Rebelo da Silva


Última corrida de touro em Salvaterra

Pesquisa e atualização ortográfica: Iba Mendes (2017)
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O senhor d. José, primeiro do nome, era em Salvaterra um rei em férias. A verdade é que os maldizentes notavam, em segredo, que sua majestade em Lisboa estava sempre ao torno e o marquês de Pombal no trono. O prolóquio fundava-se na habilidade mecânica do monarca como torneiro, e no caráter dominador do marquês como ministro.

Vicejavam os campos em plena primavera. A amendoeira cobria-se de flores, os bosques enfolhavam-se, as veigas vestiam-se e matizavam-se, e a brisa doidejava indiscreta arregaçando o lenço à donzela que passava, ou roubando um beijo à rosa perfumada. Tudo eram alegrias e cânticos... os rouxinóis nas moitas, o coração nos amores, e a natureza nos sorrisos ao sol esplêndido que a dourava.

Uma tourada real chamara a corte a Salvaterra. Os fidalgos respiravam nestas ocasiões menos oprimidos. Não os assombrava tão de perto a privança do ministro. Os touros eram bravos, os cavaleiros destros, o anfiteatro pomposo, e o cortejo das damas adorável. O prazer ria na boca de todos. Por cúmulo de venturas o marquês de Pombal ficara em Lisboa, retido pelo conflito com o embaixador de Espanha.

Contava-se em segredo nos recantos do palácio o diálogo travado entre o enviado castelhano e o secretário de Estado português, louvando-o uns em alta voz, para os ecos daquelas paredes repetirem o elogio, crucificando-o outros sem piedade, para saciarem os ódios. As devotas e os fidalgos puritanos eram pelo espanhol, e pediam a Deus que os rebates da guerra próxima despenhassem o plebeu nobilitado. Os magistrados e os homens de capa e volta defendiam o marquês e respondiam com meios sorrisos às fogosas jaculatórias dos zelosos do trono e do altar. O marquês de Pombal tinha-se negado com firmeza às concessões exigidas imperiosamente pelo governo castelhano.

— Muito bem — atalhou o embaixador —, um exército de sessenta mil homens entrará em Portugal e fará...

— O quê? — perguntara o marquês sorrindo-se com a tremenda luneta assestada e no tom mais indiferente.

— Fará entender a razão e a justiça de el-rei, meu amo, a sua majestade e a vossa excelência! — redarguiu meia oitava acima o espanhol, supondo o ministro fulminado.

Sebastião José de Carvalho franziu as sobrancelhas, carregou a viseira, e cravando a vista e a luneta no diplomata, retorquiu-lhe friamente:

— Sessenta mil homens muita gente é para casa tão pequena, mas, querendo Deus, el-rei, meu amo e meu senhor, sempre há de achar onde possa hospedá-la. Mais pequena era Aljubarrota e lá couberam os que d. João de Castela trouxe. Vossa excelência pode responder isto ao seu governo.

E, levantando-se para despedir o embaixador, acrescentou:

— Bem sabe vossa excelência que pode tanto cada um em sua casa, que mesmo depois de morto são precisos quatro homens para o tirarem!

O embaixador saiu jurando por Dios y la Virgen Santisima e o marquês preparou-se para a guerra. O caso é, como dizia nosso Zeferino na Sobrinha do Marquês, que Sebastião José de Carvalho foi um grande ministro e que fez muito pela nação. Hoje há menos quem responda assim à letra às ameaças dos estrangeiros. Berra-se muito, dorme-se a sono solto ao som dos hinos patrióticos, e depois salva o castelo de madrugada e está salva a pátria!

O marquês de Pombal prezava as artes e protegia e animava as classes médias. Esse pouco, que o reino progrediu deveu-se a ele. Se a indústria nunca acabou de sair da infância, a culpa quase toda foi dos maus governos que sucederam ao seu, e também do povo que não quis trabalhar deveras... Mas vamos aos touros reais. Desses é que o ministro não gostava nada. Queria-os ao arado e não à farpa, e parecia-lhe melhor, que os toureadores, sendo fidalgos, servissem o Estado com a pena ou com a espada, e, sendo mecânicos, que lavrassem, tecessem e ganhassem honradamente a vida, enriquecendo-se a si e à nação.

Mas el-rei d. José, cedendo em tudo ao marquês, quanto aos touros não admitia reflexões. Nisto era rei a valer e Bragança legítimo. Os fidalgos sabiam-no e por isso desfrutavam doces prazeres — a satisfação do gosto nacional, e a contradição da vontade do ministro. Desatendê-la sem perigo e pela mão do soberano era para eles um deleite e um triunfo.

Nestas funções não vigorava a severidade das últimas pragmáticas. Outro motivo de júbilo. Quem queria podia arruinar-se em luxuosos vestidos, enfeites e toucados. As bordaduras e os recantos de ouro, os veludos e sedas de fora, talhados à francesa, resplandeciam constelados de pérolas e diamantes. Por cima dos mais ricos trajes e das mais vistosas cores desenrolavam-se os anéis ondeados das empoadas cabeleiras. As damas ostentavam as graças de seus donaires e tufados, e emoldurando o belo oval dos rostos nos penteados caprichosos sorriam-se para os gentis campeadores, e seus olhos cheios de luz e de promessas estimulavam até os tímidos.

Correram-se as cortinas da tribuna real. Rompem as músicas. Chegou el-rei, e logo depois entra pelos camarotes o vistoso cortejo, e vê-se ondear um oceano de cabeças e plumas. Na praça ressoam com brava alegria as trombetas, as charamelas e os timbres parecem os cavaleiros, fidalgos distintos todos, com o conto das lanças nos estribos e os brasões bordados no veludo das gualdrapas dos cavalos. As plumas dos chapéus debruçam-se em matizados cocares, e as espadas em bainhas lavradas pendem de soberbos tabus. Os capinhas e forcados vestem com garbo à castelhana antiga. No semblante de todos brilha o ardor e o entusiasmo.

O conde dos Arcos, entre os cavaleiros, era quem dava mais na vista. O seu traje, cortado à moda da corte de Luís XV, de veludo preto, fazia realçar a elegância do corpo. Na gola da capa e no corpete sobressaíam as finas rendas da gravata e dos punhos. Nos joelhos as ligas bordadas deixavam escapar com artifício os tufos de cambraieta alvíssima. O conde não excedia a estatura ordinária; mas esbelto e proporcionado, todos os seu movimentos eram graciosos. As faces eram talvez pálidas demais, porém animadas de grande expressão, e o fulgor das pupilas negras fuzilava tão vivo e por vezes tão recobrado, que se tornava irresistível. Filho do marquês de Marialva, e discípulo querido de seu pai, do melhor cavaleiro de Portugal, e talvez da Europa, a cavalo, a nobreza e a naturalidade do seu porte enlevavam os olhos. Ele e o corcel, como que ajustados em uma só peça, realizavam a imagem do centauro antigo.

A bizarria com que percorreu a praça, domando sem esforço o fogoso corcel, arrancou prolongados e repetidos aplausos. Na terceira volta, obrigando o cavalo quase a ajoelhar-se diante de um camarote, fez que uma dama escondesse turvada no lenço as rosas vivíssimas do rosto, que decerto descobririam o melindroso segredo da sua alma, se em momentos rápidos como o faiscar do relâmpago pudesse alguém adivinhar o que só dois sabiam.

El-rei, quando o mancebo o cumprimentou pela última vez, sorriu-se, e disse voltando-se:

— Por que virá o conde quase de luto à festa?

Principiou o combate.

Não é propósito nosso descrevermos uma corrida de touros. Todos têm assistido a elas e sabem de memória o que o espetáculo oferece de notável. Diremos só que a raça dos bois era apurada, e que os touros se corriam desembolados, à espanhola. Nada diminuía, portanto, as probabilidades do perigo e a poesia da luta.

Tinham-se picado alguns bois. Abriu-se de novo a porta do curro, e um touro preto investiu com a praça. Era um verdadeiro boi de circo. Armas compridas e reviradas nas pontas, pernas delgadas e nervosas, indício de grande ligeireza, e movimentos rápidos e bruscos, sinal de força prodigiosa. Apenas tocara o centro da praça, estacou como deslumbrado, sacudiu a fronte e escarvando a terra impaciente, soltou um mugido feroz no meio do silêncio, que sucedera às palmas e gritos dos espectadores. Dentro em pouco os capinhas, salvando a pulos as trincheiras, fugiam a velocidade espantosa do animal, e dois, ou três cavalos expirantes denunciavam a sua fúria.

Nenhum dos cavaleiros se atreveu a sair contra ele. Fez-se uma pausa. O touro pisava a arena ameaçador e parecia desafiar em vão um contendor. De repente viu-se o conde dos Arcos firme na sela provocar o ímpeto da fera e a haste flexível do rojão ranger e estalar, embebendo o ferro no pescoço musculoso do boi. Um rugido tremendo, uma aclamação imensa do anfiteatro inteiro, e as vozes triunfais das trombetas e chamarelas encerraram esta sorte brilhante. Quando o nobre mancebo passou a galope por baixo do camarote, diante do qual pouco antes fizera ajoelhar o cavalo, a mão alva e breve de uma dama deixou cair uma rosa, e o conde curvando-se com donaire sobre os arções, apanhou a flor do chão sem afrouxar a carreira, levou-a aos lábios, e meteu-a no peito. Investindo depois com o touro, tornado imóvel com a raiva concentrada, rodeou-o estreitando em volta dele os círculos até chegar quase a pôr-lhe a mão na anca.

O mancebo desprezava o perigo e pago até da morte pelos sorrisos, que seus olhos fitavam de longe, levou o arrojo a arrepiar a testa do touro com a ponta da lança. Precipitou-se então o animal com fúria cega e irresistível. O cavalo baqueou traspassado e o cavaleiro, ferido na perna, não pôde levantar-se. Voltando sobre ele o boi enraivecido arremessou-o aos ares, esperou-lhe a queda nas armas, e não se arredou senão quando, assentando-lhe as patas sobre o peito, conheceu que o seu inimigo era um cadáver.

Este doloroso lance ocorreu com a velocidade do raio. Estava já consumada a tragédia e não havia expirado ainda o eco dos últimos aplausos.

De repente um silêncio em que se conglobavam milhares de agonias emudeceu o circo. Rei, vassalos e damas, meio corpo fora dos camarotes, fitavam a praça sem respirar e erguiam logo depois a vista a céu como para seguir a alma que para lá voava envolta em sangue.

Quando o mancebo, dobrado no ar, exalava a vida antes de tocar o chão, um gemido agudo, composto de soluços e choro, caiu sobre o cadáver como uma lágrima de fogo. Uma dama desmaiada nos braços de outras senhoras soltara aquele grito estridente, derradeiro ai do coração ao rebentar no peito.

El-rei d. José, com as mãos no rosto, parecia petrificado. A corte desta vez acompanhava-o sinceramente na sua dor.

Mas o drama ainda não tinha concluído. Quem sabe?! O terror e a piedade iam cortar de novas mágoas o peito a todos.

O marquês de Marialva assistira a tudo do seu lugar. Revendo-se na gentileza do filho, seus olhos seguiam-lhe os movimentos brilhando radiosos a cada sorte feliz. Logo que entrou o touro preto, carregou-se de uma nuvem o semblante do ancião. Quando o conde dos Arcos saiu a farpeá-lo, as feições do pai contraíram-se e a sua vista não se despregou mais da arriscada luta.

De repente o velho soltou um grito sufocado e cobriu os olhos, apertando depois as mãos na cabeça. Os seus receios haviam-se realizado. Cavalo e cavaleiro rolavam na arena, e a esperança pendia de um fio tênue! Cortou-lho rapidamente a morte, e o marquês, perdido o filho, luz da sua alma e ufania de suas cãs, não proferiu uma palavra, riem derramou uma lágrima; mas os joelhos fugiam-lhe trêmulos, e a elevada estatura inclinou-se vergando ao peso da mágoa excruciante.

Volveu, porém, em si decorridos momentos. A lívida palidez do rosto tingiu-se de vermelhidão febril subitamente. Os cabelos desgrenhados e hirtos revolveram-se-lhe na fronte inundada de suor frio como as sedas da juba de um leão irritado. Nos olhos amortecidos faiscou instantâneo, mas terrível, o sombrio clarão de uma cólera, em que todas as ânsias insofridas da vingança se acumulavam.

Em um ímpeto a presença reassumiu as proporções majestosas e eretas como se lhe corre nas veias o sangue do mancebo que perdera. Levando por ato instintivo a mão ao lado, para arrancar da espada, meneou tristemente a cabeça.

A sua boa espada, cingira-a ele próprio ao filho neste dia que se convertera para a sua casa em dia de eterno luto.

Sem querer ouvir nada, desceu os degraus do anfiteatro, seguro e resoluto como se as neves de setenta anos lhe não branqueassem a cabeça.

— Sua majestade ordena ao marquês de Marialva, que aguarde as suas ordens! — disse um camarista detendo-o pelo braço.

O velho estremeceu como se acordasse sobressaltado, e cravou no interlocutor os olhos desvairados, em que reluzia o fulgor concentrado dum pensamento imutável. Desviando depois a mão, que o suspendia, baixou mais dois degraus.

— Sua majestade entende que este dia foi já bastante desgraçado e não quer perder nele dois vassalos... O marquês desobedece às ordens de el-rei?!...

— El-rei manda nos vivos e eu vou morrer! — atalhou o ancião em voz áspera, mas sumida. Aquele é o corpo de meu filho! — e apontava para o cadáver. — Está ali! Sua majestade pode tudo menos desarmar o braço do pai, menos desonrar os cabelos brancos do criado que o serve há tantos anos. Deixe-me passar, e diga isto.

D. José vira o marquês levantar-se e percebera a sua resolução. Amava no estribeiro-mor as virtudes e a lealdade nunca desmentidas. Sabia que da sua boca não ouvira senão a verdade, e a ideia de o perder assim era-lhe insuportável. Apenas lhe constou que ele não acedia à sua vontade, fez-se branco, cerrou os dentes convulso, e, debruçado para fora da tribuna, aguardou em ansioso silêncio o desfecho da catástrofe.

A esse tempo já o marquês pisava a praça, firme e intrépido como os antigos romanos diante da morte.

Dentro do peito o seu coração chorava, mas os olhos áridos queimavam as lágrimas quando subiam a rebentar por eles. Primeiro do que tudo queria a vingança.

Por impulso instantâneo, todo o ajuntamento se pôs de pé. Os semblantes consternados e os olhos arrasados de água exprimiam aquela dolorosa contenção de espírito, em que um sentido parece concentrar todos.

Deixai-o ir ao velho fidalgo! A mágoa, que o traspassa; não tem igual. O fogo, que lhe presta vida e forças, é a desesperação. Deixai-o ir, e de joelhos! Saudai a majestade do infortúnio!

O pai angustiado ajoelhou junto do corpo do filho e pousou-lhe um ósculo na fronte. Desabrochou-lhe depois o talim e cingiu-o, levantou-lhe do chão a espada e correu-lhe a vista pelo fio e pela ponta de dois gumes. Passou depois a capa no braço e cobriu-se. Decorridos instantes estava no meio da praça e devorava o touro com a vista chamejante, provocando-o para o combate.

Cortado de emoções tão cruéis, não lhe tremia o braço, e os pés arraigavam-se na arena como se um poder oculto e superior lhos tivesse ligado repentinamente à terra.

Fez-se no circo um silêncio gélido, tremendo e tão profundo, que poderiam ouvir-se até as pulsações do coração do marquês se naquela alma de bronze o coração valesse mais do que a vontade.

O touro arremete contra ele... Uma e muitas vezes o investe cego e irado, mas a destreza do marquês esquiva sempre a pancada.

Os ilhais da fera arfam de fadiga, a espuma franja-lhe a boca, as pernas vergam e resvalam, e os olhos amortecem de cansaço. O ancião zomba da sua fúria. Calculando as distâncias, frustra-lhe todos os golpes sem recuar um passo.

O combate demora-se.

A vida dos espectadores resume-se nos olhos. Nenhum ousa desviar a vista de cima da praça.

A imensidade da catástrofe imobiliza todos.

De súbito solta el-rei um grito e recolhe-se para dentro da tribuna. O velho aparava a peito descoberto a marrada do touro, e quase todos ajoelharam para rezarem por alma do último marquês de Marialva. A aflitiva pausa apenas durou momentos. Por entre as névoas, de que a pupila trêmula se embaciava, viu-se o homem crescer para a fera, a espada fuzilar nos ares e logo após sumir-se até aos copos entre a nuca do animal.

Um bramido, que atroou o circo, e o baque do corpo agigantado na arena, encerraram o extremo ato do funesto drama.

Clamores uníssonos saudaram a vitória. O marquês, que tinha dobrado o joelho, com a força do golpe levantava-se mais branco do que um cadáver. Sem fazer caso dos que o rodeavam, tomou a abraçar-se com o corpo do filho, banhando-o de lágrimas e cobrindo-o de beijos.

O touro ergueu-se, e, cambaleando com a sezão da morte, veio apalpar o sítio onde queria expirar. Ajuntou ali os membros e deixou-se cair sem vida ao lado do cavalo do conde dos Arcos.

Nesse momento os espectadores olhando para a tribuna real estremeceram. El-rei, de pé e muito pálido, tinha junto de si o marquês de Pombal, coberto de pó e com sinais de ter viajado depressa.

Sebastião José de Carvalho voltava de propósito as costas à praça falando com o monarca. Punia assim a barbaridade do circo.

— Temos guerra com a Espanha, senhor. É inevitável. Vossa majestade não pode consentir que os touros lhe matem o tempo e os vassalos. Se continuássemos neste caminho... cedo iria Portugal à vela.

— Foi a última corrida, marquês. A morte do conde dos Arcos acabou os touros reais enquanto eu reinar.

— Assim o espero da sabedoria de vossa majestade. Não há tanta gente nos seus reinos, que possa dar-se um homem por um touro. El-rei consente que vá em seu nome consolar o marquês de Marialva?

— Vá! pai. Sabe o que há de dizer-lhe...

— O mesmo que ele me diria a mim, se Henrique estivesse como está o conde.

El-rei saiu da tribuna, e o marquês de Pombal, entrando na praça em toda a majestade de sua elevada estatura, levantou nos braços o velho fidalgo, dizendo-lhe com voz meiga e triste:

— Senhor marquês! Os portugueses como vossa excelência são para darem exemplos de grandeza de alma e não para os receberem. Tinha um filho e Deus levou-lho. Altos juízos seus! A Espanha declara-nos a guerra, e el-rei, meu amo e meu senhor, precisa do conselho e da espada de vossa excelência.

E travando-lhe da mão, levou-o quase nos braços até o meterem na carruagem.

D. José I cumpriu a palavra dada ao seu ministro. No seu reinado nunca mais se picaram touros reais em Salvaterra.

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