sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Paciência (Paródia ao soneto “Sete anos de pastor”, de Luís Camões)


A PARÓDIA

Paciência
 (Paródia ao soneto “Sete anos de pastor”, de Camões)

Sete anos, empregado, o Ezequiel
Serviu ao pai do "resplendor" que amava.
E nesse afã, de dia trabalhava,
Deixando a noite para ver Raquel...

Assim mesmo enganado foi um dia,
Pelo futuro sogro, intermediário,
Que em lugar de Raquel lhe deu a Lia,
Passando assim um conto do vigário.

Ainda outros sete anos o serviu
Para obter o "ideal" tão almejado,
Trabalhando por isso sem enfado.

Mas desta vez a sorte lhe sorriu,
Ao forte e prazenteiro Ezequiel,
Pois, se encontrou ao lado de Raquel...

JOSÉ GARCIA JUNIOR
Revista “O Malho”, 1926.


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O ORIGINAL

Sete anos de pastor...

Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!

LUÍS DE CAMÕES

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