quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Miguel Calmon (Aspectos Biográficos)



Miguel Calmou du Pin e Almeida (Aspectos Biográficos)

Foi batizado na cidade de Santo Amaro, província da Bahia, em 1796; filho de José Gabriel Calmon e Almeida e sua mulher D. Maria Germana de Sousa Magalhães.

Cursando a Universidade de Coimbra, depois de muito laureado, obteve o grão de doutor em Leis no ano de 1821.

Apenas formado foi nomeado juiz de fora de Porto de Moz em Portugal, lugar que não aceitou, volvendo ao solo da pátria em 1822.

Nesse momento era sua província agitada pela luta das tropas do país com as portuguesas, nessas conjunturas foi nomeado pela vila de Abrantes membro do conselho interino de governo instalado na então vila da Cachoeira, onde firme se conservou por quase um ano.

Grande foi a influência que lhe deram esses movimentos, o que valeu-lhe um lugar, como representante dessa mesma província, na assembleia constituinte, e da qual era primeiro secretário no mês em que o Imperador a dissolveu.

Nos princípios de 1824 deixou a pátria para viajar a Europa, por onde se demorou até os fins de 1826.

Eleito deputado em 1825, achando-se ainda ausente, tomou assento em 1827, sendo no fim dessa sessão chamado aos conselhos da Coroa.

Relevantes foram seus serviços nesse ministério em que ocupou a pasta da fazenda, organizando a Caixa da Amortização, sendo esse o tempo da calamitosa guerra com Buenos Aires.

Chamado de novo à mesma pasta em 1828, nela serviu até 1829 em que foi transferido para a de estrangeiros, na qual permaneceu até 1830.

D. Pedro I remunerou seus serviços com a dignitária do Cruzeiro, e com a grã-dignitária da Rosa no mesmo dia que esta ordem foi criada.

Foi de novo eleito pela Bahia como deputado à segunda legislatura.

Em 1831 achava-se na Europa quando deu-se o ato de abdicação; ao receber a notícia, que o foi surpreender tão longe do Brasil, a ele voltou tomando parte importante nas agitadas sessões de 1832 e 1833; 1834, 1835 e 1836 passou-os ele na tranquilidade da vida da família, sendo mesmo aí útil à pátria, pela fundação de úteis sociedades de agricultura e colonização, de que foi presidente.

Desse retiro o quis arrancar a nomeação de presidente da província da Bahia, que lhe enviou a regência, que ele recusou, como a nomeação de ministro plenipotenciário do Brasil em Viena de Áustria.

Tomando assento na câmara, como suplente em 1837, foi um dos que concorreu para a retirada de Feijó, sendo chamado à pasta da fazenda do gabinete de 19 de setembro desse mesmo ano, e a ele se deve a regularização da emissão dos bilhetes do tesouro.

Apresentado na lista tríplice de senadores pelas províncias da Bahia, Rio de Janeiro e Ceará, coube a esta última província em tê-lo como seu representante desde 20 de julho de 1840.

Chamado a fazer parte do ministério da maioridade declinou dessa honra.

Em 1840 casou-se no Rio de Janeiro com a excelentíssima senhora D. Maria Carolina da Piedade Bahia, filha do Barão de Meriti.

Ministro da fazenda do gabinete de 23 de março de 1841.

Conselheiro de Estado ordinário em 1843, sendo em 1844 enviado a Berlim em missão especial.

Regressando à pátria em 1847 prestou serviços mui importantes como presidente da Sociedade
Auxiliadora e da Mesa do Recolhimento de Santa Teresa; Comissário do Instituto dos Meninos Cegos; presidente da comissão fundadora do Instituto dos Surdos-Mudos; provedor da Santa Casa da Misericórdia, e presidente da Imperial Academia de Música.

Nomeado em 1849 Visconde de Abrantes, com grandeza, foi em 1854 elevado a Marquês do mesmo título.

Ministro de estrangeiros do gabinete de 30 de maio de 1862, manteve com energia a dignidade do país, diante da insolência de Christie, em cujo gabinete também ocupou interinamente a pasta da fazenda.

Faleceu nesta corte a 13 de setembro de 1865, rodeado da consideração pública por seus grandes serviços, sendo o único brasileiro grã-cruz do Cruzeiro desde 1861.



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Fonte:
Manuel Francisco Dias da Silva - Dicionário biográfico de brasileiros célebres, 1871.
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes, 2018.

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