quinta-feira, 3 de maio de 2018

Biografia de Bocage


Biografia de Bocage

Manuel Maria Barbosa du Bocage, ou Emano Sadino na Nova Arcádia, nasceu em Setúbal, em 1765. Órfão aos dez anos, com dezesseis assenta praça no Exército e, a seguir, na Marinha, em Lisboa. Gasta então mais do seu tempo numa desenfreada vida boêmia que lhe espicaça o gosto pelo repentismo e lhe confere duvidoso e efêmero prestígio. Enamora-se de Gertrudes, que posteriormente se casaria com seu irmão. Em 1786, parte em viagem para a Índia, como guarda-marinha. Escala no Rio de Janeiro. Vive em Goa e Damão, de onde foge para Macau por dívidas de jogo. Seu amigo Joaquim Pereira de Almeida o recambia para a Pátria, aonde chega em 1790. Integra-se na Nova Arcádia. No ano seguinte, publica as Rimas. Cedo provoca a inveja e a desconfiança, a primeira por seu talento, a segunda pelo fato de nutrir ideais enciclopedistas e libertários. Preso (1797), mais adiante é transferido para o Hospício das Necessidades, onde conhece relativa tranquilidade espiritual. Em liberdade, passa a trabalhar como tradutor para manter-se e à sua irmã.

Bocage é considerado o maior e o melhor poeta árcade da literatura portuguesa. Cultivou a poesia satírica, mas revelou-se um dos grandes sonetistas portugueses em suas composições líricas.

Bocage adotou o pseudônimo de Elmano Sadino. Note que Elmano é o próprio nome Manuel, em forma de anagrama, e Sadino refere-se ao rio Sado, da cidade de Setúbal, onde nasceu o poeta.

Bocage escreveu poesias líricas, sobretudo em forma de sonetos, descrevendo a natureza como local ideal de vida, falando de pastoras, de deuses mitológicos, o que indica a influência do modelo clássico. Ainda sob essa influência, o poeta procura expressar emoções de maneira moderada, demonstrando que a razão deve estar em primeiro plano. Entretanto sua poesia revela muito de sua emoção pessoal, de sua experiência individual: a mulher pastora ganha forma e aparece como mulher sensual, atraente.

A poesia lírica de Bocage revela que o poeta se formou dentro dos valores contidos, moderados e racionais do Arcadismo, mas que evoluiu para uma poesia em que os sentimentos, a tristeza, a presença da idéia da morte vêm prenunciar o Romantismo e a temática do início do século XIX.

O Bocage piadista, satírico e imoral, é fruto da imaginação popular. Famoso por ser censurado pelas poesias em que critica os valores monarquistas e católicos, criou-se o mito do Bocage anedótico: anedotas picantes são sempre atribuídas a ele. Nos últimos meses de sua vida, reconcilia-se com a religião e escreve os célebres sonetos:

Meu ser evaporei na lida insana e Já Bocage não sou.


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Referências Bibliográficas (Pesquisa Iba Mendes, 2014):
1. Massaud Moisés: A Literatura Portuguesa através dos textos, 22ª Edição. Editora Culturix. São Paulo, 1997. ,
2. Maria da Conceição Castro: Língua & Literatura. Editora Saraiva, 1ª edição. São Paulo, 1993.
3. Paschoalin & Spadoto: Literatura, Gramática & redação. Editora FTD. São Paulo, 1986.

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