sábado, 16 de março de 2019

Vida e obra de Cláudio Manuel da Costa


Vida e obra de Cláudio Manuel da Costa

Cláudio Manuel da Costa nasceu a 6 de junho de 1729, num local denominado Ribeirão do Carmo, termo da cidade de Mariana, na então capitania de Minas Gerais, sendo considerado o representante máximo do Arcadismo da literatura brasileira. Dotado de muita vivacidade e talento, foi por seus pais mandado para o Rio de Janeiro a fim de fazer o seu curso de humanidades no Colégio dos Jesuítas, e por sua inteligência, aplicação e entusiasmo, foi graduado "mestre em artes", título que equivalia a bacharel em letras. Em 1749 seguiu para Coimbra, para fazer o curso de jurisprudência, tornando-se notável na universidade por suas produções poéticas. Publicou em 1851 o Minúsculo Métrico, que foi a primeira das suas produções impressas. Depois, em 1733, publicou Epicédio consagrado à memória do reverendíssimo senhor Frei Gaspar da Encarnação, em vinte e uma oitavas, e Números Harmônicos, e ainda Labirinto de amor. Em 1754 regressou ao Brasil, estabelecendo-se como advogado em Vila Rica, onde foi também secretário do governo.

As obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa, árcade ultramarino chamado Glauceste Satúrnio, saíram três anos depois de ele ter regressado à pátria. Vila Rica foi outra produção do desditoso patriota conservada inédita por muitos anos, até que, em 1841, um mineiro ilustre, José Pedro Dias de Carvalho, fez às suas expensas a primeira edição da obra. O poema, oferecido pelo autor a José Antônio Freire de Andrade, Conde de Bobadela, é precedido de uma carta dedicatória. Tem por assunto a fundação de Vila Rica, capital de Minas Gerais. O prólogo e as notas contêm notícias importantes daquele Estado em seus primórdios, e o poema contém dez cantos de versos decassílabos, rimados em parelhas, o que torna a leitura monótona e desagradável, além do assunto, que não tem altura para um poema.

Além dessas obras, Cláudio Manuel da Costa deixou muitas poesias esparsas, entre elas a formosíssima alegoria intitulada Ribeirão do Carmo, na qual, celebrando seu torrão natal, manifesta uma bela imaginação.

Compreendido no número dos conspiradores no processo da Inconfidência foi o nosso poeta preso e encarcerado na cadeia da sua cidade natal.

Na idade avançada de sessenta anos, apavorado pela ideia do suplício, cercado de alucinações, cheio de incertezas e ambiguidades naquele dédalo infernal de interrogatórios obtusos a que foi submetido, pouco a pouco as suas faculdades se foram desordenando, terminando por enforcar-se no dia 4 de julho de 1789.

Atribui-se a Cláudio Manuel da Costa, recomendado como clássico pela Academia de Ciências de Lisboa, além de uns comentários ao Tratado da origem das riquezas das nações, de Adam Smith, e de umas Memórias sobre a literatura antiga e moderna, a autoria das famosas Cartas chilenas, que tantas discussões têm provocado, achando alguns entendidos que são da pena de Tomás Antônio Gonzaga, outros de Alvarenga Peixoto etc.


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Cultura Política, junho de 1942.
Pesquisa, transcrição e adequação ortográfica: Iba Mendes (2019)

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