segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Júlio Dantas - Reflexão acerca da morte de Virgílio Várzea



Reflexão acerca da morte de Virgílio Várzea
15 de outubro de 1942:
A literatura brasileira perdeu, no ano passado, com a morte de Virgílio Várzea, um dos seus mais originais ficcionistas. Filho das praias de Canavieira, em Santa Catarina, o autor de Rose Castle teve a embalar-lhe a infância as cantigas que os marujos trazem dos portos distantes. E o contato com os pescadores, com os homens acostumados às longas travessias, aumentou a sua paixão do oceano, já vinda no sangue de uma família de marinheiros. Os seus olhos embeveciam-se na contemplação dos horizontes sem limites, imaginando aventuras, na surpresa das viagens. Somente a orfandade colocou um parêntesis nos seus sonhos inquietos, obrigando-o a fixar-se na antiga Desterro, onde iniciou os estudos, incentivado por Cruz e Souza.
Concluído o curso de humanidades, Virgílio Várzea veio para o Rio, matriculando-se na Escola Naval. A vida literária atraiu-o, entretanto, fazendo com que os aparelhos náuticos fossem trocados pela pena de jornalista. Aliás, não houve bem uma troca, porque várias vezes a sua carreira na imprensa sofreu interrupções, com engajamentos em veleiros das mais diversas nacionalidades. E, tendo as raízes mergulhadas na esteira dos navios, a sua obra de contista principiou a ser composta. O travo exótico das histórias de Pierre Lotie o marinheiro dos relatos de Claude Farrere fundiam-se nas suas páginas com o vigor das produções elaboradas à chama do entusiasmo...  O nome do ilustre escritor é recordado, com justiça e oportunidade, neste número dedicado a Santa Catarina.
JÚLIO DANTAS
Revista "Vamos Ler", 15 de outubro de 1942.

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