sábado, 19 de janeiro de 2019

A última pilhéria (Emilianas)



A última pilhéria


Doente do “wiskite” aguda, como ele mesmo denominava sua enfermidade, Emílio jamais deixou de ter nos lábios um sorriso, embora por vezes laivado de amarguras. Os médicos que o assistiam, resolveram fazer-lhe uma punção para aliviá-lo dos atrozes padecimentos. Entre os poucos amigos, presentes à cirurgia, encontrava-se um que nunca o abandonou: José Pires Brandão, o generoso. E o enfermo vendo que lhe escorria pelo ventre um líquido claro, chamou a atenção dos amigos:

— Vejam vocês a ironia das coisas; sai-me da barriga um líquido que nunca bebi: água!

Foi a última e acerba pilhéria de Emílio de Menezes...


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Revista "O Malho",  14 de setembro de 1939, por: Leôncio Correa.
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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