domingo, 3 de março de 2019

Fernando Pessoa e Lisboa



Fernando Pessoa e Lisboa

Fernando Pessoa, que foi uma das mais eminentes luzes da verdadeira "literatura moderna" de Portugal, conta hoje entre os intelectuais lusitanos um prestígio que cresce de dia para dia, através de estudos interpretativos de seus poemas e de escorços e análises de sua singular personalidade.

Nascido a 13 de junho de 1888, morreria em plena maturidade de seu espírito multiforme, a 30 de novembro de 1935 — e seria um dedicado cantor de sua cidade de Lisboa, sobre a qual escrevia em 1923.

... Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete.

No aniversário da morte do poeta, Carlos Queiroz, o delicado lírico do "Desaparecido", dedicou comovido artigo a Fernando Pessoa no "Diário de Lisboa", lembrando as emocionadas notas pessoais de sua poesia metropolitana.

"Lisbon Revisited", foi como chamou a esse poemeto, que assinou com o "heterônimo" de Álvaro de Campos. Três anos depois, noutra poesia a que deu o mesmo titulo: "...Outra vez te revejo — Cidade da minha infância pavorosamente perdida... — Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui..."

Bernardo Soares (outro heterônimo de Fernando Pessoa), descrevia em prosa, frequentemente, o que os seus olhos de poeta viam — e amavam — nas ruas da cidade baixa; e estava tão integrada nelas a sua "vida" que sempre acrescentava à assinatura dos seus escritos: — "ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa". Mas já em 1915, a "Ode triunfal" e a "Ode marítima" tiveram por cenário — e, certamente, por fonte — o lugar onde o poeta as concebeu e realizou. Lendo os versos finais da segunda destas odes em que ele canta a partida de um pequeno vapor, quem não vê, com maior nitidez do que num filme colorido, um dos mais pitorescos trechos de Lisboa?


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Revista "Vamos Ler!", 7 de abril de 1938.
Pesquisa, transcrição e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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