segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Joaquim Norberto de Sousa Silva – Aspectos Biográficos


Joaquim Norberto de Sousa Silva – Aspectos Biográficos

Joaquim Norberto nasceu no Rio de Janeiro em 1820 e morreu em Niterói em 1891.

Cronologicamente, — escreve Herman Lima —, de acordo com Sílvio Romero, nosso primeiro contista seria Joaquim Norberto de Sousa Silva, autor de "Romances e Novelas", "hoje ilegíveis, por escritos em detestável estilo, incorreto, incolor". A respeito, lembra recentemente Edgard Cavalheiro que o trabalho que lhe garante aquele título apareceu em 1841, num pequeno folheto intitulado "As duas órfãs", onze anos depois reunido a três outras composições que constituíram o volume citado: "a palavra conto não é empregada, mas tanto "As duas órfãs" como os outros são, a rigor, contos, isto é, histórias curtas e podem, perfeitamente, servir como ponto de partida a quem traçar a evolução do conto brasileiro."

Na verdade, a novelística de Joaquim Norberto é de significação meramente cronológica, histórica. Representa apenas uma etapa na evolução do gênero entre nós. Nem se dedicou ele, com maior afinco, à atividade de contista ou romancista. Apaixonado pela literatura, autodidata que ascendeu da condição de caixeiro à de funcionário público, escreveu principalmente poesias, peças de teatro, estudos históricos e literários, chegando mesmo a esboçar uma história de nossas letras. Prestou grandes serviços à cultura nacional preparando e prefaciando edições das obras de Casimiro de Abreu, Silva Alvarenga, Álvares de Azevedo, Gonçalves Dias, Alvarenga Peixoto, Laurindo Rabelo e Tomás António Gonzaga. Nesses trabalhos, distinguiu-se pelo "esforço documentário e coordenação" do material recolhido, notadamente no que diz respeito às informações biográficas. Foi também um dos nossos primeiros antologistas.

No seu entender, a atividade do romancista consistia em "expandir-se pelas minudências das descrições dos quadros da natureza, perder-se' em reflexões filosóficas e demorar-se nas trivialidades de um enredo cheio de incidentes para retardar o desenlace da ação principal". Assim procedeu em "As duas órfãs"', página a que, aliás, denomina de "romance". É uma história de ciúme e rivalidade amorosa que tem por fundo histórico a luta entre brasileiros e holandeses, episódio em que aparecem Maurício de Nassau, Henrique Dias, Bagnuolo, Camarão e outras personalidades do tempo.


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Fonte:
O Conto Romântico. Seleção e notas de: Edgard Cavalheiro e Mário da Silva Brito. Editora Civilização Brasileira. Rio de Janeiro, 1961, págs. 209-210.

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