sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Lenda do bicho de seda (Conto), de Leon Tolstoi



Lenda do bicho de seda

Havia na Índia uma princesa de cabelos de ouro.

Sua madrasta detestava-a tanto, que convenceu o rei de que devia abandoná-la no deserto.

Levaram, pois, para o deserto a princesa dos cabelos de ouro e lá a deixaram.

No quinto dia, a princesa voltou para o palácio de seu pai, montada em um leão.

A madrasta aconselhou então ao rei que largasse a enteada numas montanhas desertas onde havia só abutres.

No quarto dia, os abutres trouxeram-na para o palácio do pai.

A madrasta exilou desta vez a princesa para uma ilha deserta.

Uns pescadores a encontraram e trouxeram-na ao pai.

Vendo isso, a madrasta mandou que cavassem no pátio um poço muito fundo, meteu nele a princesa dos cabelos de ouro e fez tapar o poço.

Seis dias depois, no lugar em que a moça fora enterrada viva, apareceu uma luz.

O rei mandou abrir o poço e encontrou aí a princesa dos cabelos de ouro.

Afinal a madrasta mandou cavar o tronco de uma amoreira e encerrou aí a princesa; em seguida mandou cortar a árvore e atirá-la ao ar.

Ao nono dia, o mar atirou a árvore na costa do Japão; os japoneses tiraram de dentro do tronco a princesa viva, mas logo que ela viu a luz do dia, morreu transformou-se em bicho de seda.

O bicho de seda agarrou-se à amoreira e começou a roer-lhe as folhas.

Um dia deixou de comer e ficou quieto; mas cinco dias depois — o tempo que a princesa levou no deserto — o verme reanimou-se; começou de novo e durante alguns dias a roer as folhas da árvore e em seguida adormeceu.

Depois, ao fim de um tempo igual ao que os abutres gastaram em levar a princesa à casa do pai, o verme reanimou-se ainda para adormecer em seguida.

Afinal, pela quinta vez, o bicho de seda morreu e transformou-se em um casulo sedoso e dourado; deste casulo saiu uma borboleta que começou a pôr ovos.

Finda a postura, saíram bichos de seda que se espalharam no Japão.

O Japão cultiva uma grande quantidade deles e fabrica seda.

O bicho adormece cinco vezes o cinco reanima-se.

Os japoneses chamam o primeiro sono: “sono do leão”, o segundo: “som no do abutre”, o terceiro: “sono do batel”, o quarto: “sono do poço”, e o quinto: “sono do tronco”.

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