sábado, 19 de janeiro de 2019

Oswaldo Cruz (Emilianas)



Oswaldo Cruz


Esta pilhéria de Emílio foi contada por Carlos de Laet a Teles de Menezes.

Emílio concorrera com Oswaldo Cruz, o inolvidável higienista brasileiro, a uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e, como se sabe, foi vencido no pleito pelo ilustre filho de São Paulo.

Dias depois da eleição, Carlos de Laet encontrava-se com o vencido, que nem sequer lhe agradeceu o voto, julgando-o naturalíssimo. Emílio pergunta-lhe apenas se se dava bem com o Dr. Osvaldo.

 Laet declara-lhe que não, muito embora se considerasse um de seus mais sinceros admiradores.

— Era para um negócio — disse-me o Emílio.

— Negócio?! e qual?

— Sim... Sabe você que a vaga foi de Raimundo Correia. Esperava ser eleito, escrevi o elogio acadêmico do morto, e agora já não me serve para nada. O Oswaldo é homem muito ocupado, menos afeito a estas frioleiras literárias, provavelmente mais lhe vai custar o fabrico da encomenda. Se ele me quisesse ficar com o objeto, ceder-lhe-ia com desconto...


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A Gazeta, nº 272, ano V, 2 de novembro de 1937.
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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