sábado, 19 de janeiro de 2019

Osso (Emilianas)



Osso


Certa noite, estando o saudoso Emílio de Menezes assentado pachorrentamente a uma mesa, no Café Jeremias, notou que ao lado dois rapazes discutiam violentamente, quase se atracando.

Apurando o ouvido, descobriu o poeta que o pomo da discórdia era uma jovem de invejável dote, mas extremamente magra, filha única de um velho capitalista, da qual cada um deles se supunha o preferido.

Entrando neste momento um jornalista, perguntou ao Emílio:

— Que discussão é aquela?

— São dois cães que disputam um osso — respondeu o poeta.


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Revista Careta, 2 de agosto de 1919
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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