terça-feira, 1 de maio de 2018

Basílio da Gama – Aspectos biográficos


Basílio da Gama – Aspectos biográficos

Texto publicado na revista "Vida Carioca", no ano de 1944. Pesquisa, transcrição e adequação ortográfica de Iba Mendes (2017)
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É este um nome notável na história dos grandes expoentes da mentalidade brasileira tradicional.

Nascido em São José das Mortes, distrito de São José del-Rei, hoje Tiradentes (Minas Gerais), José Basílio da Gama foi um intelectual notável, que se destacou brilhantemente como poeta e literato de indiscutível qualidade.

Aos 12 anos, veio para o Rio de Janeiro, ingressando num colégio de jesuítas; mas, sem inclinação para as coisas religiosas. Por isso, não professou.  Era ainda aparentado com o célebre navegador Vasco da Gama.

Em 3 de setembro de 1759, uma lei da metrópole portuguesa foi baixada, suprimindo a Companhia de Jesus em Portugal e seus domínios, acabando seus institutos e mandando expulsar de todo território português os padres a ela filiados, com exceção dos professos que não quisessem acompanhar seus mestres. Basílio da Gama aproveitou-se desta escapatória e, em 1760, seguiu para Roma onde permaneceu até 1765, sendo ali recebido na Arcádia Romana, com a alcunha de Termindo Sipilio. Depois, embarcou para Lisboa e, no ano de 1767, voltou ao Rio de Janeiro, aqui permanecendo até 1867. Em julho desse mesmo ano, retornou a Lisboa, com a intenção de frequentar a Universidade de Coimbra.

Prenderam-no, ali, e desterram-no para a África, sob suspeita religiosa, por ter pertencido, embora como noviço, à Companhia de Jesus.

Contudo, o Marquês de Pombal veio a perdoá-lo, em atenção ao epitálamo que lhe endereçou, por ocasião das núpcias de sua filha, com augúrios de felicidades para noiva.

Basílio da Gama que, desde há muito idealizara um poema em torno dos sucessos ocorridos no sul do Brasil, em consequência do tratado de limites de 1750, realizou esse desejo, calcando o tema da obra na sujeição dos índios das missões jesuítas do Uruguai, pelo general português Gomes Freire de Andrade. Veio assim à luz da publicidade, sob os auspícios do Marquês de Pombal, O Uruguai, o seu trabalho mais célebre e mais conhecido.

Cinco anos depois, em 1774, Basílio da Gama foi nomeado Secretário de Estado dos Negócios do Reino, fixando residência em Lisboa, tendo ali convivido nas mais autorizadas rodas literárias.

Deram-lhe carta de nobreza e fidalguia, nomeando-o, ainda, escudeiro e cavaleiro fidalgo da Casa da Rainha, onde passou a residir.  Envergou também o hábito de São Tiago da Espanha.

Interveio brilhantemente nas querelas suscitadas a pretexto das novas e velhas tendências literárias, por dois partidos antagônicos, um deles chefiado por Filinto Elísio e outro por Garção.

Basílio da Gama compôs sátiras e descomponendas métricas contra os seus desafetos e foi, igualmente, por eles satirizado e ofendido.

Morreu solteiro, em Lisboa, aos 54 anos de idade, no dia 31 de julho de 1795, deixando cerca de 40 poemas, 30 sonetos, odes, glosas, etc.

O Uruguai, poema épico, divide-se em 5 cantos, com 1402 versos brancos, decassílabos. É uma obra prima, de que Garret disse: "É o moderno poema que mais mérito tem, na minha opinião". O Uruguai teve inúmeras edições brasileiras.

Em 1791, Basílio da Gama publicou o poemeto épico Quitubrá, a respeito das façanhas deste chefe africano em prol dos portugueses nas suas guerras da África.


"Vida Carioca", julho de 1944.

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