quarta-feira, 24 de abril de 2019

Lima Barreto: aspectos biográficos



Lima Barreto: aspectos biográficos

Era demasiadamente observadora aquela criança, um simplório menino, filho da um modesto almoxarife do estabelecimento de alienados da Ilha do Governador, e assim o era para não permanecer à margem do que se desenrolava naquele ambiente em desordem mental. Afonso Henriques de Lima Barreto é este menino invulgar.

Pedagogicamente era contra indicada a presença de um menor em tal estabelecimento, mas a criança em questão, sem mimetismo razoavelmente infantil tira conclusões muito pessoais daquilo que via, conclusões reveladas mais tarde em inconfundíveis escritos.

Nos domínios da leitura é sua própria mãe a sua iniciadora. Tendo apenas sete anos morre-lhe a progenitora; é a respeitável D. Clemência quem prossegue na salutar tarefa, agora acrescida de iniciação à religiosidade católica, temática que não se aprofunda no espírito de Afonso Henriques, bem mais afim com a escola ultrarrealista, quando possível fundamentada no mecanicismo.

Da escola primária da Rua do Resende e do estudo de humanidades feito depois, vemos, o agora rapaz, ir à Escola Politécnica. Não estava ali, porém, o seu mundo, como também não se encontrava na burocracia do Ministério da Guerra, onde trabalhara longos anos.

As letras pátrias precisavam dele; por isso mesmo, Lima Barreto deu a essas letras nacionais tudo o que o seu espírito podia ofertar: ficção, crítica, comentário, beleza, estilo e brasilidade.

Esse carioca ilustre, nascido em 1881, pensador que pode marchar ao lado de Machado de Assis, faleceu em 1923, deixando, entre outras obras notáveis, as seguintes: Triste Fim de Policarpo Quaresma, Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá, Clara dos Anjos, Histórias e Sonhos, entre outros...

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A Noite, 27 de agosto de 1946.
Pesquisa e adequação ortográfica: Iba Mendes (2018)

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