sábado, 12 de janeiro de 2019

Os coqueiros de Pernambuco (Trovas, 1929)


Os coqueiros de Pernambuco
(1929)

Coqueiros lindos de viçosa fronde,
quem vos teceu o arrendilhado véu?
E quem aos ares num ousado assalto
forças vos deu para subir tão alto
galgando as nuvens e topando o céu?

Coqueiros lindos de roliços troncos
altivos restos de pujança audaz,
Quem deu a graça desse ereto porte
rijeza o viço ao vosso tronco forte
que lembra a vida e simboliza a paz?

Como subia aos céus, coqueiros lindos,
Se sois escravos, tendo vós raízes?
É que da força sois no mundo o exemplo
e a vossa copa lembra um doce templo
que acolhe prece dos que são felizes.

Coqueiros lindos! Sopra a brisa e é tarde
e as vossas folhas se agitando vão,
e nessas leves e ondulantes plumas
que tem segredos para os sóis e as brumas,
eu ouço o arfar de um grande coração!

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