terça-feira, 7 de maio de 2019

As Asas Brancas (Conto), de Teófilo Braga


As Asas Brancas
Sempre o mesmo olhar doloroso! Uma constante expressão de mágoa, esse abandono, que é o tédio da vida! Porque é que na flor dos anos, quando a existência se purpúrea com todas as graças que se entreveem apenas em sonho e se veste das alegrias que a rodeiam, como uma criança enfeitando-se distraída com as florinhas espontâneas, tu, bela, sentida, deixas refletir pela transparência da tua face pura um clarão pálido e incerto como de agonias e desespero, como a fosforescência de um grande mar que estua? Diante de ti sente-se uma opressão estranha, a mudez sagrada de uma grande floresta, o terror gélido, de quem entra na caverna de uma sibila. Porque é que os teus vinte anos, as formas arrebatadoras do teu flexuoso corpo de sílfide, que verga pela dor, mais lânguido e gentil do que a palmeira solitária embalada nas bafagens mornas vindas da amplidão remota do deserto, como é que toda esta adolescência, que te cinge como auréola de encanto e atrativos, me faz ter medo de ti, me prende a voz temerosa e balbuciante, que ousa às vezes perguntar-te:

Donde vieste? Em que penas? Que véu te acena e está chamando de longe? Porque te escondes dos olhos que choram de ver-te assim desolada, na consternação de uma angústia intraduzível por palavras humanas? Por que não falas, e nos contas o que sofres? Por que te deixas ficar horas esquecidas com a mão firmada ao rosto, suspensa numa contemplação divina, irradiante, de um modo, que ninguém ousa dizer se és da terra, se és a encarnação de alguma essência arcangélica que anda errante no mundo a santificar o amor no sofrimento?

***

Às vezes o teu rosto, onde se pode ler um enigma que se não destrinça, tem a lividez de cera, e a claridade que parece conter em si o jaspe. Então julgo ver-te uma santa, sob o aspecto de penitente que acha em cada sucesso da vida uma tentação oculta nas aparências mais risonhas, no folguedo mais descuidado e inocente, do mesmo modo que o áspide se esconde no alegrete das mais perfumadas flores ou o sono letal na sombra da mancinela verdejante e copada, aberta ao sol, como uma escrava sustentando a umbela com que abriga do rigor das calmas a voluptuosa odalisca.

Os vinte anos são a alegria, a inocência, a expansão; ainda não viveste bastante para provar o travo amargo da vida, não sabes conhecer a tormenta que há de vir pela nuvem que negreja, nem a bonança pelo santelmo, nem os parcéis pelo refluxo da vaga marulhosa, nem o porto pelo perfume embalsamado da terra. Tu passas na vida como um meteoro fulgurante que não procura aonde irá cair, como uma criatura sonâmbula que não vacila, não hesita diante do abismo que transpõe, nem deixa possuir-se da atração irresistível porque a desconhece. A vida é assim para ti; passas despreocupada do mundo, levada na ondulação saudosa dessas vozes interiores que te segredam mistérios indefiníveis que fazem sentir o desejo de voar para o alto, até perder-se no azul.

Os teus cabelos, quando os deixas cair destrançados sobre os ombros de marfim, agitados pela brisa vespertina que vem confidenciar contigo à janela, que olha para o ocidente, esses cabelos louros, extensos, são como as cordas de uma harpa, em que as imagens incoercíveis dos teus pensamentos vêm falar do céu, do amor, no frêmito ligeiro, quase imperceptível das vibrações que só tu compreendes.

Consternada e muda como uma estátua, a Níobe grega, o teu silêncio incute uma sublimidade profética; parece guardar a impressão do selo mais tremendo do Apocalipse, —  a missão da mulher forte.

***

Quem sabe se é o amor que a transporta assim para as solidões, como a pomba que vai esconder-se na rocha alcantilada? O amor que esmalta a vida de harmonias e encantos, que acorda as virações para levarem longe o pólen fecundante, que abre o cálice das flores para as abelhas tocarem os nectários deliciosos, que une o gemido do regato trepido com o ruído, brando que adormece, do canavial que orna as margens sinuosas? O amor é um amplexo, a identificação; como poderia divorciá-la com a vida, mudar a sua alegria numa tristeza que é como o pressentimento do sepulcro? Aquele segredo incomunicável oprime, aterra como a esfinge propondo o enigma.

Ela cada vez andava mais desfalecida, pendia de cansaço, ofegava; mas procurava iludir os desvelos da família com um vigor que não tinha, como sucede ao náufrago quase a aferrar a terra, de que a ressaca da onda o afasta, e que hesita se deve lutar mais tempo, se deixar-se engolir nas voragens do oceano. Gravitaria ela em volta de um mundo em que procurasse absorver-se, e a vida da terra, de cá, fosse como o refluxo que a impelia para longe? Pobre flor, que se debruça nas bordas da sepultura, será uma ilusão quanto a sua alma ingênua sente? Serão uma mentira todas as harmonias que se modulam lá dentro? O tapiz verde da relva fresca, lúbrica, que a chama para vir doidejar ali num volteio feérico, febril, esconder-lhe-á o lodo de um charco estagnado que a há de engolir para sempre?

Tenho medo de vê-la assim, com os olhos fitos no horizonte, nessa morbidez do êxtase; a vertigem pode sacudi-la, e precipitar-se, como a borboleta prateada e indiscreta. A sua alma eleva-se para o céu; porque voa tão cedo para cima a névoa da madrugada, de uma alvura nitente? A andorinha quando parte, voa na asa da rajada hibernal que a arrebata.

Mas o mundo acariciou-a sempre; porque se esconde pois e foge dele? Será a reminiscência viva do foco de luz donde saiu, que lhe inspira tamanha ansiedade, e lhe abre na alma uma saudade vivíssima, que mata? Às vezes está tranquila, imóvel, como quem escuta a toada de um concerto mavioso que embala e com que se adormece. Oh, quem ousará despertá-la? Seria perturbar a cristalização de uma gota de orvalho que se transforma em pérola. Outras vezes tem o olhar pávido, firme, de quem contempla e pasma perante uma visão imensa e augusta. Que aparição risonha virá falar-lhe? Eros, na solidão remota da noite? Será o desejo de vê-lo, o desalento do impossível, que a fazem reconcentrar assim nessa dor? Uma lágrima era a gota do óleo aromático da alampada escondida; em vez de fazê-lo desaparecer, envolto na nuvem branca e etérea, a lágrima prazê-lo-ia como um grande astro que atrai após si miríades de planetas.

***
A tarde declinava amena, festiva, com o último lampejo de graça que deixa pressentir já a melancolia do outono. Ema ergueu-se da mesa; o rosto estava deslumbrante de transfiguração, possuída do sentimento do infinito, que lhe dava uma expressão sobre-humana, excelsa, que se não podia fitar, semelhante à Seraphita enlevada nas iluminações swedenborgianas, ao transpor os precipícios icários, inacessíveis dos fiordes da Noruega.

Naquela tarde parecia opressa por uma angústia mais intima. Segui-a, queria admirá-la na altura a que se remontava, queria que me fizesse herdeiro do seu manto profético, no instante em que se librasse no carro de fogo, como Elias. E ela era bem a profetisa do deserto. Aproximei-me. Estava serena e plácida, como quem mergulhara no oceano da contemplação. De mais perto vi que dormia, com um sono hipnótico. Ficara-lhe um sorriso estampado nos lábios; parecia o involucro de uma crisalida misteriosa; a borboleta voara para a luz, abandonara-o na terra.

Conservava então um livro sobre o regaço; a mão inerte repousava sobre a página. Um leve sinal notava uma frase profunda em que a alma se lhe absorvera: “Um anjo está presente a um outro, quando ele o deseja.”

Procurei ver de quem era o livro. Era escrito por Swedenborg, o patriarca dos teósofos do norte, o que levou mais longe as relações com o mundo invisível. O livro intitulava-se: A sabedoria angélica da omnipotência, omnisciência, omnipresença dos que gozam a eternidade, a imensidade de Deus.

Ema acordou de súbito. Senti um estremecimento de terror, começava a compreender a sua solidão. Eu mesmo tinha estudado a segunda vista, coligido alguns fenômenos de sugestão que se passavam no meu espírito, conseguira por uma excitação nervosa perene a hipnotização voluntária.

***

Também no livro De varietate rerum descreve Jerônimo Cardan a faculdade que tinha de experimentar o êxtase espontâneo, e de tornar objetivas as imagens criadas na sua mente: “Quando eu quero, vejo o que me apraz, e isto não só com o espírito, mas com os olhos, com essas imagens que eu via na minha infância. Mas agora creio que elas são o resultado das minhas ocupações. É certo que nem sempre possuo esta faculdade, contudo não a tenho senão quando quero. As imagens que eu vejo estão sempre em movimento; é assim que vejo as florestas, os animais, os diversos países e tudo quanto eu quero ver. Creio que a causa de todos estes efeitos está na atividade da minha imaginação e numa vista penetrantíssima. Desde a minha infância tinha de comum com Tibério César o poder ver na obscuridade mais profunda, como em pleno dia. Porém não conservei muito tempo esta faculdade. Apesar disso vejo ainda alguma coisa, posto que não posso distinguir bem o que vejo; e atribuo este efeito ao calor do cérebro, à sutileza dos espíritos vitais, à substancia do olho, e à energia da imaginação.” (Lib. IV c. 43.)

É esta uma qualidade vulgaríssima nos povos do norte, principalmente os insulares, conhecida sob a denominação de Second sight. Aí a imaginação tendo pouca variedade de paisagem que a fecunde, volta sobre si o que há edificado e exagera-lhe as proporções. Por isso as teogonias do norte são terríveis. As avalanches suspensas a precipitarem-se, os nevoeiros difundidos por toda a parte como um sudário imenso e frio, a aurora dos polos a desdobrar-se esplêndida, tudo faz sonhar de um mundo fantástico, escutar essas toadas vagas, indefiníveis dos espíritos que se anunciam pelo ressoar de uma harpa longínqua. O dom da visão é comum; é assim na ilha de Ferroë. Que virgens se não ostentam numa aparição repentina, e que o vidente procura, sem nunca mais poder encontrá-las! Balzac, o observador sem igual do coração, sentiu toda a poesia do norte no poema de Seraphita; é um mistério, o enlace da filosofia e da poesia, um êxtase indecifrável de Swedenborg, contemplado nas fiordes da Noruega. O delírio de Seraphita é o problema incessante da percepção imediata; o seu amor é mais puro que o ideal de Dyotima, é ele que lhe dá a segunda vista.

Taishatrim e Phissichin são os nomes que em língua gaélica se dão aos que tem esta faculdade. Os fatos observados são inúmeros, o seu estudo é dos nossos dias. Kant combateu a doutrina visionária de Swedenborg, mas não atendeu que este fenômeno físico era todo sentimental; viu no patriarca dos videntes do norte um impostor. A vida exemplaríssima de Swedenborg é um desmentido completo e irretorquível aos argumentos desta ordem.

Como explicar a inspiração continua, a segunda vista? A alma paira entre dois mundos —  o físico com que se relaciona pelos sentimentos, o físico com que se relaciona pelos pressentimentos; se é atraída para o mundo dos corpos, predominam nela os instintos, e as sensações, todas relativas, só lhe advém pela presença dos objetos; se a alma por um desejo veemente se eleva do estado de anima ao de spiritos, os sentimentos desprendem-se do nexo das relações terrestres, e conhecem tudo independente das sensações pela representação subjetiva. É o que acontece aos poetas, cantando a beleza de formas não sonhadas, a reminiscência de harmonias não ouvidas.

***
  
Ema estava naquela tarde tão afável! Tinha por certo a consciência de ir em breve completar-se na essência de algum anjo. As suas falas eram como suspiros. Lançou-me um olhar interrogativo, de quem temia fazer-me uma pergunta indiscreta. Eu desconhecia-lhe aquela afabilidade de serafim, costumado a vê-la sempre aérea, desdenhosa do mundo, radiante como na transfiguração do Thabor. Apertei as mãos dela entre as minhas, queria tirar um som deste instrumento celeste, cujo segredo de harmonia era só percebido pelos anjos. Se pudesse desferi-lo, havia de perguntar-lhe o motivo de tanta tristeza, a intensidade dessa dor tão intima, tão espiritual, que se não pode exprimir na materialidade fônica da palavra. Ela adivinhou o meu desejo:

 Tens uma vontade enérgica? —  perguntou-me quase a medo e de um modo sibilino. Seria uma frase abrupta para qualquer, e ininteligível até; eu porém que devo à atividade só desta faculdade tudo quanto sou, as grandes dores, os impulsos irresistíveis, as glórias sonhadas, a realização dos mais exíguos apetites, que a encontro na intensidade absoluta do Fiat, que é Deus, que a vejo nos grandes fatos do espírito, a Religião, o Direito e a Arte: na religião manifestando-se emotivamente na fé; no direito, no acordo dos contratos individuais; na arte, no ponto onde os gostos diversíssimos se harmonizam, isto é o belo; eu, repito, compreendi aquela interrogação na sua plenitude. E começava a conhecer mais o poder da vontade porque acabava de observar o resultado do ato em que a exercera.

Ema fitou-me com um olhar profundo; o rosto era majestoso e santo, como o frontispício de uma catedral da Idade média; as flechas, as linhas arquitetônicas a infinitivarem-se para o alto, eram os seus cabelos; o olhar, o olhar que me oprimia nesse instante, era misterioso como uma ogiva sombria. Tive o medo do neófito, quando ouve mugir a caverna, e escoar-se a brisa gélida e odorante pela fenda do penhasco, e quase que se esvai em terra sem sentidos, ao ver atônito as convulsões do hierofante. Ema perguntou-me se eu cria nas relações com o mundo invisível. Hesitei um instante, depois volvi:

 Creio, mas não as sei demonstrar por uma fórmula, que, embora refutável, tenha valor filosófico. —  Ela ouviu-me com o pesar e serenidade de uma jovem esposa na sua viuvez, que ouve o filhinho a perguntar-lhe pelo pai. Depois murmurou, encostando a face sobre o meu peito:

 És tão novo ainda, e porque matas em ti já o sentimento pela reflexão? A reflexão é fria, é terrena, não compreende sem decompor para recompor. Como se há de ela elevar ao simples, ao absoluto, que tem por atributo supremo a indivisibilidade? A luz, que é incoercível, não se espelha na face quieta do lago? O sentimento é assim; só ele te pode levar além das relações e das contingências. A substancia é única; esta essência dela é que prende pela unidade a multiplicidade dos atributos. Todas as vezes que te absorveres na unidade que te alia como atributo ou modo à substancia, entraste na essência de todas as coisas, porque o simples que atua nesse momento em ti, é o mesmo em que tudo existe. Vibra em ti a harmonia universal.

E continuou com palavras quase imperceptíveis. Estava em êxtase, no êxtase da abstração, como o sentia Newton quando determinava a essência de uma ordem de fatos complexos, na lei que havia ficar eterna, e a que havia imprimir o seu nome. Tive vontade de lançar-me por terra, diante daquele espírito incompreensível; precipitava-me se ela me dissesse como satanás, quando arrebatou Jesus ao pináculo do templo: —  Haec omnia tibi dabo, si cadens adoraveris me.

***

Quando Ema saiu da sua mudez sublime, recostou-se sobre o meu ombro com uma graça infantil:

 Ainda não sabes por que ando triste? Olha, uma tarde, pus-me a escutar o murmúrio de um regato; parecia-me ser uma música interior. Tive vontade de saber o que dizia, de confidenciar com ele, de comunicar minha alma, que aspirava numa sede de amor. Ao trepidar mavioso da veia cristalina, sonhava, devaneava, enleada, embevecida. Adormeci. Pareceu-me então aquele cicio, como de asas de um querubim que baixasse ao meu lado; via a claridade de alvura das suas roupagens longas, estava silencioso ao pé de mim. Mostrava a expressão da serenidade augusta, uma aparência que consolava. Acordei, e o mundo afigurou-se-me um desterro, a vida um cárcere, tinha uma impaciência de voar, de fugir, o desejo irrepressível de tornar a ver o rosto risonho daquele que me veio mostrar o mundo intransitável para a vida, como sarçal espinhoso. De outra vez apareceu-me, brilhante como Iahveh na sarça-ardente. Era sempre silencioso. O amor emudecia-me diante dele, quis segui-lo na visão que se esvaecia lentamente, mas o corpo estava preso aos limos terrenos, como o cordeiro que se prende nas urzes do matagal. A anciã do extremo esforço despertou-me. Foi assim que nasceu essa melancolia profunda, concebida diante do impossível. Mais tarde conheci o mistério da vontade; isolei-a em mim, para revocar o ente dos meus sonhos à realidade de um instante. Quase que me abrasava na intensidade do querer. Ele apareceu-me mais triste. Perguntei-lhe se amava? Sorriu-se. Que era preciso para completarmos uma mesma essência? o sorriso converteu-se numa alegria doida, e disse-me vagamente —  voa da terra. Nunca mais voltou a visitar-me no desolamento em que vivo. A vida assim é o vegetar do lixo na umidade das lágrimas derramadas de hora em hora. Por que não hei de voar da terra?

***

Ouviu-se trindades nesse instante; cerrava-se a noite, frígida; o luar vinha saudoso. Ema pediu-me para deixá-la só. Por alta noite via-se a luz derramar-se pela vidraça do seu quarto, luz viva, silenciosa, como da alampada do filósofo hermético surpreendendo a natureza em algum dos seus segredos mais recônditos.

Ema lia no livro predileto, que eu deparara aberto sobre o regaço. Pouco depois começou a alvorada. Quando o silêncio era mais solene e a natureza inteira parecia reconcentrar-se em santos mistérios, sentiu-se em casa um estrondo surdo, como o baque de um corpo morto, depois o bracejar, de quem se debatia nas vascas do paroxismo. Ergueram-se à pressa, foram após o eco. Era no quarto de Ema. Seria algum pesadelo longo? A porta cedeu à prontidão do socorro. Foram encontrá-la em terra, morta, a pouca distância do fogão, que saturava o ar ambiente de exalações carbônicas. O corpo já estava frio; o rosto tinha a palidez do mármore. A pouca distância dela estava aberto o livro fatal das exaltações místicas de Swedenborg.

Lia-se esta frase profunda:

“A inocência dos céus produz uma tal impressão na alma, que os que são afetados dela guardam um transporte que lhes dura toda a vida, como eu mesmo experimentei. Basta talvez ter uma mínima percepção para ser para sempre mudado, para querer ir aos céus e entrar assim na esfera da Esperança.” Seguiam-se outras palavras. Tive medo de ler mais, porque começava também a sentir a sedução da melancolia e reconcentração subjetiva, que leva ao suicídio.

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